Brejo Grande – PA – A primeira etapa das buscas na região do Araguaia terminou nesta terça-feira, 18, sem a descoberta de nenhuma das ossadas de guerrilheiros desaparecidos na selva amazônica há quase 40 anos.

O governo já gastara R$ 1,1 milhão com os trabalhos da comissão mista de civis e militares responsável pelas buscas. Mais R$ 1 milhão deverá ser gasto até 31 de outubro, data prevista para o encerramento da procura.

Montada pelo Ministério da Defesa em obediência à sentença da Justiça Federal em Brasília, que determinou a entrega das ossadas às famílias, a comissão percorre o Araguaia (sudeste do Pará e norte do Tocantins) desde julho, inicialmente para levantamento de áreas. As escavações começaram na terça-feira passada.

A esperança de que seriam achados restos mortais de alguns dos cerca de 60 guerrilheiros desaparecidos foi minguando ao longo dos dias. Ontem, o coordenador logístico do GTT (Grupo de Trabalho Tocantins, nome oficial da comissão), general Mário Lúcio de Araújo, disse que sente um pouco de frustração com o fracasso inicial da expedição.

“Temos ainda esperanças de encontrar [ossadas]. Não muitas, mas alguma coisa vai aparecer. Não se trata de decepção, mas de frustração”, disse o oficial, referindo-se ao fato de não terem sido achados restos mortais nas localidades de Tabocão, Água Fria e na cidade de Marabá (500 km ao sul de Belém).

Um dos representantes do Ministério da Defesa na comissão, o coordenador de campo substituto Sávio Andrade disse não se sentir decepcionado porque “tinha ciência” de que haveria dificuldades na descoberta de ossadas. O motivo é a precariedade das informações obtidas especialmente com mateiros que guiavam os militares na caçada a guerrilheiros do então clandestino PC do B.

A quantia de R$ 1,1 milhão foi empregada no pagamento de diárias a civis e militares, aluguel de camionetes e carros, passagens aéreas, alimentação, combustível, hospedagem, manutenção de equipamentos e contratação de firma de serviços gerais (para abertura de valas onde poderiam estar ossadas, por exemplo).

As buscas serão retomadas na próxima semana e, com interrupções breves, continuarão até o final de outubro, quando começam as chuvas na região. Hoje, a comissão faz sessões internas e prepara relatórios. (Sérgio Torres – Folha Online)

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