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quinta-feira, 07 / julho / 2022
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PARÁ: ‘Se disserem não ao Carajás, terão de fechar oito estados’

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Nesta sexta-feira, 12, no Canal Globo News, o economista Célio Costa será um dos entrevistados para falar sobre a criação do Estado de Carajás. Não por acaso, Costa é uma autoridade no assunto, que conquistou ao longo de vários anos debruçado em pesquisas que redundaram na criação do Estado do Tocantins, há 23 anos e, mais recentemente, sobre a divisão do Pará. Há cerca de dois meses, o economista peregrina entre Marabá e outros municípios da região divulgando o resultado de seus estudos e utiliza linguagem acessível à cada comunidade. Aliás, a pesquisa de viabilidade realizada por ele não recebe nenhum tipo de objeção técnica e seus argumentos quebram tabus e silenciam o grupo do “não”, centralizado na região metropolitana de Belém. A seguir, acompanhe a entrevista concedida por Célio na Redação deste Jornal na última segunda-feira:

CORREIO DO TOCANTINS – Qual o principal argumento que temos para provar a viabilidade do estado de Carajás?

Célio Costa – Levantei dados que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nos fornece, mostrando que o Carajás tem um PIB maior do que o de oito estados do Brasil. E olha que tem a metade da população de Sergipe, sendo que este tem três milhões de habitantes e aqui um milhão e meio. O desafio que fizemos em Belém foi: ou vocês admitem que o Carajás é viável ou vão ter que admitir que é preciso fechar as portas de oito estados do Brasil.

Segundo o IBGE, do ponto de vista do PIB per capta, o PIB do Carajás é de R$ 13.605 por pessoa. Isso significa que está à frente de 16 estados do Brasil, incluindo estados como Goiás, Pernambuco, Bahia e Ceará. Ou admitem que esse estado é viável ou vão ter que fechar as portas desses 16 estados. Essa informação, conforme colocado por Duda Mendonça, é tão forte que não vai ter oposição. Podem alegar outras razões, paixões e etc. Mas, que não é viável, não. A estimativa do balanço orçamentário do Carajás é de um pouco menos de R$ 6 bilhões, de orçamento, e superávit de R$ 1 bilhão. Em hipótese nenhuma ele vai precisar de recursos da União para implantação da máquina de governo.

CT – Quando e como aconteceu seu envolvimento com o projeto do Estado de Carajás?

Célio Costa – Eu botei meu pé na estrada do Carajás há 12 anos, quando a Bel Mesquita, então presidenta da Amat e prefeita de Parauapebas me chamou para trazer a experiência do Tocantins. Foi exatamente em Marabá. Depois, era para fazer o estudo e não deu certo. Em 2010, o meu irmão Heleno Costa, geólogo, me convidou para integrar essa nova fase. Ele tinha contato com o Zé Fera (Zeferino), e com o Léo (Leonildo Rocha, do grupo Leolar), e me ligou dizendo que tinha um grupo de empresários que queria conversar comigo, para fazer esse estudo que eu fiz lá no Tocantins. Eu demorei um pouco e ele até zangou, achou que eu não estava com boa vontade. Mas eu estava desenvolvendo outro trabalho lá. Então, marcaram e eu vim aqui, conversei com o Léo, o Zé Fera e o Heleno.

Conversamos e eles me propuseram realizar o estudo. Eu falei: Se vocês acham que vão criar um estado sem estudo, sem fundamento, vocês vão parar feito o Tocantins, que ficou 40 anos com aquela conversa sem base. Vocês precisam ter os fundamentos que deem identidade a essa causa, consistência à luta. O Léo, muito idealista, disse: “vamos fazer!” O resultado desse trabalho vai chegar aqui na próxima semana, em forma de livro.

CT – Você trabalhou sozinho nesse projeto, em um tempo tão curto?

Célio Costa – Não, claro que não. Reuni uma equipe de mestres e doutores formados na Unicamp, na USP, uma pós-doutorada nos EUA, um mestre formado pela Escola do IBGE, que é cientista social. Montamos uma equipe sênior da maior envergadura, também com outros profissionais que orbitavam ao nosso redor. Eu trabalhava cerca de 14 horas por dia.

CT – Qual a diferença na criação do Tocantins, há duas década, e agora o Estado de Carajás?

Célio Costa – O Estado do Tocantins que tinha condições muito menos privilegiadas que o Carajás, do ponto de vista econômico, não precisou de um centavo da União para se implantar. Hoje, o Carajás tem R$ 6 bilhões a mais que o PIB do Tocantins. É um estado que vai sair alavancado e pela previsão de investimentos que estão planejados para a região, eu acredito que, no mais tardar em 20 anos, ele vai estar disputando entre as dez maiores economias do país.

CT – O livro que você escreveu vai lhe render dinheiro?

Célio Costa – O livro trará as informações a respeito da viabilidade econômica de Carajás, já está no prelo e deve chegar a Marabá na próxima semana. Abri mão de todos os direitos autorais. Eu estou nessa causa por ideal também. O próprio Léo, com seu idealismo, quando viu que eu produzi o livro, disse que precisava de mim aqui. Estou baseado em Marabá há pouco mais de dois meses, de mala e cuia, fazendo esse périplo. Estamos dando toda essa cobertura para criar uma massa crítica, passar um arcabouço ideológico. Porque você não cria um estado como se abre um boteco. Para criar um estado, se muda a geopolítica do País, altera o equilíbrio de poder, altera o pacto federativo, mexe com tudo. Por isso tem que ter responsabilidade, conteúdo ideológico, mensagem e massa crítica.

CT – Qual o feedback que você recebe após cada palestra que ministra?

Célio Costa – A população já está ficando a par dos números. Muitos me agradecem, depois de uma palestra. Agradecem pela esperança que está sendo dada, de que é possível e viável criar o Estado de Carajás. Já ministrei algumas dezenas de palestra, em aproximadamente 15 municípios. Em Redenção, aconteceu um espetáculo, algo extraordinário. Houve reunião de cerca de 12 mil pessoas que participaram da palestra. Aquilo para mim foi um momento ímpar. Foi lá que marcou o momento em que a campanha saiu dos gabinetes e foi para as ruas. Isso está contagiando. Toda causa popular precisa contagiar e você precisa dar alma à causa que você luta. Se não tiver alma, não tiver ideologia, não consegue sensibilizar as autoridades, a população.

CT – O que está faltando para fortalecer a luta pela criação do Estado?

Célio Costa – Tudo está indo num ritmo muito bom. Os empresários da região de Carajás mostraram uma vanguarda. Os prefeitos estão se engajando paulatinamente, a população de um modo geral também. Agora fui surpreendido pelo movimento dos garimpeiros que estão mergulhados de maneira tão intensa no assunto, por meio do seu site. A imprensa da região também está comprometida, sobretudo o CORREIO DO TOCANTINS, pioneiro nessa causa. Eu não acho que nenhum seguimento esteja à margem do processo. O que está faltando é a massificação da divulgação. Porque a ideia é bem recebida, é forte, convincente, tem conteúdo e forma.

CT – A força política e a econômica caminham juntas em um cenário de fortalecimento desta causa?

Célio Costa – Claro. Estou certo disso. O discurso de que o Nordeste é mais forte porque possui mais representatividade é um fato, visto que é uma deficiência do modelo político eleitoral do Brasil. Diferente dos Estados Unidos, onde o peso não é populacional, como em nosso país, em que a população configura maior peso político. O senador Vergueiro, que do Brasil Imperial, quando foi criar a Província do Rio Negro, hoje Estado do Amazonas, recebeu oposição ferrenha da Província Grão-Pará. A alegação dos que eram contra a criação da província era de que lá era um deserto. Não tinha pessoas. Mas ele defendeu que um é causa e consequência do outro. Se não tem desenvolvimento econômico, não tem população. Se não tem população, não tem desenvolvimento econômico.

O capital atrai população, da mesma forma que população atrai capital. Os dois simbolizam mercado. Onde se tem desenvolvimento econômico, se tem oportunidade de investimentos, oportunidade de emprego.

CT – Qual o cronograma de palestras para os próximos dias?

Célio Costa – Já estão marcadas palestras em Ourilândia do Norte, Tucumã, Rio Maria e Conceição do Araguaia. Dia 13 acontece em Marabá uma palestra com a executiva do PT, através da deputada Bernadete ten Caten. As ações começarão pelos municípios simpáticos à causa e que tenham um maior número de pessoas. Depois se passará aos que ainda não aderiram à ideia. Mas a intenção é passar pelos 39 municípios que compõem o novo Estado. (Correio Tocantins)

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O BICO SERÁ BENEFICIADO COM O ESTADO DE CARAJÁS

NÓS DA REGIÃO DO BICO DO PAPAGAIO TAMBÉM SEREMOS BENEFICIADOS COM A CRIAÇÃO DO NOVO ESTADO DE CARAJÁS. ESPERAMOS QUE A NOVA CAPITAL TRAGA PROGRESSO PARA NÓS TAMBÉM.

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