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Uma tarde de terror no bairro do Barreiro, em Belém. Homens encapuzados invadiram o campo da Eletronorte e atiraram em cinco pessoas, três morreram e dois estão internados no Pronto-Socorro da 14 de Março. O motivo da execução pode ter sido o tráfico de drogas na área.

Eram 16h dessa sexta-feira, 21, além dos vinte e dois jogadores que estavam jogando, outros rapazes observavam a partida na beira do campo ou sentados na pequena arquibancada de madeira. No campo da Eletronorte a quantidade de lixo é grande e para entrar no local é preciso desviar dos dejetos e pisar exatamente em um caminho de areia que dá acesso ao local.

A tarde estava ensolarada e tudo corria tranquilamente no campo de areia, até que cerca de cinco homens chegaram encapuzados no local em um Siena preto e dois em uma moto azul.Com armamentos pesados, como escopetas e pistolas eles efetuaram vários disparos. Cinco pessoas foram atingidas. Dois indivíduos conhecidos como “Xuleta” e “Cabeção” foram baleados na perna e foram levados para o Pronto-Socorro da 14 de Março.

Edivaldo Santos Sacramenta, o “Mamut”, também foi levado para o PSM, mas não resistiu e morreu na sala de cirurgia. Adílio Ferreira Botelho, “Pacote” foi socorrido por familiares, mas já chegou morto no Pronto-Socorro. Constatada a morte dele, seus familiares levaram o corpo para o Centro de Perícias “Renato Chaves”. Em frente ao campo, mas na passagem Mirandinha estava o corpo da outra vítima. Bruno Henrique Rodrigues, “Bob Esponja”, 21 anos, que foi assassinado com vários tiros na cabeça, peito e braços.

Após o crime, várias viaturas da polícia militar e Rotam foram descoladas para o bairro para dar apoio no caso. Ao observarem o local do crime ainda era possível perceber as marcas de sangue espalhadas pela arquibancada e pelo chão, no campo.

Os PMS encontraram vários objetos espalhados pelo chão, dentre fotos de várias pessoas, bolsas femininas e um papel com a seguinte frase: “100% liberdade para ladrão”.

“A gente acredita que esse crime deva ter sido motivado por briga de facções criminosas”, disse o cabo Waldemar, da Polícia Militar.

Próximo à arquibancada, onde duas vítimas foram atingidas, havia um banco coberto por vários galhos de árvores, que era utilizado pelos integrantes de uma organização criminosa.

Segundo informações da polícia, era lá que eles se reuniam para usar as drogas e planejar assaltos, daí a origem de vários objetos encontrados no local.

Pai da vítima pede rigor no combate ao tráfico

Em frente ao campo havia muitas pessoas que procuravam informações sobre o crime. Muitos estavam chocados com o que viram, mas preferiam nem tocar no assunto.

Ainda abalado e tentando conter as lágrimas, estava Jorge Garcia, 43 anos, pai de Bruno Henrique, “Bob Esponja”. Ele procurava entender o porquê da morte do filho. “Como aqui é uma área de risco, onde ocorrem muitos assaltos, eu acho que essas pessoas que fizeram isso quiseram se vingar de algo”, disse o condutor de máquinas da Marinha Mercante.

Jorge contou ainda que o filho dele era viciado em drogas e que, por várias vezes, alertou seu filho para os perigos do vício.

“Ele era viciado, mas achava que qualquer momento conseguiria parar de usar drogas. Eu até queria pedir para que a polícia combatesse de forma mais intensa o tráfico de drogas, mas agindo diretamente contra os responsáveis pela venda delas”, disse o pai de Bruno.

O caso segue em investigação e, até o momento, nenhum dos atiradores foram localizados.

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