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Pará

Milícias crescem no PA e disputam comando do narcotráfico

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Foi o som das sandálias se movimentando de forma repentina sobre o piso de cimento liso que chamou a atenção de Paulo. O movimento frenético dos pés em fuga, as cadeiras caindo, os saltos sem nenhum grito, nenhuma palavra, lhe deram a certeza de que algo grave ia acontecer.

Estivera a noite toda tão concentrado na sinuca que não percebeu os dois atiradores. Quando tirou os olhos do feltro verde puído, achou o homem com a escopeta calibre 12 em posição de tiro. Teve tempo de ver o primeiro tiro acertar um rapaz que fugia. Ouviu mais um, dois, três. “Eu me joguei debaixo da mesa de sinuca”, relembra Paulo (ele pediu para ter o nome real omitido), seis meses após aquela noite de janeiro.

A carga do primeiro tiro atingiu o braço. Tentou fingir-se de morto, mas mudou de ideia. Correu. “Quando pisei na calçada senti aquele tranco, parecia uma bomba, voei. Na queda quebrei o braço”. Imóvel, agora com um tiro nas costas e o rosto no chão, ouviu o homem se aproximar.

Fechou os olhos e esperou o impacto. O tiro falhou. Ouviu o engatilhar outra vez. A segunda munição tampouco disparou. Os homens, como vieram, se foram. Em silêncio.

Paulo teve sorte. Ficou 40 dias internado, passou por cirurgias, precisou retirar um pedaço da coxa para enxertar no braço parcialmente dilacerado. Há poucas sequelas.

Jamais foi ouvido pela polícia, e o ataque nunca foi investigado. Ainda assim, ele, seus colegas que estavam no bar, a polícia e qualquer pessoa que viva na extensa periferia da área metropolitana de Belém, sabe exatamente o que aconteceu naquela noite às margens do rio Tucunduba.

Paulo, como centenas de jovens paraenses, fora alvo de um típico ataque de milicianos que disputam o controle do tráfico de drogas com o Comando Vermelho nos bairros pobres da capital paraense. Tem sido assim nos últimos anos. Belém assiste ao crescimento de grupos de policiais, ex-policiais e agentes de segurança pública que se unem para cometer crimes e dominar regiões da capital paraense.

O avanço das milícias por aqui só tem paralelo no Rio. Em nenhum outro estado brasileiro organizações criminosas comandadas por policiais e ex-policiais estão tão organizadas, estruturadas e dominam áreas tão vastas. “Nos últimos anos, eles proliferaram com incrível rapidez e passaram a atuar de forma ativa no tráfico de drogas”, diz o promotor da Justiça Militar paraense Armando Brasil.

Segundo investigações da Polícia Civil e do Ministério Público do estado, os milicianos dominam o transporte alternativo em várias regiões, a venda de gás em diferentes favelas, a oferta de serviços de TV a cabo, a venda e transporte de produtos contrabandeados e serviços de segurança.

Além disso, controlam parcela considerável do tráfico de drogas local, rivalizando com as facções criminosas. “Aqui os policiais apreendem ou roubam drogas de grandes criminosos para distribuírem a uma rede de pequenos traficantes controlada por eles”, diz o chefe da Secretaria Adjunta de Inteligência e Análise Criminal, Carlos André Costa.

Não há consenso entre investigadores, autoridades e especialistas que estudam a violência sobre as razões que levaram o Pará, estado com características distintas do Rio, ser onde o modelo das milícias prosperou. Mas há pistas.

As polícias do Rio e daqui são as mais violentas do Brasil. No Rio, de acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), as forças de segurança do Estado deixaram um rastro de 8,9 mortos para cada grupo de 100 mil habitantes em 2018. Mataram 1.534 pessoas no ano passado. “Não há notícia em todo o mundo de uma polícia mais violenta que a do Rio de Janeiro, nem as forças de segurança da América Central matam tanto”, diz Samira Bueno, diretora-executiva do FBSP.

O Pará, quarto estado mais violento do país, segue o Rio de perto. Em 2018, as polícias do estado mataram mais de 600 pessoas —ou 7,2 para cada grupo de 100 mil habitantes. Em cinco anos, as mortes cometidas por policiais no Pará cresceram mais de 300%. No Rio, a expansão beira 200%. “Não é possível ser categórico, mas há indício de que uma polícia violenta seja a semente para as milícias”, diz Bruno Paes Manso, do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo.

Assim como mata, a polícia paraense é também uma das que mais morre. Só em 2018, 45 policiais perderam a vida, quase todos fora de serviço. O Pará sempre foi um estado violento, mas a chegada das milícias é um fenômeno novo. “Sempre houve esquadrões da morte com policiais, mas é só a partir de 2014 é que vamos ver esse tipo de organização envolvendo policiais e ex-policiais”, diz o geógrafo da Universidade Estadual do Pará Aiala Couto, que estuda o crescimento da violência em Belém.

A explicação para isso, afirma, pode ser o processo de profissionalização pelo qual passou o crime no estado, com a chegada de facções no final da década passada. Hoje, Belém pertence ao Comando Vermelho. O PCC foi expulso da capital paraense e controla o sul do estado.

“O CV, ao contrário do PCC, é mais belicoso, sempre teve atitude de enfrentamento contra a polícia, isso talvez tenha feito os policiais se unirem e, unidos, perceberam que podiam lucrar —além de fazer um combate direto— sem as fardas”, diz André Costa, secretário adjunto de inteligência.

Costa também vê a decisão do governo paraense de permitir aos PMs levar suas armas para casa como determinante para expandir as milícias. “A partir de 2013 eles ganham esse direito, em 2014 surge a primeira milícia, e em 2015 a coisa começa a se espalhar.”

Desde então, parte das chacinas que tornaram Belém uma das capitais mais violentas é cometida com armas exclusivas das forças de segurança, como as pistolas .40.

Foi assim em maio deste ano, quando 11 pessoas —nove delas sem passagens pela polícia— foram mortas em um bar no bairro do Guamá, área próxima ao centro de Belém e em constante disputa entre o tráfico e as milícias.

Após uma rápida investigação, a Polícia Civil chegou aos autores. A chacina fora encomendada e realizada por ao menos quatro PMs, que, como de costume, usaram suas armas de serviço no crime.
“Até a munição era da PM, os policiais estavam usando balas compradas para treinamento, com carga menor de pólvora, mas letais”, diz o promotor da Justiça Militar Armando Brasil.

Paulo jamais pensou na hipótese de uma munição com menos pólvora desviada do paiol da tropa de choque da PM paraense ter sido a causa do que ele chama de milagre. Atribui a sobrevida aos desígnios divinos. “Deus me deu outra chance e agora não me desviarei mais”, diz ele.

Em todo caso, decidiu não andar mais pelas ruas de paredes pichadas com a sigla do Comando Vermelho de seu bairro depois que a noite cai. “Os milicianos continuam por aqui.”

MORTE DE CABO DA PM DETONOU PROLIFERAÇÃO DAS MILÍCIAS

Maria Auxiliadora do Socorro, de 62 anos, ainda viu o neto ser abordado pelos homens vestidos de preto a bordo das motos que cortavam as vielas do bairro Terra Firme na noite do dia 4 de novembro de 2014.

Sentira algo e foi até a esquina onde o neto estava. Nervosa, abriu a Bíblia. Eclesiastes capítulo 8, versículo 10: “Assim também vi os ímpios, quando os sepultavam; e eles entravam, e saíam do lugar santo; e foram esquecidos na cidade, em que assim fizeram; também isso é vaidade”.

Ela diz que começou a ouvir os tiros antes de terminar a leitura. Foram seis. Um atingiu a mão de Eduardo, o neto de Maria. Os demais, a nuca. Eduardo, 17, foi a primeira das 13 vítimas da Chacina de Belém, marco no ciclo de violência que a cidade passaria a enfrentar. Ao longo daquela noite e da madrugada seguinte, motoqueiros encapuzados mataram jovens aleatoriamente nas periferias.

Horas antes, Antônio Figueiredo, o cabo Pety, fora assassinado em Guamá. Integrante da tropa de elite da PM paraense, Pety foi o primeiro militar a criar uma milícia com controle territorial em Belém. “Ele esteve duas vezes no Rio atuando junto à Força Nacional e essa passagem por lá o influenciou”, diz o promotor Armando Brasil. “Sua mulher pensa o mesmo, que após ele retornar tudo mudou.”

Pety foi morto pelo Comando Vermelho em uma disputa pelo controle dos bairros pobres de Belém, desencadeando a proliferação de milícias. “Ali é o início, e os governos do Pará foram omissos com a reação dos policiais e a expansão dessas organizações criminosas”, diz o deputado estadual Carlos Bordalo (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia. Bordalo foi relator da CPI que investigou a chacina.

O sargento Silvano Oliveira da Silva, vereador pelo PSD em Belém, era amigo do cabo Pety e serviu com ele na Força Nacional, no Rio. Admite que o amigo se envolveu em relações ilícitas, mas não que existam milícias em Belém.

“O que há é grupo de extermínio. Mas esse negócio de milícia é invenção do PT”. Silvano elegeu-se na esteira do discurso de endurecimento da polícia. “Tem que matar, o grupo de extermínio é a revolta do policial contra o sistema injusto. Após a morte do Pety, 12 bandidos foram mortos.”

Ele e o deputado federal Delegado Éder Mauro (PSD) são citados como incentivadores da violência policial no estado. Ambos já foram investigados e nunca foram indiciados pelo Ministério Público, que afirma jamais ter encontrado indícios de elo com milícias.

Para Maria Auxiliadora, a tragédia não acabou naquele novembro de 2014. Dois anos depois, outro neto foi atingido por um tiro em ação similar. Neste mês, ele passou por nova operação para reverter a colostomia feita após ser baleado. “Nunca investigaram nada, mas dizem que foi a milícia. Nem quero mais saber, quero que esse sobreviva.” (Yan Boechat/Folha de SP)

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Pará

Governo conclui os últimos quilômetros da construção e pavimentação da PA-252 importante via de acesso a região de Carajás

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Importante rota de escoamento da produção paraense, a PA-252, no nordeste estadual, será totalmente asfaltada. A obra está dividida em dois lotes. O primeiro, sai da Perna- Sul à Vila de Castanhandeua, no Acará, e está com mais de 70% dos serviços concluídos, como terraplanagem, sub-base, base e pavimento asfáltico. No segundo lote, que sai de Moju, o trabalho de terraplenagem está quase cem por cento concluído, assim com a base, sub-base a asfaltamento, que têm 80% prontos.

“A construção e pavimentação da rodovia PA-252 é mais uma das obras do Governo do Pará, que garantem infraestrutura de transportes e logística seguras para o Estado, e também geram emprego e renda para a comunidade local ”, destaca o titular da Secretaria de Estado de Transportes (Setran), Adler Silveira.

Atualmente as frentes de trabalho nos dois trechos em obra da PA-252 geram cerca de 400 empregos diretos.

A PA-252, é uma via alternativa para quem acessa as regiões sul e sudeste do Pará, e tem seu início no porto da cidade de Abaetetuba e chega à PA-483, a Alça Viária, no município do Acará. No percurso, ela intercepta as rodovias PA-151, PA-475, PA-140, PA-127, BR-010, PA-124 e a PA-108.

Nessa empreitada, dos 76 Km de extensão da PA-252, são asfaltados 63 Km de rodovia. Os 13 restantes já estão pavimentados, mas receberão reforço com nova camada de asfalto.

Além da Perna Leste, o Governo do Estado executa obras de reconstrução da PA-140 e há ainda a manutenção preventiva e rotineira da malha rodoviária do 7° Núcleo, que abrange as PA-125, PA-127, PA-140, PA-252, PA-256, PA-253, PA-451 e PA-466.

A Setran tem ainda em fase de licitação a construção e pavimentação de 150 Km da PA-256. O edital está disponível no Diário Oficial do Estado (DOE) e no site oficial da Setran. O serviço é um dos maiores investimentos na infraestrutura rodoviária do Estado, que também irá construir 18 pontes de concreto na via, garantindo o desenvolvimento através da malha rodoviária segura e integrada por todo o Pará. (Kátia Aguiar)

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Pará

Detran vai intensificar fiscalização durante o feriado de Finados no Pará

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O Departamento de Trânsito do Estado (Detran) vai reforçar a equipe de fiscalização durante o fim de semana prolongado do feriado do Dia de Finados. A ação inicia nesta quinta-feira (29) e segue até o dia 03 de novembro. Nesse período, a Operação Finados terá como foco a prevenção, educação, fiscalização de trânsito e tráfego. Além de intensificar o trabalho de prevenção a acidentes. Este ano a Operação Finados vai fiscalizar as restrições de circulação de veículos de carga nos horários de 7h às 10h e 17h às 21h, entre os KM 17 e 18 da-BR 316.

Além da BR, na saída de Belém, a operação também acontece nos municípios de Marituba (Alça Viária), Santa Bárbara (Mosqueiro), Altamira, Castanhal, Breves, Itaituba, Marabá, Paragominas, Santarém, Tucuruí, Conceição do Araguaia, Tome-Açú, Marapanim, São João do Araguaia, Brejo Grande do Araguaia, Palestina do Pará, Salinópolis, Bragança, Soure e Salvaterra. Ao todo, 219 agentes de fiscalização de trânsito atuarão nas estradas durante os seis dias da operação. A ação em Santa Bárbara e Benevides contará com equipes no posto de fiscalização na rodovia PA-391 em serviço de 24 horas. Já na Alça Viária a concentração será no posto de pesagem, no KM 14 da rodovia.

Nas vias de acesso aos municípios, além de coibir possíveis infrações, as equipes do Detran vão fiscalizar o consumo de bebida alcoólica de forma rotineira e por amostragem. “Nosso trabalho vai se concentrar na prevenção, de forma a manter a organização e fluidez do trânsito para garantir a segurança viária aos usuários da via, almejando o direito de ir e vir sem ocorrências de acidentes”, explica o diretor técnico-operacional do Detran, Bento Gouveia.

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Pará

MP Eleitoral pede à PF que investigue casos de violência contra candidatos Parauapebas, Dom Eliseu e Belém

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O Ministério Público Eleitoral enviou ofício à superintendência da Polícia Federal para que faça investigações preliminares sobre casos de violência contra candidatos nas eleições municipais no Pará.

O ofício cita o assassinato de um candidato a prefeito em Dom Eliseu, o atentado a tiros contra um candidato a prefeito em Parauapebas, ambos municípios no sudeste do estado. Cita também o alvejamento a tiros da casa de uma candidata a vice-prefeita na capital paraense.

O candidato a prefeito Adriano Souza Magalhães, do Solidariedade, foi assassinado a tiros quando jantava em um restaurante no centro de Dom Eliseu, no dia 7 de outubro.

No dia 15 de outubro, o candidato a prefeito de Parauapebas pelo PRTB, Júlio César, voltava de uma reunião na zona rural do município quando teve o carro abordado por um veículo com três homens encapuzados que atiraram e atingiram o político no peito. Ele sobreviveu.

Na madrugada do último dia 23, a casa de Patrícia Queiroz (PSC), candidata a vice-prefeita de Belém na chapa de José Priante (PMDB), também foi alvejada a tiros.

Os três casos são investigados pela Polícia Civil do Pará e até o momento nenhuma prisão foi efetuada. Os investigadores ainda não confirmaram se os atentados têm relação com as eleições de 2020.

O pedido do MP Eleitoral à PF é para que sejam feitas investigações preliminares no intuito de desvendar se há, de fato, relação dos casos de violência contra os candidatos e as disputas políticas municipais. E também para que acompanhe as investigações criminais realizadas pelas demais autoridades públicas.

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