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quarta-feira, 25 / maio / 2022
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TOCANTINS: Analistas veem PSD como incógnita

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A criação do Partido Nacional Democrático (PSD) sob o comando da senadora Kátia Abreu (DEM) e do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), ainda é avaliada como uma “incógnita” por dois analistas ouvidos pelo JTo. Eles acreditam que é preciso esperar de qual lado o partido irá se posicionar de agora em diante, para que o cenário político fique mais claro no Estado.

O novo partido mexeu na composição de força no Estado ao contar com a senadora Kátia Abreu (DEM) que levou consigo os deputados federais Irajá Abreu (DEM), seu filho, e César Halum (PPS), único eleito pelo PPS. Os três eram de oposição ao governo federal e apenas Halum, de oposição ao governo estadual. Além disso, o PSD arrebanhou a petista Solange Duailibe (PT), que assinou a ata de criação do partido, e pode ter em seus quadros o prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), expulso ontem do partido. Da Assembleia, já tem adesão do deputado estadual Toinho Andrade (DEM), aliado do governo estadual, e do vereador Valdemar Júnior (DEM), até então, de oposição ao prefeito de Palmas, para citar os declarados, pois ainda não foi publicado o rol de prefeitos e vereadores que o partido poderá contar.

Com esse quadro multifacetado, o doutor em ciências sociais e professor da Universidade Federal do Tocantins (UFT) Waldecy Rodrigues vê a criação do PSD como uma válvula para acomodar algumas insatisfações em partidos políticos, tanto no Tocantins quanto em outros Estados. O surgimento do partido fez, segundo Rodrigues, com que parte da oposição da presidente Dilma Rousseff (PT) se aliasse à base e aos projetos federais. “Agora isso tem repercussões regionais. Em primeiro lugar, o Kassab fez isso em São Paulo para uma alternativa no próprio PSDB. Essa mexida de políticos tem repercussões particulares. No Tocantins criou uma incógnita de qual será o verdadeiro papel da Kátia no Estado”, comentou.

O professor observou que o quadro dependerá de qual posição tomará o PSD no Estado daqui pra frente: se ele será situação ou oposição ao governador do Estado, Siqueira Campos (PSDB). “Porque aqui no Estado, o PSD está agregando tanto oposição quanto situação. Mas pode ser que esse cenário mude lá na frente”, completou.

Rodrigues vê possibilidades de novas aglomerações como uma coligação entre PMDB e PSD e citou como prováveis candidaturas ao governo, em 2014, a de Siqueira à reeleição, a do ex-governador Marcelo Miranda (PMDB) ou até mesmo do ex-governador Carlos Gaguim (PMDB). “Mas esse cenário não está ainda bem definido. Falta uma composição maior a esse projeto do PSD. Tem que ver de qual lado o partido vai realmente ficar. Se é do lado da União do Tocantins (UT) ou PMDB”, frisou.

Para as eleições municipais do próximo ano, Rodrigues destacou que, em relação ao interior do Estado, é preciso esperar como as lideranças municipais irão se manifestar quanto ao PSD. Já em relação a Palmas, o professor disse que também tem que esperar para ver como irão se consolidar essas aglomerações. “Mas eu não acredito que o PSD vai ter candidatura própria. Acho que ele será mais um partido de aliança. E com certeza deve ter força o lado que ele apoiar”, destacou.

Sobre a ida dos petistas Solange Duailibe e Raul Filho para o PSD, o professor avaliou que a hipótese tem um novo ingrediente e é preciso definir quem fica com Raul para concorrer às eleições para prefeito. “Isso vai depender do sucesso ou insucesso do Raul na prefeitura. O PSD pode apoiar tanto a União do Tocantins quanto o PMDB, isso vai depender da estratégia da senadora Kátia Abreu. Se ela for fiel como ela está, certamente, o PSD apoiaria um candidato do lado do governo estadual”, opinou.

Identidade

Também professor da UFT, Manoel Miranda destacou o problema da identidade entre a trajetória política das principais cabeças do atual PSD em relação à história do antigo PSD. Em sua opinião, a legenda antiga era a preferida de oligarcas que atuavam como políticos profissionais com predominância urbana. “Por isso, era um partido que agregava diversos interesses, rivalizando com a União Democrática Nacional (UDN) que tinha os mesmos propósitos: controlar o poder central e regional, mas não possuía a abrangência liberal do PSD”, lembrou.

Miranda observou que, por este motivo, a UDN não agregava frentes ou eleitores com pensamentos de centro à esquerda e no partido predominavam os princípios ideológicos enraizados nos oligarcas mais tradicionais e de posições mais à direita e de extrema direita.

O professor disse que uma questão deve ser observada em relação ao PSD: qual a ideologia predominará no PSD criado ou ressuscitado? Se será como no passado, marcado por um discurso urbano populista ou alinhado aos interesses classistas do meio rural mitigado pelo perfil “neometropolitano de Kassab”. “Se esses dilemas não forem resolvidos, a crise de identidade permanecerá. Contudo, para alguns, pode ser apenas a saída para não terem os mandatos cassados”, enfatizou.

Para Miranda, o PSD dependerá da sua própria identidade ideológica e isso poderá implicar na densidade eleitoral do partido, pois segundo o professor o eleitor vê o político que muda de partido como um habitante que não tem endereço definido.

Assim, concluiu o especialista, no Tocantins, o desempenho dos filiados ao PSD não dependerá do que o partido poderá representar em outros estados, mas da própria conduta ideológica dos filiados no Estado. “Outro fator relevante é a acomodação dos interesses dos partidos afins e com os mesmos interesses e identidade ideológica”, finalizou.

Saiba Mais

Diretrizes do PSD- As diretrizes do programa do novo Partido Social Democrático (PSD) anunciadas no lançamento da sigla, em Brasília, passam pela atenção ao social, a defesa da propriedade e a preocupação com o meio ambiente, bandeiras históricas do PT, DEM e PV, respectivamente. As linhas reguladoras do PSD  vão da justiça social ao direito à propriedade, passando pelo uso de fontes renováveis de energia. Outras bandeiras do partido serão a defesa de uma tributação moderada e o respeito aos contribuintes. (Jornal do Tocantins)

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