Cerca de 1.200 mil pacientes aguardam por um transplante de medula óssea (TMO) no Brasil. Visando a redução desta lista de espera e com o objetivo de minimizar o sofrimento de quem aguarda por um TMO, o Hospital Ophir Loyola (HOL) promove nova campanha para o cadastro de doadores voluntários de medula óssea nesta segunda-feira, 13, das 08 às 17h, com uma unidade da Fundação Hemopa em frente ao hospital.

Em 2010, o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea – Redome atingiu a meta de um milhão de inscritos. A hematologista do HOL, Alessandra Bentes, afirma que apesar do número, as chances de obter um doador aparentado ficam apenas entre 25% e 35%. E para encontrar um doador não aparentado a dificuldade é maior. No Estado é de uma em 10 mil, e de uma em 100 mil em todo país. Nos bancos internacionais, a probabilidade de encontrar um doador compatível é ainda bem menor, sendo de uma em um milhão.

Somente no Pará, mais de 150 pacientes contam com a esperança de encontrar um doador compatível. “Em torno de 70% dos pacientes que têm necessidade de fazer um TMO, não conseguem um doador na família. Campanhas como as realizadas pelo Ophir Loyola são de extrema importância, pois aumentam as chances de quem precisa do procedimento para sobreviver e diminui a espera por um transplante”, garante a hematologista.

A grande miscigenação da população brasileira é um fator que aumente a dificuldade para se achar um doador não aparentado. Até momento, apenas dois paraenses puderam doar: o motorista Marcelo Silva e a médica Tháis Braga Silva. Mais 15 candidatos à doação de medula óssea, porém, podem efetivar o transplante a qualquer momento. Os dados são do Instituto Nacional do Câncer (INCA), que fica no Rio de Janeiro, e ao qual está vinculado o Redome.

Aproximadamente 200 pessoas se inscreveram no Redome, durante a primeira campanha realizada pelo HOL em 27 de setembro deste ano, data em que se comemorou o Dia Nacional de Doação de Órgãos. A ação foi um sucesso e superou a meta de cadastros. A estimativa desta nova campanha é conseguir novos 150 doadores voluntários de medula óssea.

O Ophir Loyola promove ainda no dia da campanha, a palestra “Doação e Transplante de Medula Óssea” ministrada pela oncopediatra do hospital Alayde Vieira (oncopediatra/HOL), que acontece às 14h, no auditório Luís Geolás do HOL. A médica irá orientar as pessoas sobre como é feita a doação de medula óssea. Na ocasião, também estarão presentes familiares de pacientes que aguardam por um TMO.

O HOL é o único hospital autorizado pelo Ministério da Saúde a realizar na região Norte do Brasil, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), transplantes de rim e córnea e promover a captação de múltiplos órgãos. A instituição também estará credenciada a fazer em breve transplantes de medula óssea e fígado.

Em 1999, o hospital fez o primeiro transplante de rim. Desde então, já foram realizados mais de 320 procedimentos cirúrgicos deste tipo. Já os transplantes de córnea são realizados desde 2008 no HOL, com mais de 106 pessoas atendidas.

Transplante

O TMO é indicado para pacientes com leucemia, aplasia de medula óssea, uma doença rara que causa disfunção na produção de células sangüíneas, e alguns casos de linfoma e mieloma múltiplo, um câncer que se desenvolve na medula óssea.

Alessandra Bentes explica que os pacientes vão receber células tronco doadas, cuja retirada pode ser feita de três formas. Os métodos utilizados são as coletas feitas por meio da medula óssea ou de sangue umbilical e placentário. O outro meio é a coleta de células progenitoras hematopoéticas (CPH) do sangue periférico do doador.

A retirada do liquido dos ossos da bacia é a mais comum e feita em centro cirúrgico, com anestesia. Fazem-se múltiplas punções com agulhas nos ossos e se aspira 10% da medula.

“O material coletado passa pelo exame de histocompatibilidade (HLA), um teste de laboratório para identificar as características genéticas e saber se a pessoa cadastrada é compatível com o de alguém que precisa de transplante de medula óssea. Tendo a compatibilidade confirmada e doador feito exames complementares, o material é colocado em bolsas e injetado na veia do paciente”, esclarece a hematologista.

Doador

Thaís Braga Silva fez o cadastro para ser doadora de medula óssea em 2006, quando ainda trabalhava como médica do trabalho na Albrás. Dois anos depois, recebeu um contato do Redome informando que haviam encontrado um receptor compatível e confirmou a sua disponibilidade para fazer a doação.

“Após cinco meses, confirmaram a realização do procedimento cirúrgico e viajei para o Inca no Rio de Janeiro, tudo custeado pelo governo federal. Passei por uma bateria de exames no instituto que deram positivos e assinei um termo me comprometendo a fazer a doação.”, explica a médica.

Passada duas semanas, Thaís Silva retornou ao Rio de Janeiro na companhia do marido e passou pela cirurgia para a retirada de medula óssea do osso da bacia. “O procedimento é bastante seguro e feito com muito cuidado. Passei sete dias na cidade me recuperando. Quando retornei para Belém fiz um novo hemograma (exame de sangue) e estava tudo normal comigo”, garante.

A médica incentiva as pessoas a serem também doadores voluntários de medula óssea, pois é muito gratificante saber que pode ajudar alguém a continuar vivendo. “A gratificação é ainda maior por saber que uma criança recebeu a minha medula óssea. Foi a melhor coisa que fiz na minha vida”, comemora.

Qualquer pessoa saudável com idade entre 18 e 55 anos é um doador em potencial. Basta ir à Fundação Hemopa e se cadastrar. Os doadores preenchem um formulário com dados pessoais e é coletada uma amostra de sangue com 5 ml para testes necessários e que vão indicar a compatibilidade entre o doador e o paciente.

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