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Pará

Instalação de Belo Monte altera rotina de moradores de Altamira

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Em menos de um ano, o município de Altamira teve sua rotina mudada com a instalação do canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Se, por um lado, o comércio teve muito a comemorar, por outro, o inchaço populacional deixou evidente a falta de planejamento para esse crescimento.

“Aumentar meu lucro em 80% é ótimo, mas o aluguel ter aumentado de R$ 400 para R$ 1,5 mil é péssimo”, resume Darlene Peres Monteiro, de 28 anos, dona de uma lanchonete na cidade. Na opinião do gari Adir Ribeiro dos Santos, de 42 anos, Altamira ficou mais suja. “A sujeira da cidade aumentou em mais de 80%. Agora, tenho de fazer o mesmo trajeto de limpeza três vezes por dia para deixar as ruas do jeito que ficavam antes”, avalia.

“Infelizmente as pessoas que vieram de fora costumam sujar a cidade mais do que os antigos moradores”, disse o gari ao apontar em direção à Rua 1° de Janeiro. “É lá onde fica um dos refeitórios dos trabalhadores que estão na cidade. Eles saem de lá e jogam os pratos e copos descartáveis no chão”, lamenta Adir.

Gari Adir Ribeiro dos Santos, de 42 anos

O gari pensa em aproveitar o boomde Belo Monte para conseguir um emprego melhor. Já fez, inclusive, um curso de pedreiro no centro de capacitação do Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM), na busca por uma vaga na obra.

A Norte Energia, empresa responsável pela construção e operação da usina, diz que, para aliviar os problemas de sujeira na cidade, repassou três caminhões coletores de lixo, além de um trator e uma pá mecânica para a prefeitura. Está também prevista a construção de um aterro sanitário na cidade, que ainda está na fase de projeto.

Apesar de a sujeira nas ruas dar muito trabalho ao gari, são os problemas de trânsito os que mais o afligem. “Em menos de seis meses, dois colegas meus, que também trabalham na limpeza, foram atropelados. Antes o trânsito era mais solto. Agora não tem mais espaço, e os carros ficam a toda hora tirando fino da gente e desrespeitando a sinalização”.

Altamira tem novas placas e sinais de trânsito, instalados pela Norte Energia. De acordo com a empresa, foram colocadas 5 mil placas, para sinalização de trânsito e das ruas, além de 138 semáforos e R$1,8 milhões gastos com veículos para ajudar nos serviços públicos do município.

“Eles colocaram muitos sinais, mas os carros sempre estão desobedecendo as regras e furam sinal a toda hora. É por isso que digo: não adiante ter sinal se as pessoas não sabem usá-lo”, argumenta Adir.

Comerciante Jaciléia Xavier de Melo, de 31 anos

Os bancos também são problema. “As filas sempre atravessam quarteirão porque a população aumentou e atendimento não”, critica Adir. “Os bancos daqui já eram uma tragédia. Agora são um inferno”, corrobora a comerciante Jaciléia Xavier de Melo, de 31 anos.

A situação poderá ficar ainda mais crítica quando os salários dos operários passarem a ser creditados nessas instituições financeiras. Mas isso, de acordo com a Norte Energia, poderá ser amenizado caso a empresa consiga instalar agências bancárias nos canteiros de obra. Isso depende, ainda, de autorização do Banco Central.

“A energia da cidade também piorou. Toda semana falta energia em diversos pontos. Já a água, que era uma negação, conseguiu ficar ainda pior”,acrescentou Jaciléia. A água é um dos principais problemas de Altamira, segundo o diretor de Enfermagem do Hospital Santo Agostinho, Renato da Silva. Ele explica que não há tratamento de água na cidade como um todo, o que torna “muito comum”, a ocorrência de infecções intestinais.

Jaciléia aponta algumas vantagens trazidas pela obra. “Além da sinalização da cidade, melhoraram as escolas, depois que a empresa [Norte Energia] ampliou o número de salas, montou a sala de informática e ampliou os livros da biblioteca [no Colégio Antônio Godin Lins]. Isso deixou minha filha mais motivada para ir à escola, melhorando em vários aspectos seu rendimento”.

Apenas para atender ao Projeto Básico Ambiental, a Norte Energia diz já ter investido R$ 175 milhões em ações de saúde, educação, segurança, saneamento e infraestrutura em todos municípios localizados na área de influência da usina.

Tendo como base dados da saúde e da limpeza de Altamira, o secretário de Planejamento do município, Carlos Bórtolli, disse  que a população cresceu de 99 mil habitantes, em 2010, para algo entre 143 mil e 148 mil habitantes em 2012.

Ele argumenta que todos os problemas apontados pela população têm a mesma origem. “Faltaram medidas adequadas para o boom populacional disparado por Belo Monte. Isso deveria ter sido mais bem planejado por parte do Estado e da Norte Energia. Tão bem ou melhor do que o projeto e a engenharia dedicados à usina”.

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Pará

Fundador do Grupo Frango Americano, Yasuhide Watanabe, morre aos 71 anos

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Faleceu na tarde desta quarta-feira, 26, vítima de câncer, aos 71 anos, Yasuhide Watanabe, fundador do Frango Americano, com sede localizada na cidade de Santa Izabel, considerado o maior grupo empresarial do setor avícola do Norte do Brasil, com unidades instaladas nos Estados do Tocantins, Piauí e Maranhão. Watanabe que completaria aniversário em março deste ano, lutava contra a doença e não resistiu aos efeitos provocados. Há 40 anos comandava o Grupo Americano que mantém operações de incubação, criação e abate de aves. 

O empresário de descedência japonesa faleceu em um hospital no município de Castanhal, nordeste paraense, após passar mal na residência. Recentemente esteve em tratamento na cidade de São Paulo. Yasuhide Watanabe era pai do atual prefeito da cidade de Santa Izabel, Evandro Watanabe. E é na cidade izabelense que fica situada a base operacional do Grupo Americano, atualmente com cerca de 4 mil empregados diretos e indiretos.

Watanabe chegou ao Pará ainda criança, e acabou por se fixar na cidade de Santa Izabel, onde trabalhou inicialmente como agricultor, taxista até iniciar a trajetória de empresário. 

Nota de pesar:

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Pará

Pará anuncia medidas para população afetada por interdição de ponte

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O ferry boat está garantindo o transporte gratuito de pessoas e veículos

O governo do Pará e a prefeitura de Belém anunciaram uma série de medidas para minimizar e reparar os prejuízos e os transtornos que a interdição da ponte Enéas Martins causou à população da Ilha do Outeiro, um distrito da capital paraense.

Na última segunda-feira (17), os órgãos de segurança interromperam o trânsito de veículos e de pedestres, bem como a navegação de embarcações próxima ao local, logo após serem alertados de que um pedaço da ponte tinha se desprendido sobre o Rio Maguari e uma rachadura se abriu ao longo da via.

Segundo o governo estadual, testemunhas afirmam ter visto uma balsa se chocar contra o pilar central da ponte. Após a interdição, técnicos que vistoriaram a estrutura constataram danos em dois dos pilares de sustentação. A Polícia Civil, no entanto, não descarta a hipótese de os problemas terem sido causados por uma sucessão de colisões.

“Estamos fazendo perícias e, em breve, vamos divulgar a dinâmica: se foi uma embarcação que provocou a queda ou [se foram] sucessivos choques, de diversas embarcações”, disse o delegado Daniel Castro a jornalistas, ontem (23).

Na mesma coletiva de imprensa, o secretário estadual de Transportes, Adler Silveira, anunciou que o governo estadual vai construir uma nova ponte para interligar os distritos de Outeiro e Icoaraci

A nova ponte, de 360 metros de comprimento, utilizará o sistema de cabos-estais, ganhando uma espécie de mastro central onde serão afixados os cabos de aço que sustentarão seu peso. Segundo o governo estadual, a solução permitirá a ampliação do vão de navegação dos atuais 60 metros para 100 metros, aumentando a segurança da navegação. Os pilares remanescentes e todo o resto da estrutura deverão ser integralmente restaurados.

Segundo o secretário estadual de Transportes, as obras começarão imediatamente e devem ser concluídas em até sete meses. A rapidez deve-se ao fato de que o governo estadual será dispensado de selecionar a empresa responsável por meio de licitação pública, conforme destacaram os representante do Ministério Público de Contas do estado, Patrick Bezerra, e do Tribunal de Contas estadual, Marcelo Aranha.

“Necessário frisar que todas as informações das obras devem ser disponibilizadas para análise do Tribunal de Contas para que colaboremos com os órgãos de controle”, disse Aranha. “Na medida em que a fiscalização avançar, encaminharemos as conclusões à Setran para as medidas cabíveis.”

Para permitir que as milhares de pessoas que vivem na Ilha do Outeiro acessem a área continental e que turistas atraídos pela orla urbanizada da ilha façam o caminho inverso, o governo estadual disponibilizou barcos e balsas que estão fazendo a travessia ininterrupta de veículos e pedestres. Nas lanchas rápidas que transportam passageiros entre a ilha e o Trapiche de Icoaraci, a travessia dura cinco minutos. Já nos ferry-boats destinados a transportar veículos entre o porto da Brasília, em Outeiro, e o Terminal Hidroviário de Belém, a viagem pode durar cerca de 1 hora.

Prefeitura

A prefeitura de Belém também anunciou, ontem, medidas emergenciais e assistenciais que contemplam os moradores de Outeiro afetados pela interdição da ponte. Uma das medidas busca ampliar o número de beneficiários do programa Bora Belém entre as famílias residentes no distrito que vivem em extrema pobreza. Executado em conjunto com o governo estadual, o programa repassa de R$ 150 a R$ 450 mensais a cada família, conforme o número de filhos.

Outra medida contemplará, por pelo menos seis meses, os donos e os funcionários das barracas de praia, que receberão uma ajuda de R$ 500, e os trabalhadores autônomos e informais cadastrados pela prefeitura, que receberão R$ 300. No total, a prefeitura prevê um investimento da ordem de R$ 1 milhão para auxiliar os profissionais ligados ao atendimento turístico.

Segundo o prefeito Edmilson Rodrigues, o Banco do Povo de Belém também vai abrir uma linha de crédito solidário de R$ 1 milhão para emprestar aos pequenos empreendedores do distrito recursos para a manutenção de capital de giro e para cobrir custos fixos.

Além disso, a prefeitura promete outros investimentos em saúde e em ações sociais. “Apresentamos um conjunto de ações imediatas como o reforço das Unidades de Saúde, o aumento de funcionários, garantia de uma ambulancha [ambulância náutica], intensificação da vacinação e a instalação da Unidade Fluvial de Saúde, inaugurada recentemente para atender a população”, afirmou Rodrigues. (Alex Rodrigues)

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Pará

MARABÁ: Nível do Rio Tocantins começam a recuar

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Na manhã desta segunda-feira (24), o nível do rio Tocantins amanheceu em 11 metros e 95 centímetros acima do normal, um recuou de 1 m e 14 cm nos últimos 5 dias. Muitas ruas, principalmente nos bairros da Marabá Pioneira, já não estão mais alagadas, porém a Defesa Civil alerta para o perigo de um retorno sem orientação técnica.

De acordo com a Defesa Civil é aguardado ainda um repique, subida no nível do rio, pois ainda não passou o período de cheias e a orientação é que as famílias permaneçam nos abrigos ou em casa de familiares ou amigos e que a ajuda para as famílias continuam acontecendo normalmente. Atualmente são 21 abrigos oficiais e 20 caminhões para o transporte das pessoas, bem como seis embarcações para uso das famílias ilhadas.

Na última quarta-feira (18), o nível do rio atingiu a marca de 13 metros e 09 cm metros atingindo 4.424 famílias, sendo que 789 estão nos abrigos públicos e as demais desalojadas ou ilhadas. As famílias ribeirinhas também estão recebendo apoio por parte da Defesa Civil com distribuição de cestas básicas e outros serviços.

A Defesa Civil está conta com apoio do Exército, por meio da 23ª Brigada de Infantaria de Selva, Marinha do Brasil e Corpo de Bombeiros, além da Defesa Civil Estadual. A Prefeitura de Marabá mobilizou mais de 200 servidores para ajudar no atendimento às famílias. (Victor Haôr / Fotos: Paulo Sérgio)

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