Augustinópolis

Nesta sexta-feira, 15, em diversas cidades do Bico do Papagaio, servidores da Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Estado do Tocantins (Adapec), fazem manifestação em protesto pelas más condições de trabalho. Trabalhadores das cidades de Araguatins, Augustinópolis, Xambioá, São Miguel e Sítio Novo aderiram.

Segundo o presidente do Sindicato dos Inspetores de Defesa Agropecuária do Estado do Tocantins (Sindefesa) e da Associação dos Inspetores de defesa Agropecuária do Estado do Tocantins (Assindefesa), Luciano Gondim, a situação está insustentável, os problemas são vários desde: corte de telefone e internet, falta de combustível, veículos, computadores e falta de pagamento do Ressarcimento de Despesas de Atividades de Defesa (Redad).

A Adapec é o órgão responsável pela execução das ações de defesa agropecuária, atuando em parceria com o Ministério da Agricultura, ela é responsável pela sanidade animal e vegetal, garantindo que a produção agropecuária do Tocantins, possua os pré-requisitos mínimos de sanidade exigidos pelo mercado consumidor, o que garante abertura de mercado externo e maior valor agregado aos produtos. O Estado do Tocantins possui habitação para comercialização de carnes e derivados  para 29 países, ocupa 11º no ranking nacional, com um rebanho de bovino e bubalinos de aproximadamente 9 milhões de cabeças, é considerado livre da febre aftosa com vacinação a 21 anos,  status esse conseguido e mantido pela Adapec, através de seus profissionais de defesa agropecuária e está inserido no PNEFA – Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa e está em transição para se tornar um estado livre da doença sem vacinação até 2023.

A Adapec, tem protagonismos em mais de 70% de toda riqueza arrecadada no estado, é um estado com vocação para a agropecuária, segundo Gondim, o Tocantins só exporta carne e derivados para outros países, graças a sanidade do nosso rebanho e quem garante essa sanidade é a Adapec, através das ações sanitárias desempenhadas pelos Inspetores de Defesa Agropecuária e Fiscais de Defesa Agropecuária.

Xambioá

O Tocantins vem se despontando no cenário nacional como uma potencial fronteira agrícola, onde a soja tem destaque, tanto na produção de grãos, quanto na produção de sementes, com uma área plantada de aproximadamente 1 milhão de hectares, sendo destes, 942 mil hectares de soja sequeiro e 58 mil hectares de soja semente, a produção anual é de aproximadamente 3 milhões de toneladas de grãos. É importante ressaltar que o Tocantins produz cerca de 95% da soja sementes do país, no período de entressafra, nas áreas de várzeas tropicais de Lagoa da Confusão, Pium, Formoso do Araguaia Dueré e Guaraí. Essa produção nas várzeas tropicais só é possível devido ao trabalho de monitoramento da Ferrugem asiática, realizado pelos Inspetores de Defesa Agropecuária, ocorre dentro de um período onde é proibido o cultivo de soja (vazio sanitário), porém, devido ao trabalho de monitoramento da Ferrugem asiática, (principal doença de importância econômica da cultura da soja), realizado pelos Profissionais da Defesa Agropecuária, rotineiramente, desde o plantio até a colheita, é que, o Tocantins conseguiu liberação do Ministério da Agricultura para cultivar soja sementes dentro do período do vazio sanitário.

Luciano destaca que a Adapec não vem sendo reconhecida pelo governo do estado por desempenhar papel fundamental nas ações de defesa agropecuária que garantem ao estado do Tocantins, mais de 70% de toda riqueza gerada, “não é possível que o governo não tenha sensibilidade para enxergar a importância da Adapec”, estamos falando de 70% do PIB do Tocantins, direta e indiretamente  dependentes do sucesso das ações desempenhadas pela Adapec, através de seus profissionais de defesa agropecuária, segundo Gondim, “bastaria apenas um foco de aftosa e um descontrole da ferrugem Asiática para quebrar financeiramente o Tocantins”. É importante que o governo reconheça o protagonismo da Adapec e lhe dê o tratamento merecido, segundo Gondim, os profissionais da defasa agropecuária estão desde dezembro de 2018 sem receber o Redad, algo precisa ser feito, os servidores estão se endividando e pagando altos juros no cheque especial, cartão de crédito, agiotas, tudo isso reflexo desse atraso no pagamento de Redad. Já notificamos o governo para que regularize os pagamento, mas infelizmente não tivemos nenhuma resposta, essa situação afeta diretamente a realização das ações de defesa, pois, é com o Redad que os profissionais custeiam o deslocamento e hospedagem para realizarem as ações em todo o estado, devido esse fato, todas as ações estão comprometidas, os profissionais não tem como tirar do próprio bolso o recurso necessário para realizar o trabalho que precisa ser feito e que, é dever do estado dar as condições mínimas necessárias para que os servidores possam desempenhar com excelência seu trabalho.

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