Connect with us

Pará

PARÁ: Operação policial resgata 19 adolescentes de locais de risco em Oriximiná

Publicado

em

Dezenove adolescentes resgatados de locais de risco e nove estabelecimentos fechados. Este foi o resultado da operação “Iripixi”, deflagrada pela Superintendência Regional da Polícia Civil do Baixo e Médio Amazonas, no final de semana, no município de Oriximiná, oeste do Estado. A ação, que faz parte das diretrizes da Operação “Cadê Seu Filho”, da Polícia Civil, teve também por meta combater crimes ambientais, de forma integrada com a Polícia Militar, Conselho Tutelar, Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Secretaria Municipal de Assistência Social. A operação contou com o efetivo de policiais da Superintendência. Estiveram em atuação 10 policiais civis, 15 policiais militares, seis conselheiros tutulares e uma assistente social da Prefeitura local.

Os agentes utilizaram três viaturas e uma moto da Polícia Civil, além de duas viaturas e quatro motos da PM. Um homem acusado de arrombar imóveis foi preso em cumprimento a um mandado judicial de prisão. Para fazer o transporte dos adolescentes, um veículo tipo Kombi e um microônibus,  do Conselho Tutelar, além de uma picape da Secretaria Municipal de Meio-Ambiente, foram empregados. Participaram da ação agentes das áreas de Polícia Administrativa, de operações e de Inteligência que atuaram em cooperação com a PM, Ministério Público e Poder Judiciário. Entre os tipos de crimes combatinos na ação estiveram, também, a poluição sonora, o tráfico de drogas e crimes contra as garantia dos direitos das crianças e adolescentes. Durante a noite de sexta-feira passada e madrugada de sábado, os policiais efetuaram fiscalizações em toda área urbana e grande parte da periferia de Oriximiná.

A ação teve início pela Praça “Centenário”, um dos principais pontos turísticos e de entretenimento da população local. Nesse local, os agentes identificaram quatro estabelecimentos com funcionamento irregular. Detectaram ainda a presença de adolescentes em situação de risco que foram levados pela equipe de conselheiros e depois entregues aos familiares. Na orla da cidade, os policiais fiscalizaram bares apontados pelos agentes do Conselho Tutelar como locais de incidência de prostituição infantil. Adolescentes que se deslocam de comunidades distantes em bajaras (pequenas canoas) são alvos de aliciadores na área. Dois estabelecimentos foram fechados por estarem com funcionamento inadequado. Para que possam se adequar às  normas administrativas da Polícia Civil e dos órgãos da Prefeitura Municipal de Oriximiná, donos dos bares foram intimados para depor em relação às denúncias formuladas junto ao Conselho Tutelar e Polícia Civil.

Outros estabelecimentos comerciais ligados às atividades de diversão e entretenimento público foram fiscalizados. “Todos os estabecimentos que tiveram as atividades interrompidas, poderão voltar a funcionar desde que se adaptem para operar em conformidade com a lei, tanto com as normas administrativas da Polícia Civil quanto com os demais órgãos estaduais e municipais que regulam as atividades”, explica o delegado Jardel Guimarães, titular da Superintendência. Outros alvos das fiscalizações, segundo o delegado, foram locais de acesso à internet, as chamadas “Lan Houses” e “Cyber Cafes” da cidade. Algumas estavam com funcionamento em horário noturno, após o permitido por lei, bem como, os responsáveis estariam permitindo acesso de crianças e adolecentes em horário impróprio. Um estabelecimento foi fechado por permitir acesso nessas condições a adolescentes. Durante os trabalhos de fiscalização, técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente fizeram a aferição dos níveis de ruído e de poluição sonora para verificar se os comércios operavam em conformidade com as leis que regulam as atividades e garantem a saúde da população.

A equipe também foi acionada, durante uma revista na praça Centenária, para apurar a informação de que um adolecente teria retirado dos lagos artificiais criadouros de quelönios e de peixes existentes no centro da logradouro. Ao ser abordado, o adolescente foi revistado. Nas vestes dele, um quelônio tipo tartaruga foi encontrado. O menor de idade foi conduzido à Delegacia e o animal foi devolvido ao seu local de origem pelo técnico da Secretaria. Durante a operação, um homem apontado como arrombador, que praticava furtos na cidade, foi preso por ordem judicial. Fabrício Dias de Sousa estava com mandado de prisão expedido pela juíza Roberta Guterres Caracas, da comarca de Oriximiná. Ele foi preso por uma guarnição da Polícia Militar, sob comando do sargento C. Silva. Depois, ele foi apresentado na Delegacia. Responsável por furtos e arrombamentos, ele responde a mais de oito procedimentos instaurados pela Polícia Civil por furto. Segundo a assistente social Simey Figueiredo, do CREAS (Centro de Referência Especializado em Assistência Social), essa foi a primeira participação do órgão em operações conjuntas e integradas com diversas instituições.

Para o Conselho Tutelar, somente com parcerias é possível atingir os objetivos traçados pela instituição. Para o capitão Marcelo Ribeiro, comandante do Batalhão de Polícia Militar de Oriximiná, a combinação de esforços e a parceria com a Polícia Civil, além das instituições convidadas, são fundamentais para o êxito das ações. A ação foi determinada pela Delegacia-Geral, através da Diretoria de Polícia do Interior e da Superintendência Regional, tem atuação prevista a todos municípios da circunscrição, para fechar o cerco aos riscos e ações que são nocivas à integridade das crianças e adolecentes na região, bem como, desarticular atividades que possam permitir riscos. O nome da operação, de origem indígena, foi dada em alusão a um rio de Oriximiná, situado em área de preservação ambiental. O local conta com vários balneários e é  afluente do rio Trombetas, no extremo oeste paraense.

publicidade
FAÇA UM COMENTÁRIO
Atenção: Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do Jornal. Se achar algo que viole ou fira sua honra pessoal, envie para o email: [email protected] que iremos analisar.
Faça um comentário

Pará

PARAUAPEBAS: Homicida integrante de facção criminosa é preso

Publicado

em

Um homem suspeito de participar de uma facção criminosa e ter envolvimento em duas mortes ocorridas em maio deste ano, em Parauapebas, foi preso no início da tarde desta segunda-feira, 23. A ação da Polícia Civil deu cumprimento ao mandado de prisão preventiva expedido pela 2ª Vara Criminal do município. 

O investigado compareceu à Delegacia do Município para denunciar uma suposta abordagem de agentes de segurança contra ele, logo foi reconhecido e recebeu voz de prisão.  

Com a prisão do indiciado, foram contabilizadas cinco prisões de membros de uma facção criminosa, os quais estariam envolvidos na morte de dois amigos ocorrida em maio, cujos corpos foram encontrados em um sítio localizado na zona rural de Parauapebas.

Continue lendo

Pará

BRK Ambiental promove Mega Blue Friday no Pará para negociação de débitos

Publicado

em

A BRK Ambiental, concessionária responsável pelos serviços de saneamento em 10 cidades do Pará, inicia nesta segunda-feira, dia 23, a Mega Blue Friday, que traz uma oportunidade para clientes que queiram regularizar seus débitos junto à empresa por meio de condições facilitadas de pagamento e até renegociação de dívidas.

Durante a Mega Blue Friday, a ser realizada de 23 de novembro até o dia 20 de dezembro, as condições especiais de negociação estarão disponíveis por meio da plataforma Acordo Certo. A partir do uso de um sistema online, todo o processo de negociação é digital, o que evita deslocamentos nesse período de pandemia e torna o atendimento ao cliente ainda mais simplificado.

Os acordos são exclusivos, conforme as necessidades de cada pessoa, e oferecem opções como pagamento de faturas vencidas à vista com isenção de multas e juros, parcelamento mais flexíveis ou até mesmo o reparcelamento de uma negociação realizada anteriormente.

“A Mega Blue Friday é uma grande oportunidade que traz condições diferenciadas de negociação de débitos para os nossos clientes. A plataforma é capaz de avaliar a melhor opção de pagamento para cada caso, permitindo que todos possam terminar o ano com as contas em dia”, explica Ricardo Ferraz, gerente comercial da BRK Ambiental.

As negociações são realizadas no site www.acordocerto.com.br/brk. Para acessar, basta criar um cadastro a partir dos dados pessoais do cliente (CPF, data de nascimento, e-mail e número de telefone celular) e iniciar o processo de negociação na plataforma.

Continue lendo

Pará

Uepa forma primeira quilombola como Mestra em Educação

Publicado

em

“Saudando a força de todos os quilombolas que lutavam bravamente para manter viva a nossa história”. Com os versos da canção “Negro de Luz”, do Ilê Aiyê, Shirley Amador iniciou a fala na banca de defesa. Neste semestre, apesar da pandemia, a Universidade do Estado do Pará (Uepa) formou a primeira mestra quilombola, no Programa de Pós-graduação em Educação (PPGED), do Centro de Ciências Sociais e Educação (CCSE). Defendendo a resistência por meio da palavra dita e os processos educacionais da tradição oral no quilombo, ela propõe a reflexão acerca deste que é o principal instrumento de luta nestas comunidades rotineiramente invisibilizadas pela história oficial do Brasil.

A influencia direta da mãe, ativista negra e militante do movimento quilombola, e a atuação da matriarca dentro e fora da comunidade Vila União/Campina, em Salvaterra, foram a inspiração para que Shirley percebesse o valor da educação para promover mudanças.

“Educar as novas gerações nestas bases significa buscar a dignidade, o exercício do pertencimento étnico que respalda a diversidade da memória histórica, social, e a luta pela conquista de direitos diante da situação de negação e de enfoques para aplicação de novas políticas, identidade social e cultural para os povos e comunidades tradicionais”, avalia Shirley.

“Para nós, a Educação é um instrumento de luta. Precisamos ocupar os espaços para sermos ouvidos, para termos os nossos direitos reconhecidos”. Para fomentar isso, ela desenvolve na Vila União/Campina um projeto de cursinho preparatório para vestibulandos quilombolas locais.

O espaço acadêmico foi o escolhido por ela, por perceber a necessidade de pesquisas que observem cientificamente os fenômenos educacionais contidos nas comunidades e os socializem com toda a academia.

“Esses processos educativos ocorrem no cotidiano, na medida em que os filhos dos quilombolas aprendem os saberes que são necessários para a existência, em relação aos conflitos, a tudo aquilo que a comunidade vivencia. Então, todos esses saberes circulam nos diversos espaços ali na comunidade. A educação é um processo muito mais amplo do que aquele que está dentro dos espaços institucionalizados como escola. Então, a tradição oral foi como eu aprendi e esse saber é significativo para todos nós”, resume. O conhecimento sobre a agricultura é um dos saberes desenvolvidos, aperfeiçoados e passados de geração a geração oralmente e possibilita a subsistência da comunidade. Histórias sobre a chegada dos antepassados à Amazônia também se perpetuam graças a este costume.

Por meio da oralidade, a cultura se interliga aos processos de ensinar e aprender desenvolvidos nas relações sociais. Eles preparam e orientam os quilombolas para a vida e a resistência. Isso possibilita a reconstrução da ancestralidade na contemporaneidade na medida em que os filhos dos quilombos aprendem e reproduzem os conhecimentos tradicionais, que dão significado para a existência da comunidade. “Os saberes tradicionais e acadêmicos se completam, mas os tradicionais não constam nos currículos escolares e demais ambientes institucionalizados. Por isso, eles precisam ser incluídos nas práticas pedagógicas dos educadores. Por exemplo, o diálogo acerca da consciência negra costuma estar atrelado às datas comemorativas, mas eles devem ser levantados em diversas outras ocasiões cotidianas do ensino. Por que só discutir o negro no Mês da Consciência Negra?”, questiona.

Shirley estende o debate para a necessidade de inclusão de fatos sobre os conflitos de terras enfrentados pelos quilombolas nos últimos séculos no Brasil. “As comunidades vivenciam inúmeros conflitos, que vão desde a instalação dos grandes projetos, do desmatamento, das queimadas, da venda de terra, a retirada de madeira ilegal, até as ameaças que muitos líderes quilombolas sofrem. Isso é algo recorrente na história das populações quilombolas. São saberes notórios dentro das comunidades e deveriam ser conhecidos por todos os brasileiros”, pontua. Para ela, não seria uma questão de corrigir ou retirar fatos históricos que constam atualmente nos currículos escolares, mas de apresentar os demais pontos de vista e traçar um diálogo entre eles.

PRIMEIRA MESTRA QUILOMBOLA

Shirley Amador se tornou, em setembro deste ano, a primeira mestra quilombola da Uepa, fato que foi motivo de orgulho para o orientador, professor doutor João Colares. “Fico feliz por ela ser titulada pelo PPGED da Uepa. Isso demonstra que o Programa está avançando do ponto de vista das discussões sobre Educação Quilombola, Educação Indígena, ou seja, educação daquelas pessoas que historicamente foram e são subalternizadas pelos processos sociais injustos e pelas desigualdades educacionais. Então é um sentimento de alegria e é um sentimento também de uma luta”, resume o professor, que espera que a partir de agora ela
possa contribuir para os processos educacionais na própria comunidade e, de maneira mais ampla, para a educação quilombola, no estado do Pará e na Amazônia.

Para ele, a alegria vem com a percepção de que o caminho à frente ainda é longo. “Nós precisamos avançar muito ainda, nas universidades em geral e na Uepa em particular, com ações afirmativas para que esses grupos sociais que estão fora da universidade possam ingressar e, desse modo, apresentar as suas sabedorias, epistemologias, suas tradições e o seu rico conjunto de conhecimentos”, reconhece Colares, que relembra a perspectiva de diálogo entre saberes, proposta por Paulo Freire. “Um diálogo entre essas distintas formas de conhecimento só vai se dar na medida em que essas populações que estão historicamente excluídas estiverem na universidade produzindo seus conhecimentos científicos a partir de um diálogo com as tradições, com as memórias, com as sabedorias, emergentes, insurgentes de suas próprias comunidades. É nesse sentido que nós precisamos avançar em políticas de ações afirmativas”, conclui.

A felicidade em fazer história na Uepa é algo que Shirley faz questão de dividir com toda a comunidade e professores. “Penso que essa não é uma conquista individual, mas sim coletiva, pois no decorrer do caminho nós vamos formando uma rede que nos faz prosseguir rumo aos nossos objetivos. Então essa foi uma maneira de me posicionar enquanto sujeito ético, político, de transcender também o lugar que sempre fora destinada aos negros”, comemora. A abertura de cotas raciais na Instituição também é um desejo da mestra, pois abrirá caminho a mais quilombolas nas diversas esferas da educação superior.

A defesa completa da dissertação pode ser vista neste link.

Continue lendo
publicidade Bronze