A 40 dias da data da posse como governador do Estado do Tocantins, Siqueira Campos (PSDB) ainda não deu pistas sobre como pretende formar o quadro de auxiliadores do Governo. Neste cenário ainda pautado por uma incógnita quanto a formação do próximo governo, com as conversações sendo mantidas longe do público, os partidos optam por cautela ao comentar o tema. Embora Siqueira tenha dito diversas vezes na campanha, nos programas eleitorais na TV e em entrevistas que “ninguém sabe o que o calado quer”, na prática, nenhuma das 12 siglas da coligação Tocantins Levado a Sério (PRB, PTB, PTN, PSC, PR, DEM, PRTB, PMN, PTC, PV, PSDB, PT do B), arrisca dizer que pretende batalhar por ao menos uma indicação para a lista dos novos secretários.

Desde que foi eleito Siqueira deu pouquíssimas entrevistas. Na primeira delas, em coletiva realizada em 5 de outubro, quando perguntando pelo JTo sobre secretariado disse que não tinha compromissos com partidos. “Eu não tenho nenhum compromisso! Eu vou escolher dentro dos partidos e extrapartidos”. A declaração causou agitação entre as agremiações aliadas. Desde então, pouco se ouviu do eleito sobre a formação dos auxiliares. E após as poucas especulações veiculadas na imprensa, o tucano divulgou nota “desautorizando” qualquer aliado a tecer comentários sobre as articulações. Apenas o coordenador da transição, Eduardo Siqueira Campos (PSDB), adiantou que os nomes serão divulgados após o dia 15 de dezembro.

Nos bastidores, o que se sabe é que os partidos estão em plena articulação por espaço no próximo governo, embora os representantes das siglas neguem a “campanha” por cargos. O JTo falou com oito das doze agremiações e o que ouviu de todas é quase um coro, já que os representantes das siglas dão a mesma declaração: a de que estão à espera da convocação do governador eleito e, se convocados, estarão prontos a contribuir com o governo tucano no Tocantins.

Majoritária

Segundo maior partido no Tocantins com 20,2 mil filiados (só perde para o PMDB que tem 31,7 mil) o DEM esteve na chapa majoritária com João Oliveira – presidente regional do partido – como o candidato a vice-governador ao lado de Siqueira. Mesmo agora, na condição de vice eleito, João Oliveira disse não saber detalhes sobre o secretariado. “Nós acreditamos que Siqueira vai chamar os companheiros e nós, partidos, vamos chamar o grupo e ver como é que pode organizar, colocar algumas indicações. Mas não temos este compromisso”, considerou.

As duas vagas de senador foram preenchidas por membros do PR: Vicentinho Alves e João Ribeiro. Este, na condição de presidente regional do partido, disse que ainda não conversou como governador eleito sobre secretariado e que a agremiação “não vai pedir nada”. “Eu acho que o Siqueira tem liberdade para montar o Governo da melhor maneira que ele achar, com técnicos e lideranças de todos os partidos que compõem a base”. Ainda sobre a participação no Governo, João Ribeiro acenou para um possível interesse: “Se você me perguntar ‘O PR tem nomes?’ Eu digo, tem, o PR tem muitos nomes!”.

Outros partidos

Deputado estadual reeleito e presidente regional do PTB, José Geraldo disse: “Vamos esperar nos convidarem a respeito desse assunto. Temos certeza que o governador vai fazer o que for melhor para o Tocantins”. Filho do senador João Ribeiro, João Ribeiro Filho (conhecido como JR) é o presidente regional do PRTB e disse que o partido ainda não conversou sobre cargos. “O PRTB segue a linha do PR. Não foi acertado nada, como não foi com nenhum partido”, afirmou.

Segundo o presidente regional do PMN, Nuir Junior, o partido não tomará iniciativa e assim, fica à espera. “Entendemos que momento oportuno tanto o senador Eduardo quanto o governador Siqueira Campos vão chamar a gente pra definir essas questões. A gente não vai reivindicar secretaria A ou B. No momento oportuno, eles vão chamar a gente e se a gente for chamada vamos atender e participar do governo sim!”, disse.

Na presidência regional do PRB, Vanderlei Lacerda também frisou que o momento é de espera. “O que nós precisamos é esperar para ver se existe essa possibilidade do partido ser contemplado, quais são os critérios que serão usados para isso. Não sei se o PRB vai ter cargos, mas uma coisa é certa: nós, enquanto partidos precisamos apoiar o Governo ainda que não seja contemplado”, acrescentou.

No PTC, embora o presidente Wesley Rodrigues da Silva tenha dito que “o momento agora é o de aguardar”, ele também afirmou: “Estamos preparados para qualquer convocação do governador, a manifestação dele”. Perguntado se o partido tem preferência por secretarias, disse: “Eu acredito que todos os partidos tenham, mas nós não vamos dizer. É o governador que vai decidir isso”.

Expectativa

Dos oito presidentes de partidos que o JTo apurou a situação em torno das articulações para o próximo secretariado, o único que assumiu com todas as letras a expectativa quanto a participação do partido é Tasso Antônio, do PT do B. “Não conversamos sobre divisão de administração. Mas acredito que todos os partidos que ajudaram a vencer esperam ajudar a administrar. Nós temos expectativa de ajudar as ideias pregadas em prática”, disse. “Não vamos pedir nada, chegar e apontar uma coisa específica, não vamos fazer, mas esperamos que o partido ajude”, acrescentou.

O JTo ligou no sábado, 20 e também na sexta-feira, 19, para os celulares dos presidentes regionais do PSDB (Ernani Siqueira), PV (Marcelo Lelis), PSC (Pastor Amarildo) e PTN (Junior Luiz), mas não conseguiu contato porque as ligações caíram direto na caixa de mensagem. (Cléo Oliveira – Jornal do Tocantins)

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