Ex-ministra do governo Dilma Rousseff, a senadora Kátia Abreu (Sem partido-TO) se diz alvo de “truculência” do PMDB [atual MDB], partido do qual foi expulsa. Ela critica a gestão do presidente Michel Temer e diz que o Brasil vive uma “crise gigante gerida por nanicos”. Com mandato de senadora até início de 2023, Kátia pretende disputar o governo de Tocantins, mas não sabe por qual partido.

Ela defende a escolha de um perfil “mais pacifista” para presidir o país em 2018, apontando que o Brasil está dividido desde 2014. Sem um candidato favorito, a senadora diz “ter medo” dos exageros do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), que pretende disputar a presidência em 2018.

Folha – Como recebeu a notícia da expulsão do PMDB [atual MDB]?
Kátia Abreu – Era esperado porque o PMDB [atual MDB] está num ritmo de truculência e de mudança de comportamento jamais visto no partido. A minha opinião era divergente, apenas isso. Tem determinados tipos de canalhas que além de serem covardes são machistas. O que eu fiz que Requião não tenha feito?

Ainda tem uma foto de Dilma no gabinete da senhora
Ela ainda é presidente, só quando tiver novas eleições que eu tiro.

Como está a relação com ela?
Eu gosto muito dela. Uma amizade que nós desenvolvemos e que com o impeachment nada mudou.

A senhora vai disputar o governo de Tocantins?
Eu sou pré-candidata.

A senhora se vê em que palanque ano que vem?
Não gosto de trabalhar sob hipótese. Tanto que não quero nem escolher partido agora.

Alguma coisa de que se arrepende na trajetória política?
Poderíamos ser mais produtivos. De 1988 para cá a gente veio apagando incêndio. Morreu o presidente, o Sarney entrou. Teve um papel importante que foi garantir a democracia. Veio Collor e aconteceu o que aconteceu, Itamar tinha planejamento? Não. Foi uma luta árdua para o Plano Real. Passou Sarney, Itamar. Veio Fernando Henrique dar a nossa estabilidade. Ai veio Lula para melhorar questão da pobreza, mudou muito o país. Vem Dilma, dá uma ampliada e tenta melhorar parte da logística. Todos tiveram seu mérito, mas ninguém teve planejamento.

A senhora não citou nada positivo de Michel Temer.
Estamos vivendo uma crise gigante gerida por nanicos. Estou muito preocupada. Eu não vejo governo.

O que vai ser mais importante nesse atual cenário político?
Caráter, cuidado e coragem. Em determinadas áreas, o Estado tem a sua obrigação constitucional como na segurança pública e na saúde. A população está em pânico. Por que que a gente observa uma ascendência do Bolsonaro? Bolsonaro praticamente virou um símbolo do sentimento brasileiro. Ele se demonstra uma pessoa valente diante da corrupção. Isso pode crescer se não tiver um outro símbolo que possa capturar uma coisa mais equilibrada e mais pacifista. Tenho muito medo.

Quando fala em figura mais pacifista, a quem se refere?
O Alckmin [Geraldo Alckmin, governador de SP] e o Álvaro Dias [senador pelo Podemos-PR].

Como vai disputar eleições sendo alvo de acusações da Odebrecht?
Se eu devesse alguma coisa eu jamais seria candidata. Eu não tenho nada com corrupção, eu não tenho nada com esse assunto. Veio uma história de que iriam arquivar tudo que era caixa dois. Eu não assino. Não aceito. Eu tenho 20 anos de vida pública e foi a primeira vez que eu fui acusada de receber R$ 500 mil. Eu não pratiquei caixa dois

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