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Bico do Papagaio

TOCANTINÓPOLIS: Índios morrem por falta de assistência

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Índios que vivem no Estado têm questionado a assistência à saúde. As reclamações e relatos de problemas enfrentados pelos índios quando precisam de atendimento médico chegam ao Conselho Missionário Indígena (Cimi). Segundo o Cimi, somente nos três primeiros meses deste ano, cinco crianças e dois adultos morreram por falta de assistência médica na tribo Apinajé, localizada em Tocantinópolis. “Essas pessoas faleceram por febre alta, que agravou para uma pneumonia, outras por vômito e diarréia. Essas doenças são curáveis. O que falta é atendimento nas aldeias”, explicou a coordenadora do Cimi, Sara Sanchez. De acordo com a coordenadora, não há medicamentos, faltam veículos para transportar os índios doentes para o hospital da cidade mais próxima, que é Araguaína. “Uma pessoa faleceu porque não tinha carro. O socorro demorou tanto para chegar que ela morreu no caminho”, contou Sara.

Segundo Sara, em 2006 houve um surto que causou a morte de 16 crianças. “Depois disso, a Funasa fez um acompanhamento da saúde dos índios, mas eles acharam que estava tudo resolvido”, opinou.

Para a missionária do Cimi Jucilene Gomes Correia, é uma situação desumana o que acontece com os índios. Segundo Jucilene, além de ter o problema de sair da aldeia para buscar atendimento médico, ainda tem o problema da maioria das mulheres índias falarem somente a língua da tribo, dificultando a comunicação no hospital.

Tribos

Mas não são só os Apinajés que sofrem por falta de estrutura. Na tribo Xerente também foi registrada a morte de uma criança esse ano. Outros problemas, como a precariedade das estradas, também têm afetado os Krahôs, que estão Itacajá. “Uma ponte caiu há muito tempo. Eles estão isolados. Como alguém vai poder ser socorrido?”, questionou Sara.

Os índios, que celebram amanhã o seu dia, são de seis etnias, segundo a Fundação Nacional da Saúde (Funasa): Apinajé, Krahô, Xerente, Krahô Kanela, Karajá e Javaé, e estão distribuídos em 134 aldeias, segundo. Os índios estão em diversas cidades do Estado. A tribo Apinajé está em Tocantinopólis; a Krahô, em Itacajá; a Xerente, em Tocantínia; a Karajá, em Santa Fé do Araguaia; a Javaé e a Krahô-Kanela, em Formoso do Araguaia. Há também uma outra etnia no estado, os Pankaruru, que têm alguns índios morando aqui, mas não têm aldeia por serem nativos do Estado de Goiás e do Nordeste do País.

Índios

Segundo Adriano Karajá, 23 anos, os índios não têm tido atendimento por parte dos órgãos competentes, como a Funasa e o governo, pois tanto os que moram nas aldeias quanto os que moram na cidade sofrem por essa falta de apoio. “Vemos hoje em dia o abandono por parte da Funasa nas aldeias. Recentemente, índios morreram nas aldeias Apinajé. Mortes por doenças menos sérias, como diarréia. Hoje, ninguém morre por causa disso, mas na aldeia, sim”, afirmou.

Ainda segundo Adriano, há algumas aldeias onde as lideranças são mais fortes e o atendimento é melhor. “Isso justifica a desigualdade criada entre o próprio povo, pois os órgãos os atendem de forma diferenciada dos outros. A gente vai reclamar com a Funasa ou com o governo, mas sempre um joga pro outro, fica num ping-pong e nada é resolvido”.

Segundo Adriano, há também relatos de remédios que são levados para as aldeias em Tocantinópolis com validade vencida. “Até parece que não tem ninguém para ser tratado. Essa é a impressão que os outros tem”, afirmou. Cristina Karajá, 24 anos, contou que já passou pela situação de precisar de atendimento médico e não ter. “Certa vez minha filha, na época com 2 anos, teve febre e na aldeia só tinha uma técnica em enfermagem para atendê-la. Não tinha remédios, nada. Nem um carro queriam disponibilizar para que eu levasse minha filha no hospital mais próximo”, relatou Cristina, acrescentando que quando finalmente conseguiu chegar ao hospital, a médica disse que se ela tivesse esperado mais duas horas a filha poderia ter morrido por febre alta. “E nada mudou desde então, isso já faz 2 anos”, afirmou Cristina.

Para Maria Aparecida Souza Ribeiro, 19 anos, da aldeia São José, em Tocantinópolis, há muito descaso com os índios. “Não há atendimento de médicos nas aldeias, é muito raro encontrar algum por lá”, afirmou. Maria está no Hospital Municipal de Araguaína com sua filha Roberta de 7 meses. De acordo com Maria, ela foi encaminhada para Araguaína depois de ter saído da aldeia e ido para o Hospital de Tocantinópolis. “Sempre que precisamos de atendimento temos que ir a cidade”, contou Maria Aparecida.Outra mãe indígena também encontra-se em Araguaína, com o filho de 2 meses, Kaio. Segundo Lúcia Dias Larão, também da etnia Apinajé, seu filho está internado por diarréia. “Na aldeia não tratam isso”, disse Lúcia.

Funasa

Segundo a Funasa, os polos bases nas aldeias são estruturados como uma unidade administrativa e contam com uma equipe composta por médicos, enfermeiros, dentistas e auxiliares em enfermagem. E as demandas que superam a capacidade do nível dos polos bases são encaminhados para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Outra forma de dar assistência encontrada pela Funasa são as Casas de Apoio à Saúde do Índio (Casai), localizados nos municípios e na Capital. Essas casas executam ações médicas e assistenciais, além de serem locais de apoio e recepção aos índios, auxiliando nos serviços de tratamento hospitalar, suporte de exames e tradução da língua. (Lara Francielly/Colaborou Isabelle Bento – Jornal do Tocantins)

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ARAGUATINS: Professor Eliézio comenta sobre acidente com tiro que matou Celi Pintor

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Nesta quinta, 3, o professor Eliézio Vieira, divulgou um vídeo comentando sobre o acidente que ocorreu em sua chácara, na zona rural de Araguatins, no Bico do Papagaio, no início do mês de novembro, que provocou a morte de Celi Pintor, amigo de Eliézio e bastante conhecido na cidade.

A fatalidade é tratada como um acidente, provocado pelo manuseio de uma arma de fogo.

Eliézio divulgou o vídeo, após ser veiculado em redes sociais, um áudio, afirmando que a Polícia teria concluído laudo pericial, onde apontaria Eliézio como culpado e que a Polícia estaria a procura do professor. A informação não procede.

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BURITI: Itamar diz que não disputará presidência da Câmara e pretende apoiar prefeita eleita Lucilene

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O vereador reeleito para seu 3° mandato Professor Itamar Martins (MDB), disse que não disputará a presidência da Câmara Municipal não por falta de experiência, conhecimento e habilidade mais por outros motivos. “Já decidi, não vou participar da eleição pra presidente”, disse o parlamentar.

Perguntado sobre quem apoiaria ele respondeu, “Estamos conversando, analisando, garanto que será um dos candidatos. Professor Itamar explicou ainda que seu principal objetivo é contribuir com a cidade junto com a gestora eleita Lucilene Brito ( SD ) e demais vereadores fazer projetos para melhoria na educação, saúde, infraestrutura, esporte e demais área nesse momento é meu foco principal”, finalizou. (Ascom)

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ARAGUATINS: Prefeitura afirma que não há atraso de salários e 13º e que ação jurídica é sem motivos

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A Prefeitura de Araguatins informou nesta quinta-feira, 3, que tomou conhecimento com “estranheza” dos rumores de que a assessoria jurídica do prefeito eleito teria impetrado um mandado de segurança para impedir atrasos e parcelamentos nos salários dos servidores, dentre outras finalidades. 

A ação proposta, segundo a atual gestão, é desnecessária e tem a mera finalidade de publicitar atos inexistentes, já que todos os servidores estão com os salários em dia e o 13° salário, desde o mês de janeiro, vem sendo antecipado 50% na data do aniversário dos servidores, conforme prevê a Legislação Municipal. 

Com base nesses fatos, a prefeitura reiterou que não há nenhum indício de que a gestão tenha demonstrado a intenção de deixar de cumprir seus compromissos com os servidores, descaracterizando assim, qualquer motivação para o mandato ora impetrado.

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