Nos últimos três anos, 2007, 2008 e 2009, a leishmaniose visceral, doença conhecida como calazar, infectou 1.354 pessoas em todo o Estado, com uma média anual de 451,3 casos confirmados da doença por ano. Em 2007, foram 435 casos, em 2008, 492 e em 2009, 427. Os números são da última estratificação feita pelo Núcleo de Leishmanioses, da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau). Apesar da queda no número de casos de 2008 para 2009, o núcleo já registrou somente este ano, até outubro, 23 mortes por causa da doença. Ano passado, nesse mesmo período, foram 10 óbitos. Isso representa um aumento percentual na quantidade de mortos no período de 130%.

De 2007 a 2009, considerando a classificação epidemiológica, realizada pelo núcleo com base nos números dos 139 municípios, o Tocantins está 10.156,81% acima da média de 4,4, usada para apontar os municípios que estão no nível de transmissão intensa da doença. Neste nível, estão 12 municípios, entre eles Araguaína com a maior média (232,3), Araguatins, em segundo, com 39, e Palmas, em terceiro, com 31,3. Além deles, a lista segue com Paraíso (20), Porto Nacional (17), Tocantinópolis (10,3), Buriti (8,3), Ananás (7), Augustinópolis (5), Natividade (4,7), Pequizeiro (4,7) e Wanderlândia (4,7). Os doze representam 85,15% dos casos de leishmaniose visceral em todo Estado, ou seja, o número chega a 1.153 dos 1.354 registrados de 2007 a 2009.

Para eleger os municípios prioritários no combate à doença, o Núcleo de Leishmanioses, a partir da estratificação, classifica as cidades conforme o nível de transmissão. Além dos municípios classificados como de transmissão intensa, também são prioritários os de transmissão moderada, que possuem média igual a 2,4 ou menor que 4,4. Já a transmissão esporádica são os municípios com média menor que 2,4.

Doença

A leishmaniose é uma doença infecciosa grave, causada por um protozoário parasita, transmitida para cães e o homem, através da picada do flebótomo, conhecido como mosquito palha. A doença possui dois tipos: a tegumentar em que a pessoa contaminada apresenta lesões cutâneas, ou seja, feridas na pele justamente no local da picada; e a visceral que causa febre prolongada, emagrecimento, aumento do baço e do fígado, entre outros sintomas, e pode levar à morte.

Para a gerente de núcleo das leshmanioses, Carina Graser, o homem está invadindo o local que antes era local do vetor. “E a gente sabe que o vetor tem a capacidade de se adaptar muito bem ao ambiente que o homem modifica”, explica.

Segundo a gerente, o Norte do Estado é a região com maior incidência. “Ele faz divisa com dois estados que têm muitos problemas com leishmaniose visceral, Maranhão e Pará”, cita, acrescentando que Tocantinópolis está próximo de Porto Franco (MA), que é um município que tem a doença. “Outro município que tem o fluxo migratório muito grande é Imperatriz (MA). As pessoas migram muito de um lado para o outro.” No Pará, Carina Graser cita Conceição do Araguaia como um município prioritário para aquele Estado e que faz divisa com o Tocantins. “É uma doença que está muito ligada a fluxo migratório. As pessoas indo e vindo. E geralmente quando mudam, trazem o cão que é o reservatório da doença.”

Plano

Carina Graser explica que o Estado elabora todos os anos com os municípios prioritários um plano de trabalho. Nesse plano, de acordo com ela, são definidos os bairros que terão borrifação, período dessa ação, quantos homens são necessários para isso, se vai haver inquérito canino, quando vai começar e terminar e qual material necessário para isso. (Isabelle Bento – Jornal do Tocantins)

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