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Maranhão

OPINIÃO: João Palmeira

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Que momento de reencontro sublime estive presenciando, em evento promovido pela Sociedade Maranhense de Direitos Humanos no dia 10 de Dezembro no Sindicato dos Bancário de São Luis, ao estar frente a frente com este homem, de cabelos grisalhos, terno e alegre, cheio de energia como um eterno jovem…PE. VICTOR ASSELIN, militante da causa do povo e da reforma agrária no campo brasileiro, foi presidente nacional da Comissão Pastoral da Terra – CPT, professor de Pe. JOSIMO um lutador da reforma agrária no Bico do Papagaio.

Fui convidado para este reencontro por um outro lutador (vivo) da causa camponesa MANOEL DA CONCEIÇÃO, liderança maranhense e brasileira perseguida e torturada nos porões da ditadura militar em cuja luta perdeu uma perna ( minha perna minha classe ) em defesa dos posseiros maranhenses e de suas terras e da construção da democracia brasileira e do PT. Uma personalidade humana que tenho grande estima e consideração, pois ao saber da reedição com lançamento do livro e conhecedor da historia de meu pai, JOÃO PALMEIRA SOBRINHO, sindicalista fundador do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Imperatriz, assassinado em 1975 à mando dos latifundiários e do sistema político ditatorial da época , me convidou para este REENCONTRO, digo isto, por ter passado boa parte de minha vida ( 27 anos ) convivido com a criatura “ O LIVRO – GRILAGEM…” , sem conhecer o criador, e finalmente o vejo diante de mim e ao seu lado, transbordando de imensa alegria de ter participado do relançamento de seu livro, juntamente na mesa de convidados composta por mim, Vila Nova ( ex-deputado estadual do PT , liderança camponesa e artista da terra …qual é o jeito Zé ?.. é lutar e botar pra quebrar.), Manoel da Conceição, jornalista Emilio Azevedo do jornal de São Luis VIAS DE FATO,  D, Nice liderança das quebradeiras de coco do Maranhão e lógico o nosso anfitrião Pe. Victor Asselin, que para os demais presentes na plenária nos textualizou as razões do nascimento e da reedição do livro que tanto mete medo, ainda hoje, em muitas autoridades políticas do Estado do Maranhão e porque não dizer da Amazônia em função do avanço do processo de grilagem. Comentou ele em sua explanação  “… quando estávamos em 1982 quando nasceu o livro Grilagem: corrupção e violência em terras do Carajás.

 Era no tempo da ditadura militar, tempo de muitas lutas no campo. Estamos em 2009. Novo encontro. Sim, novo diálogo com a questão fundiária e os trabalhadores rurais. Mais de 27 anos se passaram. Houve mudanças, mas a história não se nega. A vida do trabalhador rural mudou, mas no solo pisado ficou gravada a sua doação, com as manchas do próprio sangue. Vida arriscada a todo o momento. Este homem, esta mulher, esta criança viveram o tormento no espírito e a perseguição na carne. O terror da apropriação indébita e inescrupulosa das terras maranhenses iniciada na década de 60 foi cruel e sem piedade. Após todos esses anos, podemos afirmar que o que podia ser hipótese na década de 80 tornou-se FATO CONSUMADO.

Queremos estabelecer novo diálogo a partir da reedição do mesmo livro. Por quê? Questão de relembrar. Quem não tem memória do passado não pode ter criatividade para o futuro. É preciso FAZER MEMÓRIA. Muitos pedidos foram e estão sendo feitos para o livro voltar às livrarias. O momento chegou de tirar da poeira fatos, eventos e situações vividas por trabalhadores e trabalhadoras da geração passada. São cenas da história que ainda têm a capacidade de despertar a consciência de quem busca abertura e pista para uma mudança significativa do Estado do Maranhão. Em outras palavras, um jeito de manter viva a história, pois só ela alicerça e garante segurança, veracidade e esperança.Os trabalhadores e trabalhadoras rurais do Maranhão precisam relembrar a luta dos seus antecessores; os moradores das periferias das cidades necessitam refazer a viagem do meio rural para o meio urbano; os historiadores precisam reler o passado para entender e compreender o HOJE; enfim todos e todas, em conjunto, temos a dura tarefa de assumir o passado para atualizar o presente e sonhar o futuro.

A publicação do livro, em abril de 1982, provocou reações em todo o país, em particular na região tocantina do Estado do Maranhão, pois, foi-lhe dada toda uma conotação política partidária, pelo fato de aquele ano ter sido um ano eleitoral. A conjuntura da época que justificou a decisão da publicação era bem outra. Foi um gesto profético de solidariedade, exigido pela necessidade de denunciar a causa principal das perseguições e das numerosas mortes de trabalhadores e trabalhadoras rurais. A reedição tem finalidade bem diferente, pois, a conjuntura atual exige de todo cidadão e cidadã mais transparência ainda. O Brasil amadurece na experiência democrática, e o Maranhão aposta para sua libertação de tantos anos de dependência.

Tomar consciência da importância de sua participação na vida pública e do uso do discernimento para melhorar a prática cidadã são atitudes indispensáveis para efetuar uma mudança de fato. Isso é fazer política, pois é uma busca do Bem-Comum, dando atenção especial aos mais excluídos, o que levava o papa Paulo VI a afirmar que “a política é o exercício por excelência da caridade”. Assim sendo, o compromisso cristão não pode se fazer ausente neste tempo ímpar.Fazemos votos de que a reedição do livro Grilagem reacenda o “fogo sagrado” em cada cidadão e cidadã maranhense, para retomar o rumo ainda estreito e cheio de obstáculos, da conquista de sua libertação. Sua leitura permitirá à jovem geração, aquela que não teve oportunidade de tomar contato com a experiência de seus pais e avós, de se aproximar dela e fazer sua a árdua experiência desses heróis que moldaram sua personalidade na coragem e na paixão pela defesa do Estado.

 A reedição do livro se propõe a ser um instrumento de inserção das gerações de todas as idades. Quem sabe, se um dia, o tempo e a energia permitirão o complemento desta história viva dos trabalhadores rurais após o ano de 1982, até o momento presente nesta região e neste Estado, palco de lembranças que não podem se apagar, sob pena de o trabalhador perder a sua identidade. Agradecemos ao amigo jornalista Emílio Azevedo pelas últimas páginas que encerram o livro, as quais demonstram que a história ainda não tinha terminado e ainda não terminou, já que as vidas do trabalhador e da trabalhadora rural se edificam a cada dia que passa e abrem espaços que serão ocupados por uma mudança significativa, levando-os a entender que UM OUTRO MARANHÃO É POSSÍVEL! Deus queira que Grilagem: corrupção e violência em terras do Carajás seja um chamado à responsabilidade coletiva.

Sai deste reencontro alegre e revigorado, por ter reencontrado um pai, que à muito tempo perdi, e um irmão de luta, que a cada instante nos motiva para o novo. Assim, convido a todos(as) os(as) lutadores(as) populares e entidades da sociedade civil organizada do Tocantins a conhecerem  em 2010 estes homens. Um forte abraço e feliz natal e 2010 cheio de realizações e lutas em prol dos mais necessitados deste imenso Cerrado e Amazônia. (Por: João Palmeira)

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Maranhão

IMPERATRIZ: Fiscalização contra transporte irregular de areia é intensificada

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É considerada infração de trânsito gravíssima, prevista no artigo 231, o derramamento de carga sobre a via pública, independentemente de estar o veículo com equipamento, ou não, de forma a impedir que isso ocorra. Para evitar sinistros, agentes de trânsito intensificaram trabalho de fiscalização contra veículos que transportam materiais (barro, areia, seixo etc) sem a proteção da carga.

Em patrulhamento pela Rua Luís Domingues, setor Mercadinho, o agente de trânsito Frank Gomes flagrou o transporte de barro em uma caçamba que, embora tivesse a lona proteção, não estava utilizando cobertura para evitar fragmentos da carga na via pública. “Temos orientado os condutores quanto ao cumprimento da legislação de trânsito e ambiental que versa sobre a exigência da utilização da lona de proteção”, explicou.

Em veículos de carrocerias abertas deve-se observar que o transporte de qualquer tipo de sólido a granel em vias de circulação pública é disciplinado pelo CTB que determina que “cargas transportadas devem ser totalmente cobertas por lonas ou dispositivos similares, devendo ainda, cumprir outros requisitos”.

“É preciso cobrir totalmente a carga transportada de forma eficaz e segura; estar em bom estado de conservação, para evitar o derramamento da carga transportada; devem estar devidamente ancorados à carroceria do veículo, e sem prejudicar a eficiência dos demais equipamentos obrigatórios de segurança”, observa o agente de trânsito Frank Gomes que ressalta que o patrulhamento tem sido realizado em todos os bairros de Imperatriz.

Vale lembrar que, além do transporte de carga a granel (em que a própria carroceria do veículo acondiciona o produto, como, por exemplo, transporte de areia), o Conselho Nacional de Trânsito, Contran, também regulamenta o transporte de outros tipos específicos de carga: toras de madeira [Resolução nº 196/06]; produtos siderúrgicos [Resolução nº 701/17]; rochas ornamentais [Resolução nº 354/10] e contêineres [Resolução 564/15].

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Maranhão

Reunião entre secretários e Caixa trata sobre celeridade nas obras do residencial Canto da Serra

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Reunião entre secretários da Prefeitura de Imperatriz e a Superintendência da Caixa Econômica Federal, realizada na última segunda-feira, 10, tratou sobre o andamento e celeridade nas obras do Conjunto Habitacional Canto da Serra. A construção ainda se encontra com pendência e o projeto passará por readequação para que seja entregue aos quase 3 mil contemplados.

No encontro, participaram os representantes das secretarias de Desenvolvimento Social, Infraestrutura e Planejamento Urbano e funcionários do banco, em Imperatriz. E por meio de videoconferência, também participaram representantes da Caixa de Brasília.

Foi realizada uma recapitulação e análise da situação em que se encontra o Residencial Canto da Serra, bem como de pendências da obra. Acerca do que cabe à Caixa, eles se mostraram disponíveis a buscar recursos para aprovação de projetos e o que for necessário (dentro da competência deles), para dar continuidade às obras do empreendimento, bem como dar agilidade à própria contratação de nova empresa para finalizar o residencial.

Os secretários também se colocaram à disposição para agilizar o que for de sua responsabilidade, inclusive alinhar todas as ações, com melhor comunicação entre os órgãos.

Para Janaína Ramos, secretária de Desenvolvimento Social, a comunicação entre eles deve ser constante, para que a Prefeitura acompanhe o andamento das obras. Ela falou pelos quase três mil sorteados para o Canto da Serra, que precisam de uma resposta e de suas habitações.

“São quase oito anos de espera, as pessoas precisam sair do aluguel, da casa de parentes, de morar de favor, como muitos dos sorteados se encontram atualmente. Nós da Sedes e as demais secretarias municipais temos, juntos, empreendido esforços dentro do que nos cabe fazer. Não é do nosso interesse ver essa situação continuar da forma que está. Sabemos que está é uma obra do Ministério do Desenvolvimento, e a Caixa Econômica Federal é o órgão financiador, portanto, não depende da gestão municipal”, destacou Janaína.

André Luiz Pinheiro foi um dos representantes da Caixa que participou da reunião em Brasília, e falou das pendências que precisam ser resolvidas. “A solução para o problema é técnica, independente de atuação política partidária, nós aguardamos pelo que pleiteamos ainda no ano passado. Hoje precisamos retomar o mais rápido possível, precisamos caminhar! Temos a obrigação de concluir essa obra, para fazermos a entrega o quanto antes”, enfatizou.

Próximos passos

Deve ser feito um levantamento situacional, uma análise técnica de pendências e, em seguida, será protocolado o pedido para contratação de nova empresa construtora. Não foi estipulado prazo, mas de acordo com a equipe da instituição, eles já se movimentam, desde a rescisão contratual com a Cagel Empreendimento, antiga responsável pelo Canto da Serra, para resolver com celeridade o problema.

Ficou pré-agendada uma reunião entre os secretários Alessandro Pereira, Planejamento Urbano; Leandro Braga, Trânsito e Transportes e Zigomar Filho, Infraestrutura, para discutir correções das irregularidades e posteriormente passar a obra para a nova empresa.

O secretário de Infraestrutura, Zigomar Filho, destacou a importância do empreendimento que contemplará quase três mil beneficiários com moradia. Ele ainda ressalta que “o departamento de fiscalização da Sinfra tem acompanhado a execução da infraestrutura e a construção dos imóveis para que a população receba esse benefício, transformando o sonho em realidade”. (Sara Batalha, com colaboração de Regilson Borges)

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Maranhão

No Maranhão, três crianças morrem em incêndio enquanto dormiam

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Na madrugada desta terça-feira (11), três crianças morreram carbonizadas após um incêndio dentro do quarto onde dormiam, em Centro Novo do Maranhão, a cerca de 265 km de São Luís.

As crianças foram identificadas como Sophia, Alice e Diogo, e tinham 3, 5 e 6 anos de idade. Segundo a polícia, a primeira hipótese é que uma pane elétrica teria iniciado o incêndio.


Os pais foram ouvidos e disseram que também estavam dormindo, que foram surpreendidos pelo incêndio e não conseguiram salvar as crianças. Ainda assim, a Polícia Civil investiga o caso e peritos de São Luís foram enviados ao local para analisar se foi morte acidental ou se o fogo foi criminoso.

O Corpo de Bombeiros mais próximo de Centro Novo do Maranhão é o de Santa Inês, a cerca de 150 quilômetros do local.

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