Somente neste ano, segundo o Corpo de Bombeiros, seis pessoas morreram em consequência de choques elétricos no Tocantins. Já em 2018, em todo País foram registrados 1.424 acidentes com origem elétrica, sendo 836 choques, 537 incêndios por sobrecarga ou curto-circuito e 51 descargas atmosféricas (raios). Isso representou um aumento de 2,67% em comparação ao ano anterior e de 37,2% em relação a 2013.

Os números somam os casos fatais e não fatais. O dado consta do Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica e foi pela Associação Brasileira de Conscientização dos Perigos de Eletricidade (Abracopel).

No Tocantins, no último dia 30 de setembro, uma mulher de 62 anos morreu após supostamente receber uma descarga elétrica enquanto fazia uma ligação no celular, em Palmas. O caso ocorreu na região sul de Palmas durante uma forte chuva registrada na cidade.

Conforme a Perícia, o aparelho da mulher estava carregando na tomada quando o acidente aconteceu. A vítima, identificada como Ildete Luis da Silva, foi socorrida pela família e levada para o Pronto Atendimento Sul (UPA), mas não resistiu e faleceu.

O Brasil é o campeão mundial na incidência de raios, com 50 milhões de casos por ano, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Os raios são produzidos dentro das nuvens, quando partículas de gelo que estão eletricamente carregadas se tocam. A fricção entre essas cargas produz uma faísca, que quando atingem uma grande quantidade, elas se aproximam do solo, procurando os pontos mais próximos a ela e formando os raios.

O Estado, nesta época do ano é caracterizado pelas ventanias e a grande incidência de raios e trovões, além dos acidentes de trânsito provocados pelas pistas molhadas, das quedas de árvores e outros objetos que aumentam o risco de acidentes com a rede elétrica.

Cuidados

Por este motivo, neste período, o Sindicato dos Peritos Oficiais do Estado do Tocantins (SINDIPERITO) orienta que as pessoas se afastem de árvores e postes de energia durante a chuva. “Os veículos são abrigos adequados, já que os pneus de borracha proporcionam um bom nível de isolamento em caso de raios que atinjam o solo. Outra dica importante é evitar contato com cercas de arame ou outros tipos de metais e varais metálicos”, alerta o vice-presidente da entidade, Silvio Jaca.

Silvio também menciona que muitos acidentes relacionados a choques elétricos se devem ao fato das instalações elétricas de muitas residências serem feitas sem projeto ou sem observância das normas específicas ou por um profissional não especializado na área. Outras causas atribuídas são as gambiarras elétricas, a falta de manutenção e o uso de uma mesma tomada para conexão de diversos equipamentos ao mesmo tempo. “Na zona rural, outros problemas também são manuseios de máquinas agrícolas próximas a linhas de distribuição e as construções fora das distâncias mínimas exigidas por onde passam essas linhas de distribuição”, completa.

Por último, o vice-presidente ressalta que é importante que as pessoas tenham consciência que no momento de uma tempestade ou até mesmo só a incidência de raios, que elas não utilizem aparelhos telefônicos com linha fixa ou aparelhos celulares ligados ao carregador na tomada. “Atender telefone ligado a uma rede durante chuva, ou pouco antes, é um atrativo para uma descarga elétrica. Muitos acidentes desta natureza acontecem pelo fato das pessoas desconhecerem os riscos que a eletricidade representa, como, por exemplo, usar o celular enquanto está carregando que é arriscado mesmo em dias sem chuva”, reforça.

Primeiros Socorros

O cardiologista Eliakin Radke destaca que saber o que fazer em caso de choque elétrico é importante para salvar a vida da vítima. Além de ajudar a evitar consequências como queimaduras graves ou parada cardíaca, também ajuda a proteger a pessoa que faz o salvamento contra os perigos da energia elétrica.

Até mesmo porque, de acordo com o especialista, o impacto de um choque causa inúmeros prejuízos à saúde. “A queda do raio pode causar parada cardíaca, convulsões, lesões cerebrais, danos na medula espinhal, amnésia, cegueira, estresse pós-traumático e risco de morte súbita”.

Porém, o cardiologista explica que caso uma pessoa seja atingida por um raio, não há motivo para ter medo porque a vítima não irá reter carga elétrica, sendo seguro tocá-la, diferente de um choque da rede elétrica onde não é seguro tocar a vítima antes de ter certeza que foi desligada. Segundo ele, a primeira conduta é solicitar ajuda, ligando para serviços de emergência imediatamente. Após os primeiros socorros, o médico orienta mover a pessoa para um local seguro. “A vítima que recebeu choque elétrico e pode ter sofrido queimaduras, se estiver inconsciente ou em parada cardio respiratória, deve imediatamente ser realizado medidas de reanimação até a chegada do serviço de atendimento”, alerta.

O médico também observa que as chances de salvamento da vítima eletrocutada diminuem com o tempo e a partir do 4º minuto de ter recebido o choque elétrico as possibilidades de sobrevivência são inferiores a 50%. “Dessa forma, estes primeiros socorros devem ser iniciados o mais rápido possível, para evitar que a corrente elétrica faça muitos danos no organismo e resulte em complicações graves”, finaliza. (Cênicas Comunicação)

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