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Pará

Pará deve enfrentar nova escassez de médicos

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O Brasil chegará a 2020 dividido e desigual em termos de densidade médica, o que já é ‘uma realidade no Nordeste, Norte e Centro-Oeste, e outra (realidade) do Sul e no Sudeste’, segundo a apontou o estudo Concentração de Médicos no Brasil em 2020, que compõe o Demografia Médica no Brasil, do Conselho Federal de Medicina (CFM) e Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), divulgado na semana passada. O estudo estimou que serão mais de 450 mil médicos no País em 2020.

O Pará figura na pesquisa entre os 19 Estados que ainda estarão abaixo da média estipulada pelo governo federal de 2,5 médicos por 1.000 habitantes em 2020, o que inclui também os outros Estados do Norte, além das regiões Nordeste e Centro-Oeste, exceto o Distrito Federal. A pesquisa apontou a superconcentração de médicos em diversos Estados, capitais e municípios de médio porte do Brasil, além de sinalizar o crescimento da concentração dos profissionais a favor do setor privado em detrimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo a pesquisa, existem 7,60 postos de trabalho médico para 1.000 habitantes no setor privado no Brasil. A taxa médico-habitante no setor privado é superior a de todos os países do mundo e três vezes maior que a taxa pretendida pelo governo, que é 2,5 médicos para cada 1 mil habitantes do governo. Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo já apresentavam em 2011 taxas acima de 2,5 médicos por habitante. ‘Vale lembrar que um quarto da população brasileira é coberta por planos de saúde’, ressaltou o estudo. Para cada médico registrado no CFM, verifica-se o crescimento de 1,86 posto de trabalho médico ocupado no setor privado, enquanto no setor público o aumento é de 1,35 posto de trabalho por médico registrado.

Para o diretor do Conselho Regional de Medicina (CRM), Marcus Vinícius Brito, há dois fatores que devem ser levados em consideração. O primeiro é a condição de trabalho. ‘O médico precisa ter um bom hospital, medicamentos e equipamentos para trabalhar. No interior, a iniciativa privada não vai querer instalar um hospital. Apesar de que já há uma mudança com a implantação dos hospitais regionais, com a política governamental de regionalizar’, explicou. A segunda é a carreira médica.

Brito disse que cerca de 60% dos 6.700 mil médicos na ativa do CRM estão na Região Metropolitana de Belém. O quantitativo corresponde a mais 4 mil. O restante, em torno de 2 mil médicos, estão distribuídos pelos municípios do interior do Estado.

Formação de generalista está em queda 

O secretário do Estado de Saúde Pública, Hélio Franco, disse que a formação sofre influência do mercado nas escolas superiores, já que a especialidade deve ser escolhida a partir do 2º ano do curso. Franco disse ainda que a formação de médicos generalistas está em queda. Com a variada oferta de especialidades, os médicos acabam por procurar os grandes centros e cidades-polos. ‘A formação é importante, mas esse médico não vai para o interior’, disse. Apesar disso, o secretário acredita que o incentivo dado pelo governo federal – por meio do programa Financiamento Estudantil (Fies) e de pontos atribuídos à prova da residência para médicos que se instalarem em áreas remotas – pode fazer com que ele se instale no interior do Estado. Além disso, segundo ele, os hospitais regionais possibilitaram a permanência do médico nos municípios do interior do Estado.

‘No Fies, o médico que se instalar em áreas remotas pode conseguir pagar com o trabalho. Em outro caso, médico candidato à residência pode conseguir até 40 pontos na prova se optar por essas áreas. Isso já é um avanço e facilita esse médico passar um tempo maior no interior do Estado’, afirmou.

O secretário Hélio Franco explicou que é preciso analisar a saúde sob os aspectos da prevenção, promoção e proteção. ‘Muitos estão só voltados para curar as doenças. A rede privada só trata doenças e cuida da doença instalada. Já existe um protocolo clínico definido pelo Ministério da Saúde de como tratar a doença. Em alguns casos, não é preciso o médico para isso’, afirmou.

Na estimativa da Sespa, são 7.500 médicos no Estado e, segundo o secretário, mais de 80% deles estão na Região Metropolitana de Belém (RMB). Franco disse ainda que foi formada a 1ª turma de médicos de Santarém. ‘E ele tem possibilidade de ficar na cidade, porque tem residência em Santarém. Marabá também terá a sua primeira turma também’, completou. Em média, um médico do Estado tem o salário-base de R$ 2.300,00. ‘Há casos de médicos que conseguem R$ 20 mil por mês, mas depende da localização, distância e acesso daquele local’, acrescentou.

No Pará, 80% da categoria trabalham na região metropolitana

O Sindicato dos Médicos do Pará (Sindimepa) estimou que são aproximadamente 9 mil médicos em todo o Estado, do quais cerca de 3 mil são associados à entidade sindical. O diretor do Sindimepa Waldir Cardoso disse que o estudo do CRM reflete uma realidade enfrentada pelo Pará. Ele estimou que aproximadamente 80% dos médicos estão concentrados na Região Metropolitana de Belém (RMB). ‘A concentração está em Belém e o estudo constata informações que já tínhamos. A grande quantidade de médicos está na capital’, afirmou.

Cardoso atribuiu ao poder público a culpa pela evasão dos médicos do Estado. Entre os problemas citados pelo diretor do Sindimepa está a falta de uma política de controle e a baixa remuneração. A base salarial utilizada e defendida pelo Sindimepa é a da Federação Nacional dos Médicos, na qual fixa o valor de R$ 9.813,00 para o trabalho de 20 horas semanais. ‘O que os médicos recebem aqui no Pará é muito baixo. Ele precisa passar vários anos na faculdade e ainda precisa de dois anos de residência. É uma formação cara’, afirmou.

Waldir Cardoso, diretor do Sindimepa, explicou que, por conta da baixa remuneração paga no Pará, a maioria prefere a rede privada ao Sistema Único de Saúde (SUS). ‘Ainda temos carência de médicos no Estado. Cerca de 90% dos que fazem a residência permanecem no local onde fizeram’, disse. Além disso, segundo ele, não há oferta suficiente de residência médicas no Estado. ‘O problema não é só em Belém, mas também no Baixo Amazonas e na região de Santarém. É preciso investir em residência médica’, defendeu. O diretor Waldir Cardoso ressaltou que o poder público precisa investir em políticas que garantam a permanência do médico no Estado. ‘O direito à saúde é constitucional e o Estado não pode fugir desse papel’, disse.

Fies é incentivo para clinicar no interior

A portaria de nº 1.377, homologada pelo Ministério da Saúde em junho de 2011, dá a possibilidade ao médico que usou o Fies para cursar a faculdade de pagar a dívida com o exercício da profissão em municípios de extrema pobreza e em especialidades consideradas prioritárias para o Sistema Único de Saúde (SUS). O profissional ao ingressar em equipes do programa Saúde da Família poderá abater 1% da dívida a cada mês de trabalho. Caso seja do interesse do médico prosseguir no programa por mais oito anos e quatro meses, saldo devedor será totalmente quitado, inclusive os juros.

Sobram vagas para residência em três hospitais do estado

Os hospitais Ofir Loyola, de Clínicas Gaspar Viana e Santa de Misericórdia do Pará estão entre os oferecerem residência médica em Belém. No hospital de Clínicas Gaspar Viana, por exemplo, o processo seletivo deste ano ofertou 49 vagas distribuídas em Psiquiatria, Clínica Médica, Medicina Intensiva, Nefrologia, Cardiologia e Cirurgia Geral. Todas as vagas ofertadas foram preenchidas.

Apesar disso, na Santa Casa de Misericórdia do Estado do Pará não houve candidatos inscritos para a residência em cirurgia pediátrica. Medicina Intensiva Pediátrica, Neonatologia, Nefrologia Pediátrica e Ginecologia e Obstetrícia sobraram vagas porque os candidatos não estavam aptos o suficiente. A sobra de vagas também foi registrada na residência em Cancerologia Cirúrgica e Cirurgia Geral Programa Avançado do hospital Ofir Loyola. (Jornal Amazônia)

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Pará

Fundador do Grupo Frango Americano, Yasuhide Watanabe, morre aos 71 anos

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Faleceu na tarde desta quarta-feira, 26, vítima de câncer, aos 71 anos, Yasuhide Watanabe, fundador do Frango Americano, com sede localizada na cidade de Santa Izabel, considerado o maior grupo empresarial do setor avícola do Norte do Brasil, com unidades instaladas nos Estados do Tocantins, Piauí e Maranhão. Watanabe que completaria aniversário em março deste ano, lutava contra a doença e não resistiu aos efeitos provocados. Há 40 anos comandava o Grupo Americano que mantém operações de incubação, criação e abate de aves. 

O empresário de descedência japonesa faleceu em um hospital no município de Castanhal, nordeste paraense, após passar mal na residência. Recentemente esteve em tratamento na cidade de São Paulo. Yasuhide Watanabe era pai do atual prefeito da cidade de Santa Izabel, Evandro Watanabe. E é na cidade izabelense que fica situada a base operacional do Grupo Americano, atualmente com cerca de 4 mil empregados diretos e indiretos.

Watanabe chegou ao Pará ainda criança, e acabou por se fixar na cidade de Santa Izabel, onde trabalhou inicialmente como agricultor, taxista até iniciar a trajetória de empresário. 

Nota de pesar:

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Pará

Pará anuncia medidas para população afetada por interdição de ponte

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O ferry boat está garantindo o transporte gratuito de pessoas e veículos

O governo do Pará e a prefeitura de Belém anunciaram uma série de medidas para minimizar e reparar os prejuízos e os transtornos que a interdição da ponte Enéas Martins causou à população da Ilha do Outeiro, um distrito da capital paraense.

Na última segunda-feira (17), os órgãos de segurança interromperam o trânsito de veículos e de pedestres, bem como a navegação de embarcações próxima ao local, logo após serem alertados de que um pedaço da ponte tinha se desprendido sobre o Rio Maguari e uma rachadura se abriu ao longo da via.

Segundo o governo estadual, testemunhas afirmam ter visto uma balsa se chocar contra o pilar central da ponte. Após a interdição, técnicos que vistoriaram a estrutura constataram danos em dois dos pilares de sustentação. A Polícia Civil, no entanto, não descarta a hipótese de os problemas terem sido causados por uma sucessão de colisões.

“Estamos fazendo perícias e, em breve, vamos divulgar a dinâmica: se foi uma embarcação que provocou a queda ou [se foram] sucessivos choques, de diversas embarcações”, disse o delegado Daniel Castro a jornalistas, ontem (23).

Na mesma coletiva de imprensa, o secretário estadual de Transportes, Adler Silveira, anunciou que o governo estadual vai construir uma nova ponte para interligar os distritos de Outeiro e Icoaraci

A nova ponte, de 360 metros de comprimento, utilizará o sistema de cabos-estais, ganhando uma espécie de mastro central onde serão afixados os cabos de aço que sustentarão seu peso. Segundo o governo estadual, a solução permitirá a ampliação do vão de navegação dos atuais 60 metros para 100 metros, aumentando a segurança da navegação. Os pilares remanescentes e todo o resto da estrutura deverão ser integralmente restaurados.

Segundo o secretário estadual de Transportes, as obras começarão imediatamente e devem ser concluídas em até sete meses. A rapidez deve-se ao fato de que o governo estadual será dispensado de selecionar a empresa responsável por meio de licitação pública, conforme destacaram os representante do Ministério Público de Contas do estado, Patrick Bezerra, e do Tribunal de Contas estadual, Marcelo Aranha.

“Necessário frisar que todas as informações das obras devem ser disponibilizadas para análise do Tribunal de Contas para que colaboremos com os órgãos de controle”, disse Aranha. “Na medida em que a fiscalização avançar, encaminharemos as conclusões à Setran para as medidas cabíveis.”

Para permitir que as milhares de pessoas que vivem na Ilha do Outeiro acessem a área continental e que turistas atraídos pela orla urbanizada da ilha façam o caminho inverso, o governo estadual disponibilizou barcos e balsas que estão fazendo a travessia ininterrupta de veículos e pedestres. Nas lanchas rápidas que transportam passageiros entre a ilha e o Trapiche de Icoaraci, a travessia dura cinco minutos. Já nos ferry-boats destinados a transportar veículos entre o porto da Brasília, em Outeiro, e o Terminal Hidroviário de Belém, a viagem pode durar cerca de 1 hora.

Prefeitura

A prefeitura de Belém também anunciou, ontem, medidas emergenciais e assistenciais que contemplam os moradores de Outeiro afetados pela interdição da ponte. Uma das medidas busca ampliar o número de beneficiários do programa Bora Belém entre as famílias residentes no distrito que vivem em extrema pobreza. Executado em conjunto com o governo estadual, o programa repassa de R$ 150 a R$ 450 mensais a cada família, conforme o número de filhos.

Outra medida contemplará, por pelo menos seis meses, os donos e os funcionários das barracas de praia, que receberão uma ajuda de R$ 500, e os trabalhadores autônomos e informais cadastrados pela prefeitura, que receberão R$ 300. No total, a prefeitura prevê um investimento da ordem de R$ 1 milhão para auxiliar os profissionais ligados ao atendimento turístico.

Segundo o prefeito Edmilson Rodrigues, o Banco do Povo de Belém também vai abrir uma linha de crédito solidário de R$ 1 milhão para emprestar aos pequenos empreendedores do distrito recursos para a manutenção de capital de giro e para cobrir custos fixos.

Além disso, a prefeitura promete outros investimentos em saúde e em ações sociais. “Apresentamos um conjunto de ações imediatas como o reforço das Unidades de Saúde, o aumento de funcionários, garantia de uma ambulancha [ambulância náutica], intensificação da vacinação e a instalação da Unidade Fluvial de Saúde, inaugurada recentemente para atender a população”, afirmou Rodrigues. (Alex Rodrigues)

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Pará

MARABÁ: Nível do Rio Tocantins começam a recuar

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Na manhã desta segunda-feira (24), o nível do rio Tocantins amanheceu em 11 metros e 95 centímetros acima do normal, um recuou de 1 m e 14 cm nos últimos 5 dias. Muitas ruas, principalmente nos bairros da Marabá Pioneira, já não estão mais alagadas, porém a Defesa Civil alerta para o perigo de um retorno sem orientação técnica.

De acordo com a Defesa Civil é aguardado ainda um repique, subida no nível do rio, pois ainda não passou o período de cheias e a orientação é que as famílias permaneçam nos abrigos ou em casa de familiares ou amigos e que a ajuda para as famílias continuam acontecendo normalmente. Atualmente são 21 abrigos oficiais e 20 caminhões para o transporte das pessoas, bem como seis embarcações para uso das famílias ilhadas.

Na última quarta-feira (18), o nível do rio atingiu a marca de 13 metros e 09 cm metros atingindo 4.424 famílias, sendo que 789 estão nos abrigos públicos e as demais desalojadas ou ilhadas. As famílias ribeirinhas também estão recebendo apoio por parte da Defesa Civil com distribuição de cestas básicas e outros serviços.

A Defesa Civil está conta com apoio do Exército, por meio da 23ª Brigada de Infantaria de Selva, Marinha do Brasil e Corpo de Bombeiros, além da Defesa Civil Estadual. A Prefeitura de Marabá mobilizou mais de 200 servidores para ajudar no atendimento às famílias. (Victor Haôr / Fotos: Paulo Sérgio)

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