O Bico do Papagaio vem se consolidando como região estratégica para a integração da Logística no Tocantins. Geograficamente localizado na entrada da região amazônica e delineado pelos rios Araguaia e Tocantins, o Bico do Papagaio oferece potencial inquestionável para receber e escoar a produção industrial da Zona Franca de Manaus para as regiões Sul e Sudeste, bem como ser um centro de distribuição de alimentos para a região Amazônica e também para o exterior. Um passo importante para a consolidação logística da região foi dado com o lançamento das obras do Porto de Praia Norte.

O empreendimento contará com investimentos de cerca de R$ 372 milhões. Para o governador Carlos Henrique Gaguim, o porto abre as portas do Tocantins para o mundo e será através dele que os produtos chegarão à China, Estados Unidos e a toda a Europa, “trazendo mais economia no transporte de nossos produtos e maior competitividade com o mercado externo”, enfatizou o governador.

Os modais de transporte que integram o Bico do Papagaio são a grande aposta do Governo do Estado e de investidores privados para incrementar o desenvolvimento da região. De um lado, a Ferrovia Norte Sul, cujos trilhos que cortam a região, entre Aguiarnópolis e Babaçulândia, já foram instalados pela Valec – empresa pública que executa a obra. De outro lado, o transporte hidroviário, mais barato e menos poluente, contempla a região com a navegabilidade, partindo do rio Tocantins até o Pacífico, e passando por Belém até o Atlântico.

O Governo do Estado está ciente do potencial de desenvolvimento do Bico do Papagaio e, em apenas oito meses de administração, já empreendeu projetos estruturantes para alavancar este potencial logístico. O principal projeto do Governo é a atração de investidores estrangeiros para a instalação do Porto de Praia Norte.

Após sua conclusão, o Porto de Praia Norte será uma rota alternativa de saída do corredor centro-norte, com o Tocantins ao centro, rumo ao Atlântico. Trata-se de um empreendimento de grande porte, que vai gerar cerca de mil empregos diretos para os moradores da região do Bico do Papagaio. O Governo do Estado entrou com a atração do investimento e realizará a pavimentação asfáltica do acesso ao Porto e de sua área interna.

No local serão instalados estaleiros, balanças para caminhões, centro frigorífico, guindaste e outros equipamentos. O Porto de Praia Norte será construído em oito fases e ocupará uma área de 75 hectares.

Para integrá-lo ao modal ferroviário de transporte, o Governo do Estado já realizou gestões junto à Valec para que seja construída uma linha férrea, com cerca de 120 km de extensão, ligando o Porto de Praia Norte à Ferrovia Norte Sul no município de Aguiarnópolis. A Valec já sinalizou positivamente para o projeto.

Interligado e estratégico, o Porto de Praia Norte colocará o Bico do Papagaio e o Tocantins na rota de três dos principais portos do Brasil: o de Manaus, no Amazonas; de Belém, no Pará; e o de Itaqui, no Maranhão. Com a finalização da obra da eclusa de Tucuruí, no Pará, prevista para setembro, será possível navegar de Manaus até Praia Norte.

Isso significa, na prática, que as indústrias da Zona Franca de Manaus (ZFM) não precisarão passar necessariamente por Belém para escoar sua produção para o restante do Brasil. As barcaças poderão navegar de Manaus direto para Praia Norte, desembarcar as mercadorias no porto do município e seguir o restante do trajeto pelo modal rodoviário, através da BR-153, ou pelo modal ferroviário, com a conclusão da Ferrovia Norte Sul.

Redução do custo de frete

Para se ter uma idéia da economia que o Porto de Praia Norte causará no custo do frete das cargas vindas de Manaus, atualmente a maioria das mercadorias produzidas na ZFM com destino ao Sudeste saem da capital amazonense de barco, até Belém. Depois, via rodovia, seguem para Campinas (SP). Segundo estudos da Eurolatina, este trajeto percorre ao todo 4.540 km, tem um custo de R$ 480 por tonelada e demora 12 dias para chegar ao destino.

Seguindo o trajeto de barco de Manaus direto para Praia Norte, a produção da ZFM tem duas possibilidades de escoamento, ambas mais baratas do que a rota atual. De Praia Norte, as mercadorias podem seguir para Campinas via rodovia. Esse trajeto é de 4.700km, mas o tempo do percurso cai de 12 para 8 dias e o custo do frete reduz em 17,5%, caindo de R$ 480 por tonelada para R$ 396 por tonelada de mercadoria transportada.

Se as empresas optarem por escoar sua produção de barco até Praia Norte e, de lá, seguirem via Ferrovia para Campinas, através do ramal da Ferrovia Norte Sul que chegará à cidade paulista de Estrela D’Oeste, o custo do frete cai 58,3%, reduzindo de R$ 480 por tonelada para apenas R$ 200 por tonelada. O tempo do percurso também cai para 8 dias e o trajeto será de 5.120 km.

Segundo o governador Carlos Henrique Gaguim, este é um dos potenciais em que o governo está apostando para desenvolver a região do Bico do Papagaio. “Os estudos são claros. O Porto de Praia Norte vai baratear os custos das mercadorias vindas de Manaus. Além disso, estamos investindo em ferrovia e hidrovia, que são os meios de transporte mais corretos, tanto economicamente, quanto ecologicamente. Queremos um desenvolvimento sustentável para o Tocantins e o Bico do Papagaio está no centro desse desenvolvimento”, disse Gaguim. (Aquiles Lins e Márcio de Camargo)

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