Um amplo debate envolvendo diversos segmentos da sociedade, em torno do projeto de implantação da Hidrelétrica de Belo Monte, foi realizado nesta quinta-feira (24) no município de Altamira, reunindo mais de 300 representantes de entidades públicas e privadas na sede do Centro Empresarial do município. O II Fórum Regional de Desenvolvimento Econômico e Socioambiental da Transamazônica e Xingu (Fort Xingu) tem como tema o “Desenvolvimento com responsabilidade social”.

Organizado pelo Fort Xingu, composto por mais de 170 entidades, o encontro pretendeu esclarecer e concretizar as ações planejadas para a região, as quais constam do plano de mitigação dos possíveis danos ambientais e sociais advindos com o empreendimento. Com uma população de quase 350 mil pessoas, são 11 os municípios na área de influência do projeto Belo Monte: os 10 que compõem a região do Rio Xingu/Transamazônica e o município de Gurupá, da região do Marajó. Altamira, Vitória do Xingu e Brasil Novo são os municípios atingidos diretamente pela usina.

O encontro deste ano está superando as expectativas dos organizadores, o que reflete o interesse da sociedade em participar das discussões sobre Belo Monte, de acordo com Vilmar Soares, coordenador do Fort Xingu. Segundo ele, a presença de representantes de todos os municípios envolvidos para ouvir autoridades do setor elétrico brasileiro, lideranças políticas e representantes das demais organizações, com a finalidade de entender melhor o projeto e seus detalhes técnicos, é essencial para que essa informação chegue de forma mais clara a toda a população.

Com capacidade instalada de geração de mais de 11 mil megawatts, Belo Monte será a segunda maior usina do Brasil e a terceira do mundo. Os investimentos do projeto totalizam R$ 4 bilhões, destinados a compensações socioambientais, dos quais R$ 500 milhões fazem parte do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável (PDRS) do Xingu, incluído no edital de licitação de Belo Monte. No encontro estão sendo debatidas ações que podem levar a região a um crescimento econômico, com justiça social e respeito ao meio ambiente.

Sustentabilidade

Na plateia de abertura do II Fort Xingu estavam algumas índias da etnia não-aldeada Xipaia, de Altamira, e representantes de várias entidades do terceiro setor, como o Conselho de Bairros e Entidades do Município de Altamira (Conbemat). Participaram da mesa de abertura Odileida Sampaio, prefeita de Altamira; Jorge Gonçalves, presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropastoril de Altamira (Aciapa) e representante do Fort Xingu; Valdir Narzett, presidente do Sindicato do Comércio de Altamira, e o deputado estadual Airton Faleiro, representante do governo do Estado.

Jorge Gonçalves assinalou a importância do evento para sanar dúvidas. “Acreditar em um projeto econômico viável, sustentável e socialmente justo é algo muito simples e fácil para qualquer cidadão entender”, explicou. Para ele, apesar das críticas, das dúvidas e das dificuldades que todo grande projeto enfrenta, principalmente quanto às questões ambientais e sociais, a sociedade de Altamira sempre acreditou na importância do projeto, por saber que é um empreendimento economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente correto.

Gonçalves também levantou alguns questionamentos relativos ao projeto, entre eles a garantia de um serviço de qualidade de telefonia e comunicação para a região, o planejamento do sistema de trânsito e a identificação de quem fará a exploração da madeira das áreas inundadas.

Na opinião do deputado Airton Faleiro, apesar da “incerteza” ainda percebida em boa parte da população, a ida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Altamira “selou de uma vez por todas as dúvidas sobre a implantação do projeto”. O presidente e a governadora do Estado participaram de um ato público pelo desenvolvimento sustentável do Rio Xingu no estádio Bandeirão, na última segunda-feira (22).

Integração

“Este empreendimento deve estar integrado à economia regional desde a sua origem”, frisou o deputado. Segundo ele, não há como discutir regularização fundiária sem incluir a regularização ambiental.

Após a abertura do Fórum, o tema da primeira mesa foi “Belo Monte, oportunidades e ameaças do Projeto Básico Ambiental (PPA)”. Abrindo as discussões, Márcia Camargo, representando o Ministério de Minas e Energia (MME), abordou as diretrizes socioambientais: inserção regional e internacionalização de benefícios. Também participaram da mesa Luiz Fernando Rufato, superintendente das Centrais Elétricas do Norte do Brasil (Eletronorte); o engenheiro representante do Grupo Senec, Carlos Alberto Netto, e o deputado estadual Valdir Ganzer.

À tarde foram debatidos os seguintes temas: “Diligências da Comissão do Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado Federal” e “Câmara dos Deputados – Comissão da Banca da Amazônia”. (Luciane Fiúza)

- Publicidade -

FAÇA UM COMENTÁRIO

Atenção: Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do Jornal. Se achar algo que viole ou fira sua honra pessoal, envie para o email: [email protected] que iremos analisar.