Com o objetivo de definir uma proposta para regulamentar o tratamento de adolescentes com dependência química em comunidades terapêuticas está sendo realizado em Campinas, São Paulo, um workshop sobre o tema que está reunindo representantes de instituições que compõem a Confederação Brasileira de Comunidades Terapêuticas (CONFENACT). Ricardo Ribeirinha, diretor da Recriar Vida Consultoria e Gestão foi convidado para o evento, como forma de evidenciar um exemplo exitoso de recuperação na Fazenda da Esperança.

A CONFENACT é composta por comunidades terapêuticas espalhadas pelo Brasil e reunidas em sete federações. Segundo o presidente da entidade, Adalberto Calmon, o evento busca definir um programa de acolhimento do adolescente em comunidades terapêuticas. O documento a ser definido será apresentado ao Governo Federal, por meio da Secretaria Nacional de Defesa da Criança e do Adolescente e do Conselho Nacional da área. “Infelizmente não temos aparelhos púbicos que tenham condições de cuidar desses jovens e quem faz isso são as comunidades terapêuticas; a regulamentação visa acabar com o sofrimento dessas entidades. Há lugares que o poder público apoia e até leva jovens para as CTS, mas em outros esse trabalho não é aceito“, destacou.

EXEMPLO DE SUPERAÇÃO

 “Tive o prazer de conhecer a história do Ricardo Ribeirinha. Ele é um exemplo de superação. Precisaríamos ter muitos outros ‘ricardos’ pelo Brasil”, disse a psicóloga Maria de Fátima Rato Pandin, considerada uma das maiores especialistas no setor. Diretora Clínica da Clínica de Reabilitação e Tratamento da Dependência Química “Alamedas”, em São Paulo, ela defende outras ações antes da decisão de internação de um jovem, por isso, destacou que iniciativas como a Recriar Vida são fundamentais porque a prevenção pode reduzir o problema e evitar que muitos adolescentes cheguem ao ponto de necessitar de uma internação para se recuperar da dependência química.

Maria de Fátima Rato Pandin, foi responsável pela maior pesquisa já realizada no mundo sobre dependência química em parceira com a instituição Amor Exigente, que contou com a participação de mais de 3 mil famílias. A pesquisa apontou que cerca de 80% das pessoas que estão em tratamento de dependência vem de uma família onde existe apenas a mulher e que uma mãe leva, em média, três anos para buscar ajuda depois que descobre a dependência química do filho. Quando há a presença do pai isso ocorre em menos tempo. “Uma andorinha só não faz verão, por isso o pai, mesmo separado da mulher, tem que participar do processo de recuperação do dependente; quanto mais cedo, melhor”, destacou.  

Maria de Fátima Rato Pandin é psicóloga, Doutora em Ciências pelo Departamento de Psiquiatria da UNIFESP(2014), com especialização em Dependência Química pela UNIFESP-EPM(2002). Ela atua como Psicoterapeuta Cognitivo Comportamental. Na área de treinamento, coordena o módulo de Dependência Química do Curso de Especialização de Saúde Mental da Infância e Adolescência do Departamento de Psiquiatria Infantil da UNIFESP e o Curso de Especialização de Dependência Química da UNIFESP no Instituto Bairral de Psiquiatria. É Pesquisadora do INPAD (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas do Álcool e outras Drogas) e integrante da Equipe de Projeto do Instituto Nacional de Pesquisa em Álcool e outras Drogas – Programa INCT do CNPQ.

- Publicidade -

FAÇA UM COMENTÁRIO

Atenção: Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do Jornal. Se achar algo que viole ou fira sua honra pessoal, envie para o email: [email protected] que iremos analisar.