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Bastidores

Insegurança alimentar aumentou durante a pandemia

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Durante a pandemia do coronavírus, a situação de insegurança alimentar se agravou no Brasil. Segundo a pesquisa “Impactos Primários e Secundários da Covid-19 em Crianças e Adolescentes”, elaborada em duas rodadas pelo UNICEF e pelo Ibope Inteligência, a porcentagem de respondentes que declararam que deixaram de comer aumentou significativamente. Em julho de 2020, 6% dos entrevistados afirmaram que, desde o início da pandemia, deixaram de fazer uma refeição porque a comida acabou e não havia dinheiro para comprar mais, o correspondente a nove milhões de brasileiros. Já em novembro, este número aumentou para 13% dos respondentes, representando 20,7 milhões de brasileiros. Desses, cerca de 5,5 milhões eram de lares com crianças e adolescentes.

“Esse aumento da insegurança alimentar está relacionado à combinação de recessão e estagnação econômica, deterioração do mercado de trabalho e o retrocesso nas políticas sociais no Brasil que ocorre desde 2015. Importante ressaltar que essa insegurança alimentar está relacionada também às questões de raça e gênero. Domicílios chefiados por mulheres ou por pessoas pretas e pardas são os que mais apresentam insegurança alimentar”, alerta Kelly Alves, nutricionista e membro do Núcleo Rio de Janeiro da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável.

Para ela, a Covid-19 apenas evidenciou uma realidade já vivida há tempos por muitos brasileiros. “A pandemia do novo coronavírus trouxe à tona a desigualdade social já existente no País e tem contribuído para piorar ainda mais as condições de vida das pessoas mais vulneráveis, entre elas os moradores das periferias das grandes cidades, como as favelas cariocas.”

Moradora do bairro Estácio, no Rio, Vanessa da Silva Lonziero Coelho, 41 anos, relata um pouco dessa insegurança vivida especialmente durante a pandemia. Atualmente desempregada e mãe de filhos gêmeos de três anos de idade, Vanessa conta que a alimentação não chegou a ser muito alterada em relação ao que era antes disso, mas que muitas vezes teve dificuldade em alimentar a família. 

“Normalmente, almoçamos e à noite fazemos um lanche. As crianças às vezes jantam e outras lancham. E nós ingerimos alimentos industrializados. Às vezes por comodidade, outras vezes por necessidade, por falta de tempo mesmo. Como meus filhos são gêmeos, a gente acaba tendo pouco tempo ou eles ficam muito agitados, aí optamos por comidas mais rápidas”, confessa. 

Esse é outro dado importante da pesquisa do UNICEF e do Ibope Inteligência. De acordo com o estudo, houve um aumento no consumo de alimentos industrializados durante a pandemia, variando de 23% em julho para 29% em novembro do ano passado. E esse aumento ficou ainda mais evidente em lares com crianças e adolescentes – 36%. 

“Essa mudança no hábito alimentar a gente já vinha percebendo, ela não é de agora. É uma mudança que, infelizmente, faz parte de uma epidemia global de aumento de peso e da obesidade por conta da alteração no consumo de alimentos. As pessoas estão migrando cada vez mais para alimentos ultraprocessados, com muito sal, gordura, açúcar, aditivos e pouquíssimo nutriente”, lamenta a chefe de Saúde do UNICEF no Brasil, Cristina Albuquerque. 

Na casa da Vanessa, o consumo de alimentos industrializados em substituição aos   alimentos naturais também é motivado pelo preço. “Temos acesso a feira, porém os alimentos naturais muitas vezes são mais caros. Antes, você fazia feira com R$ 50 e hoje com esse valor você não leva nada”, opina a dona de casa.  “Não tivemos problema para comer e pagar nossas contas devido à ajuda de familiares. Mas continuamos passando dificuldades, precisando de ajuda financeira”, completa Vanessa. 

Stephanie Amaral, nutricionista e oficial de Saúde do UNICEF no Brasil, explica esse fenômeno. “São alimentos cheio de aditivos, que viciam o nosso paladar e que são considerados gostosos. Tem todos esses fatores que são principalmente voltados para crianças e adolescentes.”

E ela alerta para outro fator. “As escolhas alimentares hoje não são livres de influência. Não é uma escolha somente daquele indivíduo. Elas são influenciadas pelo meio em que a gente vive e a indústria atua muito fortemente no marketing para crianças. Estamos em um mundo que chama o tempo inteiro para o consumo dealimentos industrializados”, pontua.

Orientações
No início da pandemia, a Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável, do RJ, disponibilizou uma cartilha com objetivo de divulgar informações sobre alimentação adequada e saudável e apoiar as pessoas a fazerem melhores escolhas durante a pandemia. Kelly Alves, membro da Aliança, afirma que, antes da cartilha, algumas informações que chegavam aos moradores do Rio, especialmente os que moram em favelas e bairros mais pobres, estavam fora da realidade. 

“Percebemos é que muitas orientações tinham uma abordagem com foco principalmente nos nutrientes dos alimentos, apresentando determinados alimentos fontes de certas vitaminas e minerais como se tivessem papel milagroso frente à doença. Essas orientações tinham também uma abordagem desconectada da crescente situação de insegurança alimentar e nutricional de grande parte da população brasileira, ou seja, pessoas que não possuem a garantia do acesso físico e financeiro aos alimentos adequados e saudáveis”, diz. 

No processo de elaboração da cartilha, a Aliança contou com a colaboração de membros que residem no complexo do Cantagalo/Pavão-Pavãozinho, Zona Sul do Rio. “Eles nos alertaram de que as orientações deveriam atender aos diferentes perfis de moradores das favelas: tanto aqueles que não tinham o acesso físico ou financeiro aos alimentos quanto os que ainda possuíam condições de comprar seus alimentos”, lembra. 

A linguagem do documento, segundo Kelly, é simples e objetiva e ajuda na escolha e no preparo dos alimentos. “Acrescentamos orientações sanitárias necessárias para prevenção da contaminação pelo coronavírus e dicas sobre as compras dos alimentos, visando contribuir para a melhor gestão do orçamento familiar. Afinal, o dinheiro está mais curto para muita gente. É preciso planejar melhor as compras para garantir o abastecimento de alimentos para a família.” (Brasil 61)

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Bastidores

Ex-senador João Rocha morre vítima de Covid

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Morreu nesta segunda, 26, vítima da Covid-19, o ex-senador pelo Tocantins, João da Rocha Ribeiro Dias. Ele tinha 80 anos. Ele estava intubado no Hospital das Clínicas da UFG, em Goiânia-GO, e não resistiu.

João Rocha foi uma das referências na luta pela criação do Tocantins e também foi ex-diretor do Grupo Jaime Câmara.

João Rocha era piauiense de Ribeiro Gonçalves-PI, mas cedo se mudou com a família para Cristalândia.


Ele estudou o primário e o ginásio em Porto Nacional, depois continuou os estudos em Goiânia, formando-se técnico em Contabilidade, onde também iniciou sua trajetória no grupo Jaime Câmara, começando como auxiliar de escritório. Formou-se em Direito, mas continuou no grupo Jaime Câmara, onde chegou a diretor financeiro por longos anos.

João Rocha exerceu um importante papel na luta pela criação do estado do Tocantins, usando seu prestígio não só no apoio à Constituinte de 88, como na formação da Comissão de Sistematização do Congresso Nacional, onde se discutia a criação do Tocantins que discutiu a criação do Estado.

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Bastidores

Bolsonaro não pede apoio de Kátia à Mendonça

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Segundo o colunista do site Metrópolis, Igor Gadelha, o presidente Jair Bolsonaro não pareceu muito empenhado em ajudar o seu mais recente escolhido para o Supremo Tribunal Federal (STF) a conseguir votos no Senado para aprovar a indicação.

No encontro com a senadora Kátia Abreu (PP) na semana passada, no Palácio do Planalto, Bolsonaro não teria sequer citado o nome de André Mendonça.

O diálogo teria se concentrado em outros assuntos, entre eles, a PEC do voto impresso, a saúde do presidente, as reformas, acordos comerciais e meio ambiente.

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Bastidores

Três inquéritos sigilosos no STJ miram gestão Helder no enfrentamento à Covid-19

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A revista Veja, trouxe este final de semana, matéria em que trata sobre três inquéritos sigilosos do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que miram a gestão do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB) no combate à Covid-19. Material está com a CPI da Pandemia.

Helder é suspeito de participar de um esquema criminoso instalado na administração pública para fraudar licitações e desviar recursos públicos da área de saúde. As apurações revelaram que Helder discutia com empresários assuntos relacionados a compras que seriam efetuadas depois pelo Estado. Um dos processos se debruça sobre contratos feitos entre o governo paraense e organizações sociais para a gestão de hospitais de campanha em Belém e municípios do interior. Os valores firmados ultrapassam a cifra de 1,2 bilhão de reais.

Esses contratos dos hospitais de campanha seriam loteados, direcionados, fraudados e superfaturados, segundo os investigadores. O Ministério Público Federal (MPF) encontrou indícios de organização criminosa, fraude à licitação, corrupção e lavagem de dinheiro em um esquema ilegal envolvendo empresários e pelo menos quatro secretarias estaduais, por meio da participação de agentes públicos. O material, de cerca de 280 mil páginas, foi compartilhado com a CPI da Pandemia.


Entre as irregularidades apontadas na gestão de hospitais estão sobrepreço de itens, ausência de parecer jurídico sobre os contratos, indícios de que propostas apresentadas por organizações diferentes eram idênticas e até mesmo subcontratação de serviços médicos por parte dessas entidades. “O descaso com a gestão do sistema de saúde fica evidente nas divulgações que relatam a precariedade das unidades de saúde e dos serviços prestados, a despeito dos repasses milionários de recursos públicos aqui expostos”, apontou o relator do caso no STJ, ministro Francisco Falcão.

Os procuradores também investigam compras efetuadas pelo governo do Pará, como a aquisição de 400 respiradores e 1,6 mil bombas de infusão. Barbalho participou diretamente das tratativas,
trocando mensagens com o empresário André Felipe Silva, que atuou como representante comercial da empresa de importação SKN. De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o negócio é fruto de relações pessoais.

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