Um relatório da Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH) concluiu que a maioria das recomendações dadas às empresas do polo siderúrgico do povoado Piquiá não foram cumpridas. O polo é alvo de diversas denúncias decorrente da poluição que atinge várias famílias na região, que fica em Açailândia.

“Há uma omissão crônica das instituições públicas e dos agentes privados responsáveis pelas violações. Das 30 recomendações feitas em 2011, 75% não receberam nenhuma medida e nenhuma das recomendações foi plenamente efetivada”, declarou Gabriel Strautman, pesquisador da FIDH.

Até o momento, o único avanço estaria sendo a construção de um novo bairro para reassentar mais de 7.500 moradores de Piquiá. Porém, os moradores contam que já houve mortes na região e ainda existem residentes adoecendo por causa da poluição.

“Isso nos deixa aterrorizados. Saber que, para o governo, para as pessoas, para os políticos, empresários… que isso seja uma coisa normal”, contou Joselma de Oliveira, da Associação Comunitária de Piquiá.

Com o relatório pronto, as entidades querem reforçar o pedido para que as autoridades do Maranhão possam cumprir com suas obrigações e adotem medidas para que as empresas respeitem os direitos dos moradores de Piquiá.

“A gente espera que o relatório ajude nisso também. Convença os órgãos de controle ambiental a atuarem de maneira mais dura, mais firme. Com isso, esperamos que o comportamento das empresas mude”, contou Danilo Chammas, advogado que trabalha para a organização Justiça nos Trilhos.

Apesar do resultado do relatório, a Mineradora Vale informou que atua com responsabilidade social e ambiental mantendo todas as operações dentro dos padrões legais. Mesmo reconhecendo que o impacto gerado pela produção nas usinas de ferro gusa não tem relação direta com a Vale, a empresa afirma que vem mantendo diálogo permanente com todos os públicos interessados na questão para contribuir com uma solução conjunta sustentável, em favor da comunidade de Piquiá.

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