Com equipe multiprofissional composta por peritos médico legista e odontolegista, agentes de necrotomia, agentes de polícia e administrativos, o Instituto Médico Legal (IML) realiza um importante trabalho em corpos em situação que necessitem de identificação. É um trabalho feito em conjunto e realizado mediante um dos métodos científicos primários de identificação (datiloscópica, odontolegal e DNA) e os métodos secundários (fraturas, cirurgias prévias, próteses, exames de vestes e pertences, tatuagens, cicatrizes entre outros) podem ser associados, colaborando com os métodos primários.

Esse tipo de trabalho é fator importante na elucidação de crimes, como no caso do corpo de Gesivaldo Fernandes de Sousa, encontrado no dia 22 de janeiro de 2019 no município de Angico, no Bico do Papagaio, em avançado estado de putrefação tendo o IML não reconhecido a identidade do cadáver e a causa da morte.

Segundo o delegado Rodrigo Saud, conforme apurado, dois homens, no dia 19 de janeiro, motivados por ciúmes em relação a um relacionamento antigo da vítima, mediante um disparo de arma de fogo, teriam matado o homem. “Face ao relato de testemunha que indicou que Gesivaldo havia sido vítima de um homicídio, a Polícia Civil representou pela exumação do corpo encontrado, até então sem identificação”, ressaltou. Ainda conforme o delegado, foi representada a prisão de preventiva de C.S.F. e N. A. F. Ambos fugiram de Angico.

Após investigações, apenas foi possível localizar C.S.F. na cidade de João Lisboa-MA, tendo policiais civis da Polícia Civil de Ananás o cumprido em 02 de agosto de 2019. Já o segundo e principal suspeito, provavelmente estaria escondido em cidades maranhenses. Ele também possui outro mandado de prisão em aberto expedido pela Justiça do Maranhão em razão de um homicídio qualificado.

Ainda de acordo com a diretora do IML, nos dois casos, como se tratavam de ossadas, os únicos métodos de identificação possíveis seriam através da Odontologia Legal, pela análise do crânio e arcadas dentárias, ou pelo exame comparativo genético. “A Perícia foi realizada mediante uma análise comparativa entre os prontuários clínicos Odontológicos e fotografias realizadas em vida dos supostos com os dados obtidos após realização dos exames das ossadas”, afirmou Georgiana Ramos.

Durante a análise dos exames do caso de Angico, o exame da ossada puderam-se determinar os pontos de coincidências e não houve nenhuma discrepância ou exclusão, o que tornou possível positivar a identidade algumas horas após a obtenção da documentação odontológica, sem a necessidade da realização do exame genético. Por isso, o IML ressalta a importância do registro, manutenção e arquivo de prontuários pelos profissionais da saúde da rede pública e privada, os quais sem esses torna difícil ou às vezes inviável a identificação por esse método. (Com informações de Wherbert Araújo)

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