O Corpo de Bombeiros do Pará informa que suspendeu, por volta de 18h20 deste sábado (6), as buscas no Rio Moju, na área em que parte da terceira ponte da Alça Viária desabou após uma balsa colidir com um dos pilares da estrutura pouco depois de 1h da manhã. Uma testemunha afirmou que dois veículos de passeio teriam caído. Com a ajuda da Capitania dos Portos, mergulhadores realizaram a varredura na área durante todo o dia, mas nem os carros, nem as possíveis vítimas, foram localizadas até o momento. 

O governador Helder Barbalho e o vice-governador, Lúcio Vale, anunciaram, durante coletiva neste sábado, que o Estado não irá cessar as buscas pelas possíveis vítimas do acidente até que elas sejam localizadas. Como medidas emergenciais para minimizar os impactos sofridos pela população, o chefe do Executivo estadual informou que serão construídas rampas (nos dois lados da ponte) para possibilitar o fluxo de balsas no local onde a a estrutura da ponte foi destruída. Serão recuperados ainda os portos do Arapari, em Barcarena, e o Porto Bannach, localizado na Avenida Bernardo Sayão, no bairro do Guamá, em Belém.

Segundo o capitão tenente Nelson Ferraz, chefe de comunicação social do 4ª Distrito Naval, o trabalho foi interrompido devido as fortes correntezas na área, que ofereciam risco aos agentes. Serão mantidas no local as equipes da Marinha, Polícia Militar e Bombeiros. Neste domingo (7), logo ao amanhecer, será avaliada a condição da maré para serem então retomadas as buscas com mergulhadores. A Marinha disponibilizou mais três mergulhadores para atuarem junto aos outros sete que trabalham nas buscas pelo Corpo de Bombeiros. 

A Capitania dos Portos disponibilizou uma lancha hidrográfica com equipamento sidescan – um sonar de varredura lateral, para fazer a verificação de destroços da ponte e da existência de veículos no leito do rio. “A intenção é tanto localizá-los, quanto evitar algum perigo à navegação”, ressaltou. 

Investigação

A Polícia Civil já ouviu oito depoimentos dentro do inquérito policial instaurado pela Divisão de Investigações e Operações Especiais (Dioe) para apurar as circunstâncias da colisão da balsa com a ponte sobre o rio Moju. 

Dentre as pessoas ouvidas, quatro fazem parte da tripulação da balsa, entre auxiliares e o piloto da embarcação. O conteúdo dos depoimentos, prestados em Belém, não foram divulgados. Não há novas oitivas marcadas. As investigações prosseguem no aguardo de laudos para apontar a causa da colisão. 

O inquérito da Polícia Civil tem prazo inicial de até 30 dias para encerramento, podendo ser prorrogado por igual período igual em caso de necessidade de continuidade das investigações.

Medidas

De acordo como o governador Helder Barbalho, empresas que têm contrato assinado com o Governo do Estado farão a construção das rampas devido ao caráter de urgência da medida. “Pela gravidade do incidente, a gestão estadual decretou situação de emergência. Isso nos dará condição para termos agilidade e fazermos frente às demandas que estão surgindo. Estimamos que o custo de todo o trabalho a ser realizado gire em torno de R$ 100 milhões. Se não houver nenhum obstáculo mais complicado, é possível que possamos concluir tudo em um ano”, pontuou o governador.

Entre as primeiras ações a serem tomadas está ainda a remoção dos escombros da embarcação e da ponte, além do aumento da quantidade de balsas no Porto do Arapari, que eram três e agora já são oito embarcações. “Anteriormente, saía uma balsa por hora. Agora a ordem é funcionar por 24h. Encheu, saiu. Também tínhamos operação em apenas um porto, passamos para dois portos e em 10 dias teremos um terceiro. Tudo isso no complexo de Arapari”, ressaltou o governador. O segundo porto em questão é o da Henvil, localizado na Bernardo Sayão, ao lado do antigo prédio da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob).

Outras medidas anunciadas após o acidente deste sábado na ponte são: asfaltar 55 km da Estrada Quilombola, vicinal da cidade de Moju, que será uma alternativa de fluxo para veículos de passeio e ônibus; acelerar as obras na PA-252, que liga o município em questão ao Acará, já iniciadas; instalar defensas em todas as pontes do Complexo da Alça Viária, que são proteções que ficam nas bases dos pilares; executar obras de melhoria na Avenida Bernardo Sayão, onde ficam os portos que saem para o Arapari; implementar sinalização em Marituba, para evitar que as pessoas peguem a balsa – essa ação também será realizada no Arapari, na PA-252, na rodovia Perna Sul e na rotarória da Alça Viária; estender o efeito do Decreto que isenta de ICMS as empresas que fazem a travessia de balsa Belém-Arapari-Belém por tempo indeterminado; ajuizar ação contra os responsáveis pelo acidente, sejam proprietários, tripulantes e donos de mercadoria; interditar a navegabilidade do trecho – ação já executada pela Capitania dos Portos; e reforçar o policiamento na PA-483 (Alça Viária), para desviar o fluxo de veículos que seguiriam pela rodovia e encaminhar esses condutores para fazer a travessia Belém-Arapari-Belém, que também contará com agentes da Polícia Militar.

O acidente

Quatro pontes formam a Alça Viária, na ordem de saída do município de Moju: a ponte Cidade do Moju, a ponte Rio Moju – que teve parte destruída, a ponte Rio Acará e a ponte rio Guamá. A terceira ponte, que possui 868 metros de extensão e 23 de altura, teve três pilares danificados após um balsa que transportava dendê colidir com pilares, o que fez desabar 200 metros de pista. A balsa atingiu o oitavo pilar, provocando a queda de quatro vãos da estrutura de concreto. (Natália Mello)

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