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Pará

Acidente na Alça Viária deixa pelo menos nove mortos

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Acidente no quilômetro 18 da Alça Viária, envolvendo um micro-ônibus e uma carreta, deixou 9 mortos e pelo menos 14 feridos na tarde desa terça-feira, 24. O coletivo transportava pessoas do município de Tailândia que vieram se consultar em Belém. O caminhão transportava bobinas de madeira contendo cabos utilizados em linhões de eletricidade. Segundo relato de um passageiro sobrevivente, o motorista do micro-ônibus dirigia de forma imprudente e em alta velocidade, apesar da chuva. E, após ultrapassagem, no mínimo infeliz, teria provocado a tragédia.

Os cidadãos de Tailândia retornavam ao município depois de terem saído de madrugada de suas casas para diversas consultas na capital. Não se sabe o destino do motorista da carreta, que morreu na hora, mas ele vinha no sentido Acará-Marituba. A parte do micro-ônibus atingida foi a do lado direito, a mesma onde há a porta de embarque e desembarque. Já a cabine da carreta foi atingida de forma frontal. As enormes bobinas de madeira soltaram-se da carroceria da carreta, correndo para a estrada. Algumas delas esmagaram alguns passageiros.

O motorista do micro-ônibus ficou sujo, mas aparentemente não se machucou muito, assim como as pessoas que vinham encostadas na janela oposta. A primeira viatura dos bombeiros chegou 10 minutos após o acidente, vinda do município de Marituba, e encontrou no local muitos gritos – de mulheres, crianças e adultos -, muita dor, a parte direita do ônibus bastante avariada e a cabine do caminhão, completamente destruída.

Até o fechamento dessa edição, 14 pessoas haviam dado entrada no Hospital Metropolitano, segundo sua assessoria de comunicação. Dos pacientes, quatro eram crianças.

Os adultos são, segundo informações da Agência Pará, Carlos Otávio Tavares da Silva, que obteve alta, Ismael Gonçalves Pereira, Eva dos Santos Bento, Antonia Braz Santiago, Daniel Barbosa Barbalho, Danila Mendonça Barbalho, Erismar de Souza Chaves, Francisco de Assis Araújo da Silva, Eliane Slongo, Antonia Linhares, criança de 8 anos, criança de 11 anos, criança de 3 anos, desconhecida, ainda não identificada, criança de 11 anos (morreu), Eunice Tavares da Silva (morreu). Desses, três estão em estado grave. Sete morreram no local do acidente.

À frente do resgate esteve a capitã Adriana, do Corpo de Bombeiros. “É uma área distante de todas as áreas onde temos base. Mas, mesmo assim, acreditamos que chegamos rapidamente, apesar de que a pista ficou completamente obstruída. Todos os pacientes, com escoriações leves ou graves, foram socorridos”, avaliou. O tenente Dantas, da Polícia Rodoviária Federal, conduziu o motorista sobrevivente até a Seccional de Marituba, para prestar esclarecimentos.Ele não quis dar declarações.

Lamúrias e perplexidade

Dona Simone do Socorro estava convalescendo na cama, um pouco febril. Estava chovendo muito. De repente um barulho que lembrava trovão a assustou. “Eu vim do meu quarto pensando que aquilo mais parecia batida de carro, e quando abri a janela, vi muitos corpos jogados e ouvi muitos gritos”, relatou ela que, mora em uma casa localizada em barranco bem em frente ao local do acidente, e, assim teve uma vista “privilegiada” da tragédia.

Moisés da Cruz, 27 anos, é portador de deficiência cognitiva. Ele esperava a chuva passar em um abrigo, sentado à cadeira, como sempre costuma fazer, para tentar quebrar o tédio, vendo carros indo e vindo. De repente, ele viu o micro-ônibus vindo para cima do caminhão, a pouco mais de cinco metros de onde estava. O choque. Os gritos. Uma criança voou pela janela. Ele acudiu. A criança não entendia nada do que estava acontecendo, e depois, não se sabe de que jeito, foi informada que o pai que a levava para o hospital morreu.

Enquanto as outras pessoas eram resgatadas, muita gente gritava, os corpos dos mortos eram amontoados no abrigo onde Moisés estava e a criança não chorava, não falava. Ela então, aparentemente não muito machucada, ou sem ânimo para dizer onde doía, foi colocada no banco da frente de um carro dos bombeiros. Ela foi a que mais atraiu pesar e gestos de solidariedade de motoristas e passageiros que davam vida a três quilômetros de engarrafamento.

Dentro do carro onde o menino estava, era socorrido o pedreiro Manoel Raimundo, 36 anos, que saiu de casa feliz porque finalmente havia chegado o dia da cirurgia da córnea que não o deixava trabalhar direito. A cirurgia seria no Centro de Oftalmologia de Belém. Seria, porque, ele que foi preparado pra ficar internado, teve que voltar na condução, pois a cirurgia havia sido adiada. “Na ida, minha mulher veio na janela, e eu no corredor. Quando foi na volta, eu falei ‘amor, minha vez’. Ela veio então no corredor. E ela só morreu por causa disso”, lamentou o pedreiro, que sentou na terceira poltrona da esquerda do veículo.

Ela era Raimunda Brilhante da Silva, 44 anos. Ela, que deixou três filhos, vinha comentando com ele que o motorista vinha bastante nervoso, porque havia brigado com os passageiros. Segundo o sobrevivente, o condutor se irritou porque a consulta de algumas pessoas demorou muito. Por isso ele teria vindo correndo muito, fazendo ultrapassagens perigosas, até que, tragicamente, teve que parar.

Acidente parou estrada

“Eu acho que foi um acidente”, “eu não sei o que tem pra lá”, “ih, se tem imprensa deve ter sido grave”, comentavam as pessoas que tiveram que conviver com o engarrafamento provocado pela tragédia. Num local onde o celular não tem sinal, as informações, como na forma mais rudimentar, iam passando de boca em boca, confusas, exageradas, imprecisas. Mas o clima pedia respeito, e sem buzinaços, todos resignaram-se, nos dois sentidos da Alça, a esperar o cessar do vai-vem de ambulâncias, viaturas, e etc.

“Eu, vez ou outra venho pra Belém pela Alça. Mas eu confesso que tenho medo”, admitiu o açougueiro Sandoval Peres, 53 anos, conformado no lugar dele, num micro-ônibus semelhante ao que colidiu, mas com destino à Vila dos Cabanos. (Diário do Pará)

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Pará

Itupiranga estreia com vitória no Parazão 2022 e Águia empata com Tuna

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A bola rolou no Campeonato Paraense 2022 que nesta edição terá três representantes da região de Carajás: Águia de Marabá, Independente de Tucuruí e Itupiranga.

O Itupiranga abriu a competição, goleando o Caeté de virada por 4 a 1, no Estádio Navegantão, em Tucuruí. Com o resultado, o Crocodilo já assume bem a ponta do Grupo B, que tem Bragantino-PA, Tapajós e Tuna Luso.

No primeiro tempo, o Caeté abriu o placar após falha do goleiro Evandro Gigante. Junior chutou de fora da área, o goleiro rebateu pra frente e Jean apareceu sozinho para concluir. O empate veio com João Vitor, que recebeu passe, avançou e bateu na saída do goleiro Deco Jr.

A virada aconteceu ainda na etapa inicial. A bola ficou perdida na grande área do Caeté e Rodrigo chegou de trás finalizando no canto direito. Jogadores do time bragantino reclamaram de irregularidades no lance.

No segundo tempo, após cobrança de escanteio curta, João Paulo cruzou e Moisés cabeceou para o fundo da rede. Minutos depois, falta é cobrada na área, fica perdida e sobra para Moisés, novamente, fazer o quarto do Itupiranga.

Em Parauapebas

Apesar de ter o mando de campo, o Águia teve de jogar fora de Marabá, por conta das cheias dos Rios Tocantins e Itacaiúnas, que invadiram o estádio Zinho Oliveira. A partida contra a Tuna Luso foi realizada em Parauapebas e as duas equipes ficaram no 1 a 1.

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Pará

Pará anuncia medidas para população afetada por interdição de ponte

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O ferry boat está garantindo o transporte gratuito de pessoas e veículos

O governo do Pará e a prefeitura de Belém anunciaram uma série de medidas para minimizar e reparar os prejuízos e os transtornos que a interdição da ponte Enéas Martins causou à população da Ilha do Outeiro, um distrito da capital paraense.

Na última segunda-feira (17), os órgãos de segurança interromperam o trânsito de veículos e de pedestres, bem como a navegação de embarcações próxima ao local, logo após serem alertados de que um pedaço da ponte tinha se desprendido sobre o Rio Maguari e uma rachadura se abriu ao longo da via.

Segundo o governo estadual, testemunhas afirmam ter visto uma balsa se chocar contra o pilar central da ponte. Após a interdição, técnicos que vistoriaram a estrutura constataram danos em dois dos pilares de sustentação. A Polícia Civil, no entanto, não descarta a hipótese de os problemas terem sido causados por uma sucessão de colisões.

“Estamos fazendo perícias e, em breve, vamos divulgar a dinâmica: se foi uma embarcação que provocou a queda ou [se foram] sucessivos choques, de diversas embarcações”, disse o delegado Daniel Castro a jornalistas, ontem (23).

Na mesma coletiva de imprensa, o secretário estadual de Transportes, Adler Silveira, anunciou que o governo estadual vai construir uma nova ponte para interligar os distritos de Outeiro e Icoaraci

A nova ponte, de 360 metros de comprimento, utilizará o sistema de cabos-estais, ganhando uma espécie de mastro central onde serão afixados os cabos de aço que sustentarão seu peso. Segundo o governo estadual, a solução permitirá a ampliação do vão de navegação dos atuais 60 metros para 100 metros, aumentando a segurança da navegação. Os pilares remanescentes e todo o resto da estrutura deverão ser integralmente restaurados.

Segundo o secretário estadual de Transportes, as obras começarão imediatamente e devem ser concluídas em até sete meses. A rapidez deve-se ao fato de que o governo estadual será dispensado de selecionar a empresa responsável por meio de licitação pública, conforme destacaram os representante do Ministério Público de Contas do estado, Patrick Bezerra, e do Tribunal de Contas estadual, Marcelo Aranha.

“Necessário frisar que todas as informações das obras devem ser disponibilizadas para análise do Tribunal de Contas para que colaboremos com os órgãos de controle”, disse Aranha. “Na medida em que a fiscalização avançar, encaminharemos as conclusões à Setran para as medidas cabíveis.”

Para permitir que as milhares de pessoas que vivem na Ilha do Outeiro acessem a área continental e que turistas atraídos pela orla urbanizada da ilha façam o caminho inverso, o governo estadual disponibilizou barcos e balsas que estão fazendo a travessia ininterrupta de veículos e pedestres. Nas lanchas rápidas que transportam passageiros entre a ilha e o Trapiche de Icoaraci, a travessia dura cinco minutos. Já nos ferry-boats destinados a transportar veículos entre o porto da Brasília, em Outeiro, e o Terminal Hidroviário de Belém, a viagem pode durar cerca de 1 hora.

Prefeitura

A prefeitura de Belém também anunciou, ontem, medidas emergenciais e assistenciais que contemplam os moradores de Outeiro afetados pela interdição da ponte. Uma das medidas busca ampliar o número de beneficiários do programa Bora Belém entre as famílias residentes no distrito que vivem em extrema pobreza. Executado em conjunto com o governo estadual, o programa repassa de R$ 150 a R$ 450 mensais a cada família, conforme o número de filhos.

Outra medida contemplará, por pelo menos seis meses, os donos e os funcionários das barracas de praia, que receberão uma ajuda de R$ 500, e os trabalhadores autônomos e informais cadastrados pela prefeitura, que receberão R$ 300. No total, a prefeitura prevê um investimento da ordem de R$ 1 milhão para auxiliar os profissionais ligados ao atendimento turístico.

Segundo o prefeito Edmilson Rodrigues, o Banco do Povo de Belém também vai abrir uma linha de crédito solidário de R$ 1 milhão para emprestar aos pequenos empreendedores do distrito recursos para a manutenção de capital de giro e para cobrir custos fixos.

Além disso, a prefeitura promete outros investimentos em saúde e em ações sociais. “Apresentamos um conjunto de ações imediatas como o reforço das Unidades de Saúde, o aumento de funcionários, garantia de uma ambulancha [ambulância náutica], intensificação da vacinação e a instalação da Unidade Fluvial de Saúde, inaugurada recentemente para atender a população”, afirmou Rodrigues. (Alex Rodrigues)

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Pará

MARABÁ: Nível do Rio Tocantins começam a recuar

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Na manhã desta segunda-feira (24), o nível do rio Tocantins amanheceu em 11 metros e 95 centímetros acima do normal, um recuou de 1 m e 14 cm nos últimos 5 dias. Muitas ruas, principalmente nos bairros da Marabá Pioneira, já não estão mais alagadas, porém a Defesa Civil alerta para o perigo de um retorno sem orientação técnica.

De acordo com a Defesa Civil é aguardado ainda um repique, subida no nível do rio, pois ainda não passou o período de cheias e a orientação é que as famílias permaneçam nos abrigos ou em casa de familiares ou amigos e que a ajuda para as famílias continuam acontecendo normalmente. Atualmente são 21 abrigos oficiais e 20 caminhões para o transporte das pessoas, bem como seis embarcações para uso das famílias ilhadas.

Na última quarta-feira (18), o nível do rio atingiu a marca de 13 metros e 09 cm metros atingindo 4.424 famílias, sendo que 789 estão nos abrigos públicos e as demais desalojadas ou ilhadas. As famílias ribeirinhas também estão recebendo apoio por parte da Defesa Civil com distribuição de cestas básicas e outros serviços.

A Defesa Civil está conta com apoio do Exército, por meio da 23ª Brigada de Infantaria de Selva, Marinha do Brasil e Corpo de Bombeiros, além da Defesa Civil Estadual. A Prefeitura de Marabá mobilizou mais de 200 servidores para ajudar no atendimento às famílias. (Victor Haôr / Fotos: Paulo Sérgio)

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