Em entrevista coletiva realizada neste sábado, 13, no Auditório da Secretaria de Segurança Pública, o secretário Aluísio Mendes apresentou informações a cerca das investigações que estão sendo feitas pela Polícia Civil sobre a rebelião ocorrida no último dia 8 de novembro, no prédio Anexo do Presídio São Luis, localizado no Complexo de Pedrinhas. O gestor da Segurança do Maranhão também falou da situação dos índios Guajajaras da Reserva Canabrava em Barra do Corda.

Aluísio Mendes destacou que desde o fim das negociações e já garantida à pacificação interna no Complexo de Pedrinhas, o 12º Distrito Policial e a Delegacia de Homicídios iniciaram uma ampla investigação no intuito de identificar responsáveis e participantes da ação e elucidar as circunstâncias que levaram a tal ação criminosa. Por determinação da Justiça, o inquérito policial prossegue em sigilo absoluto.

“Nas investigações estão sendo apurados os nomes dos possíveis envolvidos e os responsáveis pelas ações que culminaram nas mortes dos internos e ainda quem motivou o motim”, disse Aluísio.

Como resultado inicial dos trabalhos, a polícia efetuou a prisão de Jorge Henrique Rabelo Pereira, de 48 anos, detido temporariamente por envolvimento na rebelião. Jorge Rabelo é agente administrativo há mais de 10 anos e estava trabalhando atualmente no Sistema Prisional do Estado.

Ele é apontado como o responsável por fornecer os dois revólveres usados durante a rebelião aos internos do presídio. Segundo indícios testemunhais e documentais, Jorge Rabelo entregou as armas em troca de R$ 1 mil cada e um celular por R$ 300,00. “Todos os envolvidos, assim que forem identificados, serão imediatamente responsabilizados”, acrescentou Aluísio.

Ainda segundo o secretário, uma das medidas emergenciais adotadas pelo Sistema Prisional do Maranhão em convênio com o Departamento Nacional Penitenciário (Depen), é transferir imediatamente para um presídio federal todo e qualquer detento que praticar algum ato de violência dentro de um estabelecimento prisional no estado.

De acordo com o juiz José Ribamar Goulart Heluy Júnior, do regime de plantão criminal, que determinou a prisão do agente administrativo, “dificilmente teria ocorrido à rebelião se o agente não tivesse, em troca de dinheiro, fornecido as armas que ceifaram a vida de dezoito internos”.

Segurança na Rodovia

Ainda durante a coletiva, a cúpula do Sistema de Segurança falou sobre a operação conjunta entre as polícias Federal, Rodoviária Federal, Civil e Militar que resultou, na manhã da última sexta-feira, 12,, por volta das 10h, no fim da manifestação criminosa promovida por índios que interditavam a BR-226, nas proximidades do município de Barra do Corda.

De acordo com o superintendente de Polícia Civil do Interior, Jair Lima de Paiva Júnior, o plano foi traçado a partir de um sobrevôo feito na tarde da última quinta-feira, onde se percebeu a dimensão do engarrafamento e a aglomeração exaltada dos índios.

A partir disso, já na manhã da sexta-feira, 12, o superintendente Jair Lima de Paiva juntamente com a delegada Bernadete Teodoro (ex-delegada regional de Barra do Corda) e mais dois agentes federais, foram ao encontro dos indígenas na barreira montada, a fim de realizar uma negociação amigável, enquanto toda a tropa policial aguardava recuada.

No acordo, que segundo informações policiais durou cerca de 50 minutos, ficou acertado que os índios liberariam o tráfico na rodovia, além de devolver a motocicleta do delegado e a promessa de não voltarem a bloquear a BR. Em contrapartida, as instituições de segurança asseguravam a autorização, já na próxima semana, de abertura de uma mesa de negociações entre os índios e representantes da Procuradoria da República no estado, Funai e Ministério Público.

Equipes do Sistema de Segurança e da Polícia Rodoviária Federal permanecem com o patrulhamento na Rodovia. Homens da Força Nacional também já foram deslocados à região para reforçar a segurança. “A polícia permanecerá no local enquanto for necessário. A operação só vai terminar quando todos os envolvidos forem presos”, afirmou o secretario de Segurança. Existem mais de 50 mandados de prisão a serem cumpridos contra índios e brancos envolvidos na manifestação.

Participaram também da coletiva o delegado geral da Polícia Civil, Nordman Ribeiro; os superintendentes de Investigações Criminais, Affonso Júnior; de Polícia Civil da Capital, Sebastião Uchoa; de Polícia Civil do Interior, Jair Lima de Paiva Júnior e a delegada do 12º DP, Regina de França Barros.

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