É mandatório, acima de tudo, estabelecermos o que determinamos como foco para que o leitor entenda aquilo que apresentaremos no propósito deste prelúdio inicial: Entre a resiliência e a flexibilidade fique com as duas. No entanto, a logística não é uma atividade tão simples, como muita gente imagina e também não é tão fácil. A logística é uma atividade de soluções de problemas, isto é, uma atividade meio, porém, que representa muito na competitividade na atividade fim de qualquer empresa. Nesta ambidestria agora e sempre, como primeiro passo deste trabalho julgamos de suma importância considerar que a flexibilidade da logística em cenário de crise compreende a adaptação a mudanças na realidade (homeostase) e capacidade de restaurar os níveis de resposta e de operação (resiliência).

A logística possui uma atuação fundamental nos processos das empresas. Em tempos de instabilidade econômica e financeira, o setor ainda merece destaque, por ser um potencial agregador de valor aos clientes. As novas formas de pensar na atividade logística mediante o atual cenário, favorece para o surgimento de parcerias com distribuidores ou mesmo com outras empresas com o objetivo de rateio de custos e otimização de processos. Independente do cenário econômico a logística pressupõe flexibilidade, resiliência e dinamismo, uma vez que as variáveis mercadológicas mudam em alta velocidade, seja por meio da economia, concorrência, sazonalidades, ou mesmo mudança de hábitos dos clientes.

Atualmente as Empresas Brasileiras vivem um momento extremamente desafiador. Este novo cenário é caracterizado pela busca por maior competitividade, maior desenvolvimento tecnológico, maior oferta de produtos e serviços adequados às expectativas dos clientes e maior desenvolvimento e motivação de seu capital intelectual.

Para superar estes desafios, algumas Empresas buscam tomar ações voltadas para redução de custos de uma forma isolada (através da eliminação de posições em seu quadro de colaboradores, eliminação do cafezinho, controle de ligações telefônicas e outras tão conhecidas). Estas ações, às vezes se fazem necessárias, no entanto, quando tomadas de forma isolada, não garantem o resultado desejado.

Para compreender como a flexibilidade pode ser aplicada com eficiência na logística e aumentar o potencial competitivo é necessário considerar alguns exemplos práticos, como os que seguem.

Flexibilidade de mix: se trata da personalização dos produtos, dando ao cliente maior variedade de opções (cor, tamanho, quantidade). Já a flexibilidade de entrega consiste na habilidade para reprogramar a entrega de bens e serviços, considerando as formas de reposição — reposição contínua, em que a quantidade é fixa, mas o período é variável e reposição variável, em que a quantidade é variável, mas o período é fixo.

A flexibilidade de volume é a habilidade para modificar os níveis de produção ou atividade. E a flexibilidade estratégica considera, especialmente, o aparecimento de novos concorrentes no mercado, a parceria entre os concorrentes, a inovação por meio do lançamento de novos produtos e assim por diante.

Há a flexibilidade de processos, que é o conhecimento e integração dos processos envolvidos na cadeia de suprimentos (uso de ERP contribui para conferir essa flexibilidade). A flexibilidade de gestão permite ações e reações que atendam prontamente as necessidades do negócio. E a flexibilidade dos fornecedores é conjunto ajustado de fornecedores que oferecem fontes de suprimentos de materiais. É importante o compartilhamento de informações e o processo colaborativo para compreender melhor a demanda futura. A flexibilidade dos transportes considera que tanto o transportador quanto o veículo precisam se adaptar às exigências do cliente. As atividades de transporte representam mais que movimentar cargas de um ponto a outro. A flexibilidade de armazenagem considera que todos os elementos que constituem o sistema de armazenagem (estocagem, movimentação) devem funcionar com agilidade e eficiência. A estrutura física é um item fundamental, bem como a possibilidade de aplicar o sistema cross-docking, que dispensa a necessidade de armazenagem por períodos longos.

A flexibilidade do canal de distribuição precisa ser amparada pela TI e considerar a manutenção de estoques perto do cliente (logística de antecipação), bem como o adiamento de certas operações (etiquetagem, embalagem) para um momento mais próximo dos pedidos concretizados (logística de postergação). E a flexibilidade de serviço ao cliente é o resultado final da execução de todas as outras operações logísticas. É necessário atender as necessidades específicas de cada cliente. A flexibilidade logística pode oferecer muitas vantagens, inclusive operacionais. Já vimos que ela ajuda a aumentar o potencial competitivo. Além disso, ela permite: agilidade de resposta, com o desenvolvimento de serviços mais rápidos; maximização do tempo; manutenção da confiabilidade, mantendo as operações dentro do que foi programado.

Homeostase: Com influência do meio externo (crise), manter uma condição estável, mediante múltiplos ajustes internos. – Resiliência: A capacidade de se recuperar ou se adaptar a mudanças, nesse caso oriundas da crise. – Crise: Evolução, distúrbio ou retrocesso econômico. Não existe formula mágica, as Organizações se adaptam a tudo a sua volta e a todo momento, as vezes de forma lenta quase imperceptível e as vezes de forma drástica. A Logística não foge a isso, assim como outros setores das Organizações irá se adaptar. Sua forma de agir, pensar e enxergar processos, métodos, novas tecnologias e até mesmo a próprio medo generalizado, onde é proporcional ao tamanho da crise ou do problema, gera uma reflexão profunda de toda a cadeia de abastecimento e consequentemente mudará a realidade, mudando paradigmas, porém Organizações medíocres se resumem apenas em demissões e reduções de custos, o que não está errado, mais pouco significativo no que diz respeito a conceitos e mudanças profundas.

Executar os processos com extrema eficácia em ambiente e escassez de recursos mantendo o nível de serviço e reduzindo custos, torna-se um grande desafio para a logística, algo que em alguns processos pode ser muito perigoso, mas muitas vezes as empresas não tem alternativa. Veja que em muitas empresas gasta-se muito tempo para corrigir erros, ajustar inventário, acertar cadastros mal feitos. Então se fizessem certo da primeira vez muitos custos seriam eliminados ou até flexibilizados. A logística pressupõe flexibilidade e resiliência com ou sem crise, pois as variáveis (mutantes e flutuantes) que a definem estão sempre mudando. A proposta logística é altamente desafiadora. As empresas precisam criar metodologias alternativas para atender as demandas mercadológicas, visando atender as necessidades dos clientes com qualidade e eficácia. Por outro lado, precisam trabalhar de forma estratégica e criativa com o intuito de não impactar de forma insatisfatória os custos das operações logísticas, tornando o produto incompetitivo no mercado.

Se por um lado, a palavra crise está estampada todos os dias nas principais páginas de notícias da internet, de jornal, na televisão, no rádio. Os números apresentados sobre a economia são cada vez mais alarmantes e desanimadores. Diante de tal cenário, uma característica essencial para não se deixar abater e seguir em frente é a resiliência. No campo da física, esse termo é utilizado para calcular o quanto de energia pode ser absorvido por um material que ao sofrer um determinado impacto é capaz de se regenerar e voltar a sua forma original, mesmo depois de deformado. E justamente por conta disso a palavra resiliência foi apropriada por pesquisadores que passaram a se interessar em estudar pessoas que permaneciam saudáveis mesmo sendo expostas a severas adversidades.

Por outro, o termo resiliência pode ser entendida como a capacidade do indivíduo de “segurar as pontas” em situações de pressão e situações adversas (que pode ser de situação problemática mal definida ou de situação problema explícita onde se requer mudanças sistematicamente desejáveis e culturalmente viáveis com vistas para uma ação para melhorar a situação problema, usando suas habilidades para crescer e aprender com os desafios. A cadeia de abastecimento é composta por vários setores, representando um conjunto de processos necessários para obter materiais, agregar-lhes valor dentro da concepção dos seus clientes e disponibiliza-los onde e quando os clientes desejarem. Enfim, é um setor dinâmico, cheio de desafios e muito propenso a conflitos. Quem decide trabalhar nas áreas que envolvem o abastecimento e obter sucesso, precisam ser profissionais resilientes e não resistentes. Em períodos de crise, onde as empresas precisam ser rápidas para acompanhar as mudanças do mercado, é comum o profissional resistente atrapalhar o ritmo do processo, pois ele resiste em sair da zona de conforto, onde normalmente não existem riscos e ele não terá aborrecimentos. Diferente do profissional resiliente, que sempre é flexível e contribui com a empresa de forma positiva.

Cada vez mais as empresas de classe mundial direcionam seus esforços no sentido de usar velocidade e rapidez nas entregas como estratégias competitivas. A velocidade é o principal mandado da logística contemporânea, e seu objetivo consiste em executar as atividades essenciais mais rapidamente e com maior precisão. Com isso você já pode ter percebido que o foco principal da velocidade é aumentar o giro de estoques, uma vez que existe uma relação direta entre a estrutura da cadeia logística e a redução do tempo de entrega.

Não existe receita mágica no mundo dos negócios e, diante desse cenário, é mandatório e imperativo oferecer aos clientes a maior flexibilidade possível dos processos logísticos para atender suas necessidades (prazos de entrega reduzidos, competividade nos preços através da racionalização dos custos de produção, disponibilidade de estoque, etc.). Flexibilidade e resiliência é tudo, pois processos rígidos não respondem a mudanças constantes que nosso país necessita e vive. A flexibilidade e resiliência logística fará a diferença entre o sucesso e o fracasso.

O maior caos que temos no Brasil é logística atual, em detrimento da nossa crítica infraestrutura (malha logística) precisamos criar alternativas estratégicas, pois, sempre somos “incentivados” a identificar soluções alternativas nas mais conturbadas situações possíveis, já que não dispomos de infra-estrutura operacional adequada (espaço físico, docas, equipamentos de movimentação, etc.). Não somente a Logística, mas sim todas as áreas das corporações tem que se lançar em projetos de readequação de demanda e certamente ter a flexibilidade em se ajustar num cenário aparentemente “pós-recessivo”, há indícios de que a economia esteja tendo uma leve retomada, sendo assim necessitará novamente de flexibilidade nas readequações das demandas. Uma logística flexível, certamente encontrará o estado da arte e o caminho das soluções para crise, tonando-se uma logística resiliente.

Paradoxalmente, com o fim da greve dos caminhoneiros que fazem parte da logística das empresas brasileiras, o fato é que: O problema não é o posto. É o imposto. Quase 50% do preço da gasolina é imposto. Mas você sabia que existem diferentes impostos para cada Estado? E 27 leis que geram cargas tributárias diferentes? Isso traz complexidade e custos enormes para o país. Cria uma concorrência desleal, estimula a sonegação, a adulteração e inibe os investimentos em logística e infraestrutura no Brasil. É preciso simplificar, modernizar, uniformizar e flexibilizar o sistema como um todo.

O principal tributo estadual é o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). O transportador também paga esse tipo de imposto, que tem alíquota variável de estado para estado. A base do cálculo como referência é o valor da nota fiscal, porém é um tributo não cumulativo, sendo repassado para o consumidor. As divergências no preço final da gasolina são explicadas principalmente pelos tributos, no caso do ICMS, são 27 leis diferentes, uma para cada estado. Por exemplo, no Rio de Janeiro, o preço final é R$ 4,694, sendo 49% (R$ 2,286) tributos, enquanto em São Paulo, o preço é R$ 3.988, sendo 42% (1,685) tributos. Fonte: Plural energias que se conectam. (somosplural.com.br).

Enfim, com tudo isso, a Logística também é uma derivação da álgebra e da lógica matemática e faz parte do dia a dia das pessoas e de um bom funcionamento das empresas, quando as mesmas tomam decisões simples, tais como: abastecer com álcool ou gasolina; ir de trem, ônibus ou metrô; fazer compras mensais no supermercado ou semanais. Enfim, a boa logística melhora a condição de vida das pessoas, do seu trabalho e das empresas.

A uma logística resiliente à crise pode-se utilizar-se de alguns recursos como a criatividade e inovação, buscando maneiras não convencionais e nunca antes imaginadas para ultrapassar o atual cenário de crise. Torna-se imprescindível atribuir grande valor a logística, justamente pela vantagem competitiva sobretudo em um ambiente mercadológico de incertezas. Considerando que a base de tudo é a ciência da Administração e sua essência é gerar recursos (humanos, materiais e financeiros), certamente quem não se adequar de forma rápida e estratégica estará comprometendo sua permanência no mercado. Além, da parte técnica a situação exige integração econômica. A maximização da utilização, sempre atenderá o interesse organizacional. Como dizia Albert Einstein, não se pode solucionar um problema no mesmo nível em que ele foi apresentado. Afinal, a sua logística é flexível e resiliente? Resistência atrapalha, mas flexibilidade e resiliência sempre traz bons resultados.

Adm. Gilvam Vieira da Silva – Registrado no Conselho Regional de Administração de João Pessoa – Paraíba (CRA –PB) sob o número 1- 5243. Especialista em Metodologia do Ensino Superior, + de 20 anos de experiência como Pesquisador acadêmico em Logística e Supply Chain Management ([email protected])

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