- Publicidade -spot_imgspot_imgspot_imgspot_img
quarta-feira, 17 / agosto / 2022
- Publicidade -spot_imgspot_imgspot_imgspot_img
- Publicidade -spot_img
Array

Pará deve enfrentar nova escassez de médicos

Mais Lidas

O Brasil chegará a 2020 dividido e desigual em termos de densidade médica, o que já é ‘uma realidade no Nordeste, Norte e Centro-Oeste, e outra (realidade) do Sul e no Sudeste’, segundo a apontou o estudo Concentração de Médicos no Brasil em 2020, que compõe o Demografia Médica no Brasil, do Conselho Federal de Medicina (CFM) e Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), divulgado na semana passada. O estudo estimou que serão mais de 450 mil médicos no País em 2020.

O Pará figura na pesquisa entre os 19 Estados que ainda estarão abaixo da média estipulada pelo governo federal de 2,5 médicos por 1.000 habitantes em 2020, o que inclui também os outros Estados do Norte, além das regiões Nordeste e Centro-Oeste, exceto o Distrito Federal. A pesquisa apontou a superconcentração de médicos em diversos Estados, capitais e municípios de médio porte do Brasil, além de sinalizar o crescimento da concentração dos profissionais a favor do setor privado em detrimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo a pesquisa, existem 7,60 postos de trabalho médico para 1.000 habitantes no setor privado no Brasil. A taxa médico-habitante no setor privado é superior a de todos os países do mundo e três vezes maior que a taxa pretendida pelo governo, que é 2,5 médicos para cada 1 mil habitantes do governo. Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo já apresentavam em 2011 taxas acima de 2,5 médicos por habitante. ‘Vale lembrar que um quarto da população brasileira é coberta por planos de saúde’, ressaltou o estudo. Para cada médico registrado no CFM, verifica-se o crescimento de 1,86 posto de trabalho médico ocupado no setor privado, enquanto no setor público o aumento é de 1,35 posto de trabalho por médico registrado.

Para o diretor do Conselho Regional de Medicina (CRM), Marcus Vinícius Brito, há dois fatores que devem ser levados em consideração. O primeiro é a condição de trabalho. ‘O médico precisa ter um bom hospital, medicamentos e equipamentos para trabalhar. No interior, a iniciativa privada não vai querer instalar um hospital. Apesar de que já há uma mudança com a implantação dos hospitais regionais, com a política governamental de regionalizar’, explicou. A segunda é a carreira médica.

Brito disse que cerca de 60% dos 6.700 mil médicos na ativa do CRM estão na Região Metropolitana de Belém. O quantitativo corresponde a mais 4 mil. O restante, em torno de 2 mil médicos, estão distribuídos pelos municípios do interior do Estado.

Formação de generalista está em queda 

O secretário do Estado de Saúde Pública, Hélio Franco, disse que a formação sofre influência do mercado nas escolas superiores, já que a especialidade deve ser escolhida a partir do 2º ano do curso. Franco disse ainda que a formação de médicos generalistas está em queda. Com a variada oferta de especialidades, os médicos acabam por procurar os grandes centros e cidades-polos. ‘A formação é importante, mas esse médico não vai para o interior’, disse. Apesar disso, o secretário acredita que o incentivo dado pelo governo federal – por meio do programa Financiamento Estudantil (Fies) e de pontos atribuídos à prova da residência para médicos que se instalarem em áreas remotas – pode fazer com que ele se instale no interior do Estado. Além disso, segundo ele, os hospitais regionais possibilitaram a permanência do médico nos municípios do interior do Estado.

‘No Fies, o médico que se instalar em áreas remotas pode conseguir pagar com o trabalho. Em outro caso, médico candidato à residência pode conseguir até 40 pontos na prova se optar por essas áreas. Isso já é um avanço e facilita esse médico passar um tempo maior no interior do Estado’, afirmou.

O secretário Hélio Franco explicou que é preciso analisar a saúde sob os aspectos da prevenção, promoção e proteção. ‘Muitos estão só voltados para curar as doenças. A rede privada só trata doenças e cuida da doença instalada. Já existe um protocolo clínico definido pelo Ministério da Saúde de como tratar a doença. Em alguns casos, não é preciso o médico para isso’, afirmou.

Na estimativa da Sespa, são 7.500 médicos no Estado e, segundo o secretário, mais de 80% deles estão na Região Metropolitana de Belém (RMB). Franco disse ainda que foi formada a 1ª turma de médicos de Santarém. ‘E ele tem possibilidade de ficar na cidade, porque tem residência em Santarém. Marabá também terá a sua primeira turma também’, completou. Em média, um médico do Estado tem o salário-base de R$ 2.300,00. ‘Há casos de médicos que conseguem R$ 20 mil por mês, mas depende da localização, distância e acesso daquele local’, acrescentou.

No Pará, 80% da categoria trabalham na região metropolitana

O Sindicato dos Médicos do Pará (Sindimepa) estimou que são aproximadamente 9 mil médicos em todo o Estado, do quais cerca de 3 mil são associados à entidade sindical. O diretor do Sindimepa Waldir Cardoso disse que o estudo do CRM reflete uma realidade enfrentada pelo Pará. Ele estimou que aproximadamente 80% dos médicos estão concentrados na Região Metropolitana de Belém (RMB). ‘A concentração está em Belém e o estudo constata informações que já tínhamos. A grande quantidade de médicos está na capital’, afirmou.

Cardoso atribuiu ao poder público a culpa pela evasão dos médicos do Estado. Entre os problemas citados pelo diretor do Sindimepa está a falta de uma política de controle e a baixa remuneração. A base salarial utilizada e defendida pelo Sindimepa é a da Federação Nacional dos Médicos, na qual fixa o valor de R$ 9.813,00 para o trabalho de 20 horas semanais. ‘O que os médicos recebem aqui no Pará é muito baixo. Ele precisa passar vários anos na faculdade e ainda precisa de dois anos de residência. É uma formação cara’, afirmou.

Waldir Cardoso, diretor do Sindimepa, explicou que, por conta da baixa remuneração paga no Pará, a maioria prefere a rede privada ao Sistema Único de Saúde (SUS). ‘Ainda temos carência de médicos no Estado. Cerca de 90% dos que fazem a residência permanecem no local onde fizeram’, disse. Além disso, segundo ele, não há oferta suficiente de residência médicas no Estado. ‘O problema não é só em Belém, mas também no Baixo Amazonas e na região de Santarém. É preciso investir em residência médica’, defendeu. O diretor Waldir Cardoso ressaltou que o poder público precisa investir em políticas que garantam a permanência do médico no Estado. ‘O direito à saúde é constitucional e o Estado não pode fugir desse papel’, disse.

Fies é incentivo para clinicar no interior

A portaria de nº 1.377, homologada pelo Ministério da Saúde em junho de 2011, dá a possibilidade ao médico que usou o Fies para cursar a faculdade de pagar a dívida com o exercício da profissão em municípios de extrema pobreza e em especialidades consideradas prioritárias para o Sistema Único de Saúde (SUS). O profissional ao ingressar em equipes do programa Saúde da Família poderá abater 1% da dívida a cada mês de trabalho. Caso seja do interesse do médico prosseguir no programa por mais oito anos e quatro meses, saldo devedor será totalmente quitado, inclusive os juros.

Sobram vagas para residência em três hospitais do estado

Os hospitais Ofir Loyola, de Clínicas Gaspar Viana e Santa de Misericórdia do Pará estão entre os oferecerem residência médica em Belém. No hospital de Clínicas Gaspar Viana, por exemplo, o processo seletivo deste ano ofertou 49 vagas distribuídas em Psiquiatria, Clínica Médica, Medicina Intensiva, Nefrologia, Cardiologia e Cirurgia Geral. Todas as vagas ofertadas foram preenchidas.

Apesar disso, na Santa Casa de Misericórdia do Estado do Pará não houve candidatos inscritos para a residência em cirurgia pediátrica. Medicina Intensiva Pediátrica, Neonatologia, Nefrologia Pediátrica e Ginecologia e Obstetrícia sobraram vagas porque os candidatos não estavam aptos o suficiente. A sobra de vagas também foi registrada na residência em Cancerologia Cirúrgica e Cirurgia Geral Programa Avançado do hospital Ofir Loyola. (Jornal Amazônia)

- Publicidade -spot_img
Assinar
Notificar-me
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments
- Publicidade -spot_img
- Publicidade -spot_img

Últimas Notícias