Ataques, acusações mútuas, até ofensas no campo pessoal e poucas exposições de propostas. Esse foi o saldo do debate entre os dois candidatos ao governo estadual que a TV Anhanguera levou ao ar na noite desta terça-feira, 28, na última oportunidade que os postulantes tiveram de se colocar diante do eleitor com suas propostas para governar o Tocantins. A Rede Globo e suas afiliadas realizaram debates, simultaneamente, nos 26 estados e no Distrito Federal.

Conforme sorteio realizado pelo mediador do debate, jornalista da Rede Globo Sandro Dalpícolo, coube ao candidato da coligação Tocantins Levado a Sério, o ex-governador Siqueira Campos (PSDB), abrir a primeira rodada de perguntas, sobre o tema, também sorteado, governabilidade. Siqueira Campos foi direto ao assunto que predominou em sua participação ao longo do debate e, inclusive, já havia sido destaque na sabatina realizada pelo Jornal do Tocantins, no início de setembro: corrupção. O tucano questionou seu adversário, o candidato à reeleição Carlos Gaguim (PMDB), pela coligação Força do Povo, sobre como pretende administrar o dinheiro público.

Gaguim defendeu parceria com a sociedade, os partidos políticos, os quilombolas, a Assembleia Legislativa, enfim, “olhando para o bem do povo”. Para, em seguida, fazer referência às administrações de seu opositor, qualificando-as de atrasadas e de período de “caça às bruxas”. Siqueira, na réplica, defendeu que governabilidade é, sobretudo, transparência e honestidade. Estava aberta a sessão de trocas de acusações.

De um lado, Siqueira Campos defendendo suas realizações quando governou o Tocantins, por três vezes, e acusando o atual governador de enganar a opinião pública. De outro, Carlos Gaguim desfilando uma série de feitos de sua recente administração, contrapondo ao que chamou de falta de planejamento do ex-governador nos diversos setores públicos. “Ele nunca teve governabilidade. Sempre teve ditadura. No Tribunal de Contas, na Assembleia Legislativa”, disse Gaguim. “No passado ou no presente, temos de ter transparência, boa aplicação dos recursos”, ponderou Siqueira.

Oportunidade

A primeira oportunidade de discorrer sobre propostas de governo foi logo desperdiçada, quando o tema sorteado foi segurança pública. Com direito a fazer a pergunta, o peemedebista suscitou, ainda que indiretamente, o episódio da greve da Polícia Militar, durante o terceiro mandato do tucano, quando o Exército assumiu o comando no Estado a pedido do então governador. Siqueira Campos disse não ter nada a lamentar e fez menção à censura imposta pelo desembargador Liberato Póvoa, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), à imprensa do Tocantins, em liminar, atendendo pedido da coligação Força do Povo, na tentativa de impedir a veiculação de notícias sobre investigações do Ministério Público Estadual de São Paulo sobre um esquema de fraudes em licitações, com citações do nome do governador Gaguim em escutas telefônicas constantes no relatório oficial.

Gaguim respondeu com mais provocações, referindo-se a reportagens veiculadas na época dos mandatos de Siqueira, com acusações contra o então governador, e acusou o tucano de impor mordaça à imprensa. Disse ainda que foi contra a liminar e que defende a liberdade de imprensa. “Sou pela liberdade, a ditadura é do outro lado.” Na tréplica a que teve direito, Siqueira Campos acusou os últimos oito anos de governo, sob o comando de Marcelo Miranda (PMDB), candidato a senador pela coligação de Gaguim, de prática de atos ditatoriais. “No meu governo haverá transparência”, garantiu, desafiando seu opositor a apresentar documentos que comprovem “se foi colocada mordaça na imprensa e no Tribunal de Contas”.

No bloco seguinte, Carlos Gaguim voltou a questionar reportagens de dez anos atrás, que acusariam Siqueira Campos de desvio de recursos e superfaturamentos. O tucano ensaiou uma exposição de propostas, tentando ignorar os ataques, mas cedeu ao clima já instalado de troca de acusações e devolveu com ataques à atual gestão nas áreas de saúde e segurança pública. O governador, por sua vez, atribuiu ao seu adversário falta de planejamento e, mais uma vez, tentou elencar acusações que constariam em documentos que alegou estar proibido de mostrar diante das câmeras. Dalpícolo lembrou aos candidatos que havia um acordo de cavalheiros de que não seriam exibidos papéis em respeito ao telespectador, mas que não estava proibida a citação de reportagens e documentos.

Tensão

Siqueira Campos insistiu em questionamentos sobre corrupção, sempre enfatizando que deixou o Estado “pronto” para o desenvolvimento. “Vamos combater a corrupção sim. Estamos trabalhando para organizar o que você não fez em 20 anos”, disparou Gaguim. “Esse estado tem a infraestrutura construída no meu governo. Se alguém chega aqui agora e é o dono da verdade e das coisas, vive no mundo da lua”, rebateu Siqueira. O peemedebista replicou dizendo que o Estado foi construído com a ajuda dos servidores, deputados, senadores e o povo. “Vista as sandálias da humildade”, recomendou ao tucano.

Os dois candidatos ainda trocaram acusações ao responder sobre a polêmica dos preços dos combustíveis em Palmas, políticas para o meio ambiente e transparência. Nessa última questão, o debate ficou mais tenso, quando, pela primeira vez, o assunto das investigações do Ministério Público de São Paulo foi tratado mais explicitamente. Gaguim desafiou “qualquer cidadão” a provar que seu governo tenha pago algum centavo a alguma das empresas citadas nas reportagens que noticiaram as denúncias. E, ao citar o nome do empresário Maurício Manduca, um dos presos durante a investigação do MPE-SP, relacionou-o à família de seu adversário. “Eu sou bem casado, graças a Deus. O mesmo não posso falar de vossa excelência”, disse, para ressaltar que estava ali para falar de propostas.

Siqueira exigiu respeito à sua família. “A sua senhora, pelo que eu sei, é uma moça de bem, mas você não é uma pessoa que mereça respeito de ninguém”, disparou o ex-governador. Ambos os candidatos pediram direito de resposta e foram atendidos pela produção do programa. Após advertidos por Sandro Dalpícolo para que se ativessem às propostas e evitassem ataques pessoais, no minuto que cada qual teve direito a responder aos ataques sofridos, ambos trataram de se dirigir ao telespectador e defender propostas de governo, já no finalzinho do debate, que se encerrou com os candidatos pedindo votos em um minuto e meio cada. (Valéria Kurovski – Jornal do Tocantins)

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