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Pará

PARÁ: Tráfico humano, paraenses resgatadas revelam seus dramas

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Quando recebeu um convite para trabalhar de babá no Suriname, ela não hesitou em fazer as malas. Com 27 anos e uma dívida de R$ 3 mil na chegada, desceu ao inferno da exploração sexual, escravidão, tráfico e consumo de drogas, de pessoas e até de órgãos.

A ONG Só Direitos, em Belém, atende 37 casos de vítimas de tráfico humano. De acordo com a coordenadora pedagógica da entidade, Mileny Matos, o grande desafio é fazer com que essas mulheres tenham uma vida normal. ‘Em um contexto de pobreza e desemprego, é fácil que a vítima seja novamente levada à rede

de tráfico’, diz.

A ONG lançou no último mês a coletânea ‘Mulheres em Movimento – Migração, Trabalho e Gênero em Belém’, com 11 histórias de sobreviventes. Uma delas, hoje com 30 anos, aceitou ir para Nickerie, no Suriname, onde trabalharia como garçonete. ‘Minha carteira de trabalho foi assinada antes da viagem. Quando cheguei, era uma boate’, relata. ‘No primeiro dia, a dona do bordel, uma brasileira, desdenhou quando afirmei que não sabia que tinha ido para lá fazer programa’, destaca.

Os programas custavam entre R$ 70,00 e R$ 100,00. ‘Até para comer, era preciso seduzir um homem para fazê-lo consumir no bar. Quando não conseguíamos, as outras meninas dividiam com a gente’, explica. ‘Em menos de um mês, não sabia mais quanto devia ou com quantos homens dormia a cada noite para pagar as dívidas’, conta. Ela fugiu para um garimpo, onde morou e trabalhou como cozinheira por três anos antes de voltar a Icoaraci. Hoje ela faz curso técnico em radiologia.

Babá

A oferta do emprego de babá em outro país parecia perfeita para uma moça analfabeta e com quatro filhos. ‘Meu quarto filho tinha acabado de nascer. Me receberam em Paramaribo com um cigarro de pasta de cocaína. Precisava estar dopada para me prostituir’, diz a vítima.

Cansada da exploração sexual, agressões físicas e estupros, pediu a uma cliente do bordel que a ajudasse a sair. ‘Essa mulher me vendeu a um traficante em Paramaribo. Por dois anos trabalhei para ele, sempre vigiada’, revela.

Ela foi dada como morta pela família e presenciou a morte de três amigas, escravas dos traficantes, uma delas paraense. ‘Os olhos eram sempre arrancados. Acreditoque seja uma forma de nos aproveitar até o fim, uma vez que éramos mercadorias’, avalia.

Quando vendia drogas nas ruas de Paramaribo, ficou grávida. Nem o bebê escapou dos maus-tratos. ‘Recém-nascido, teve a cabeça raspada com gilete. Tenho medo que façam de novo algo ruim com ele’, revela. Ela voltou ao Brasil com a ajuda de uma amiga paraense. ‘Ela me tirou do cativeiro, saímos direto para a Embaixada brasileira. Tive muita sorte, porque sem documentos e na criminalidade, não conseguiria voltar sozinha’.

Ela desembarcou em Belém no início do ano passado, com um saco de roupas sujas de sangue e o quinto filho no colo. Precisou largar o vício em drogas e realizar um sonho antigo – aprender a ler e escrever.

A ONG Só Direitos está em busca de parcerias com empresas para fornecimento de vagas no mercado de trabalho e material de construção para mulheres vítimas de tráfico humano. A entidade fica na Rua 28 de Setembro, 503 – Reduto. Contatos para atendimentos e doações podem ser feitos para 3224-7338 ou [email protected]. (O Liberal)

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Pará

PARAUAPEBAS: Empresários e advogado são presos suspeitos de prostituição e aliciamento de adolescentes

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Dois empresários e um advogado foram presos na primeira fase da operação “Book Rosa”, da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), da Polícia Civil em Parauapebas, sudeste do Pará, nesta quarta (23). Eles são acusados de participação em um esquema de aliciamento e prostituição de adolescentes. Os presos devem responder por estupro e prostituição de vulneráveis.

Os presos são Mauro de Souza Davi, o Marola, empresário da área de shows; Eduardo Liebert Araújo dos Santos, empresário do ramo de segurança patrimonial e o advogado Antônio Araújo Oliveira foram presos. Três mandados de busca e apreensão também foram cumpridos pela operação.

Uma quarta pessoa com prisão decretada pela 2ª Vara Criminal de Parauapebas está foragida. Segundo as investigações, era quem aliciava as vítimas.

A delegada titular da Deam, Ana Carolina Carneiro, disse que os abusos eram corriqueiros. “Detectamos três alvos que abusavam dessas adolescentes de forma muito corriqueira, então eles estavam sempre incentivando, pedindo para elas levarem outras vítimas, outras meninas, menores, e quanto mais novas, mais dinheiro eles ofereciam”, detalha.

De acordo com a delegada, três adolescentes foram identificadas e encaminhadas para o acolhimento junto aos órgãos responsáveis. Outra adolescente citada em depoimentos ainda não foi localizada.

“Essa é a primeira parte da operação, terão outras onde nós vamos identificar outras pessoas, que exploraram sexualmente dessas adolescentes”, afirma a delegada.

O advogado Antônio Araújo nega todas as acusações. A reportagem ainda não conseguiu contato com a defesa dos outros dois presos.

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Pará

MARABÁ: Toni Cunha se encontra com Roberto Jeferson e reafirma total oposição a Helder

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Nesta quarta, dia 23, o deputado estadual Toni Cunha, esteve na sede nacional do PTB, onde foi recebido pelo presidente, Roberto Jeferson.

Toni Cunha disse que assim como o presidente estadual, deputado Josué Bengtson, Jeferson garantiu independência, na defesa das posições do parlamentar na ALEPA. O deputado paraense reafirmou absoluta oposição ao Governo Helder Barbalho (MDB), independente de decisões partidárias. Cunha chamou o Governo Helder de “O pior governo da história do Pará”.

A deputado ainda foi duro e reforçou os ataques ao governador Helder Barbalho. “De longe, o de maior número de escândalos de corrupção já visto em nosso Estado. Temos que virar, de vez, essa página triste da vida do Estado do Pará”, finalizou.

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Pará

MARABÁ: Polo UAB DA UFPA retoma Processo Seletivo Especial 2021

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A Universidade Federal do Pará (UFPA) torna pública a reabertura dos procedimentos referentes ao primeiro Processo Seletivo Especial de 2021 (PSE 2021-1) destinado ao ingresso de discentes nos cursos de graduação da UFPA na modalidade de Educação a Distância. O processo seletivo teve suas atividades suspensas em virtude das restrições estabelecidas para atividades presenciais na Universidade, a partir da adoção da Bandeira Laranja, em todos os campi, na data de 28 de janeiro, conforme orientação do Grupo de Trabalho da UFPA sobre o Novo Coronavírus. A retomada do novo cronograma iniciará com a aplicação da prova de Conhecimentos Gerais, que ocorrerá em 27 de junho de 2021 (domingo), no horário das 14h às 18h30, respeitando todas as medidas de segurança sanitária exigidas pela OMS, bem como, acatando as orientações do Grupo de Trabalho da UFPA.

Após horário de início das provas, os candidatos deverão permanecer obrigatoriamente, pelo menos, por (1) uma hora na sala de aplicação antes de deixá-la em definitivo. O cronograma atualizado e os locais de prova serão divulgados no dia 21 de junho de 2021, na página de acompanhamento do candidato, no site do Centro de Processos Seletivos.

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