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sexta-feira, 20 / maio / 2022
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TOCANTINS: Sem estrutura, interior precisa enfrentar o crack

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O crescimento no número de usuários de drogas, principalmente do crack, tem alarmado a sociedade. No Tocantins, além do aumento de circulação da droga, constata-se ainda avanço do crack pelo interior do Estado, atingindo assim até os menores municípios, que não contam com estrutura adequada para combater os males provocados pelo entorpecente. A proliferação da droga foi identificada pelo Observatório do Crack e outras drogas, da Confederação Nacional de Municípios (CNM). Os resultados deste raio-x foram divulgados neste mês de novembro. A pesquisa aponta que dos 139 municípios do Tocantins, 72 afirmaram que possuem circulação da droga.

O observatório detalha que, dos municípios do Estado com circulação de droga, dez identificaram o crack, 23 outras drogas, 62 crack e outras drogas e três não responderam. Destes, 26 gestores municipais falaram que o nível de consumo do crack é alto, 26 avaliaram como baixo, sendo que 44 classificaram como médio e um não identificou o nível de inserção. Para a CNM, outro dado preocupante é a quantidade de cidades que não instalou os conselhos municipais antidrogas e os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) para realizar o atendimento aos usuários.

O delegado chefe da Polícia Civil da Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP), Reginaldo de Menezes Brito, confirma o aumento do crack no Estado com a chegada em várias cidades do interior. Como medidas de contenção, ele ressalta que a polícia, através da Delegacia Especializada na Repressão a Narcóticos (Denarc), tem realizado ações como a Operação Tolerância Zero Contra o Crack. Outra novidade é a permanência de um psicólogo e um assistente social na Denarc, em Palmas, para acompanhar os casos de menores de 18 anos envolvidos com drogas. “Queremos visitar a família desse usuário, pois ela pode nos ajudar na recuperação desse jovem”, argumenta. O delegado defende que a família é fundamental no combate às drogas, em destaque o crack, e, para isso, é importante manter as relações familiares. Outro ponto defendido por Brito é que a sociedade precisa denunciar os locais de venda os traficantes.

Relatos

Os danos causados pelo crack são rápidos e prejudicam a saúde e as relações sociais da pessoa que o utiliza, assim relata um ex-usuário que de 35 anos, que prefere não se identificar. Em tratamento há dois anos, ele afirma que usou crack durante 10 anos. Mas antes vieram outras drogas, como álcool e cigarro e, posteriormente, a dependência da maconha. O vício chegou cedo, aos 16 anos. “Até esse momento conseguia levar minha vida normalmente, ninguém sabia que eu usava drogas. Mas quando fiquei dependente do crack tudo mudou”, detalha.O ex-usuário relata os prejuízos. “Já não conseguia manter o convívio social. Precisava usar a droga antes de ir para uma festa. Chegava lá e saía em busca de mais crack”, diz. Ele afirma que a droga acabou com sua vida, pois já não conseguia manter uma boa convivência familiar e tinha pânico de estar perto de outras pessoas. Sobre o trabalho, ele relembra que já não era possível cumprir horários, e tudo que ganhava utilizava para manter o vício. “Passei por humilhações, mas não conseguia avaliar a situação. Cheguei a ser internado no Hospital Geral de Palmas (HGP) devido às consequências da droga”, lembra.

Ele acrescenta que a sua família foi a grande responsável pela sua recuperação, pois foi quem o levou para o tratamento. O ex-usuário compartilha que no início do tratamento foi medicado e, com a desintoxicação, conseguiu avaliar melhor sua situação e os prejuízos que teve com o uso do crack. A relação com a religião para ele também foi importante. “Tive oportunidade de usar drogas novamente, mas não o fiz, pois é muito triste”, relata. Ele é atendido pelo Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e Drogas (Caps AD) de Palmas.

Outro depoimento vem de um pai de família, casado, 40 anos, duas filhas e dois netos. O crack causou a mesma devastação em sua vida. Ele explica que está há um ano sem usar drogas e há dois em tratamento, chegou a ser internado por quatro meses em uma clínica, em São Paulo. “Minha família sofreu muito, mas eles me apoiaram, entenderam e foram fundamentais na minha recuperação. Porém, mato um leão por dia. Não é fácil”, pontua. Ele começou com o uso da maconha, passou pela cocaína e ficou dependente do crack.

Hoje, ainda em tratamento no CAPS AD da Capital, ele frisa que voltou para o trabalho, pratica esportes e mantém um bom convívio familiar. Porém, ele diz que evita sair à noite. Em relação ao tratamento, fala que a equipe é boa e acolhedora, mas destaca que a família também precisa entender a doença e não discriminar o dependente da droga. (Jornal do Tocantins)

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