A partir deste mês de dezembro, Belém voltou a ter supermercados funcionando em regime de 24 horas. A novidade é uma reivindicação antiga de parte da população da capital paraense, que reclamava da falta de opções em horários diferenciados, mas também é alvo de críticas sobre as condições dos trabalhadores e as necessidades desses estabelecimentos.

A princípio, apenas algumas unidades do Grupo Líder voltaram a funcionar durante 24 horas. Desde o dia 2, a loja da Batista Campos já funciona nesse regime. A partir do próximo domingo (10), as unidades do Líder BR-316 e Líder Doca, na avenida Visconde de Souza Franco, vão aderir ao horário.

“Foi um acordo que fechamos com o sindicato laboral (que representa as empresas). A gente fez esse esforço, porque entendemos que Belém precisa desse serviço. A cidade cresceu demais, são mais de 1,5 milhão de habitantes, incluindo uma parcela de profissionais liberais, médicos, advogados e outras profissões, que não têm outro horário senão a noite para fazer compras”, afirma Oscar Rodrigues, diretor administrativo-financeiro do Grupo Líder.

Segundo ele, o funcionamento durante a madrugada é uma questão de necessidade da população, embora recaia também sobre a questão comercial. “Há uma resistência nesse tipo de funcionamento por causa da ideia de falta de lucro e até de prejuízo, com os gastos de energia e com trabalhadores, durante um horário de pouco movimento, como às 3h. Mas a questão não é só lucro, há uma necessidade da população a ser trabalhada”, continua Oscar. “Quando os supermercados pararam de funcionar 24 horas, mais de mil empregos foram perdidos. Agora, estamos abrindo 500 contratações para suprir o novo regime”, completa.

Em agosto deste ano, o presidente Michel Temer sancionou uma lei que estabelecia os supermercados como uma atividade essencial para a economia, podendo então passar a funcionar nesse tipo de regime, assim como farmácias, postos de combustível e unidades de saúde.

“O acordo foi mais uma formalidade, já que esse tipo de funcionamento já é amparado por lei. Cada rede funciona da forma que quiser. Mas acredito que outros grupos não deverão aderir a esse sistema. Mais ninguém se manifestou com essa intenção, por enquanto”, afirma Jorge Portugal, presidente da Associação Paraense de Supermercados (Aspas).

Para ele, a necessidade de um supermercado funcionando sem parar na cidade é questionável. “Você pode verificar que no domingo a tarde, entre 14h e 18h, o movimento é baixíssimo nos supermercados. Tanto que algumas unidades nem funcionam nesse período, apesar de poderem abrir. Acredito que a população se acostumou a fazer as compras pela manhã”, continua Jorge. “A frequência de compras não deve ser grande. Mas fica a critério de cada unidade”. (DOL)

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