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domingo, 26 / maio / 2024

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AUGUSTINÓPOLIS: Pesquisa revela contaminação por agrotóxicos na água da BRK Ambiental

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Testes de qualidade encontraram agrotóxicos na rede de abastecimento em níveis acima do limite considerado seguro nos municípios tocantinenses de Augustinópolis e Paranã. As informações são resultados de um cruzamento de dados realizado pela Repórter Brasil a partir de informações publicadas pelo Ministério da Saúde no Sisagua (Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano). Os dados foram divulgados na terça-feira, 24. Os dois municípios são abastecidos pela BRK Ambiental.

Conforme a pesquisa, no ano passado foram realizados 306.521 testes consistentes em 2.445 cidades para identificar agrotóxicos na água. Segundo o painel do Sisagua, 55 testes em 28 municípios apontaram agrotóxicos acima dos valores máximos permitidos. Os municípios brasileiros que apresentaram a contaminação da água foram nos estados de Goiás (GO), Minas Gerais (MG), São Paulo (SP), Mato Grosso (MT) e Tocantins. 

O agrotóxico com mais testes acima do limite foi o endrin, com 10 registros em municípios de Goiás, Minas Gerais, Tocantins e São Paulo. A substância, cujo uso é proibido no Brasil. Na sequência aparece o aldrin, também proibido no país.

Análise da especialista

A professora e pesquisadora em ecotoxicologia pelo Instituto Federal do Tocantins (IFTO) Campus Palmas, Raquel Lima explica sobre as consequência do agrotóxicos no organismo humano. “A água fornecida com altas concentrações de agrotóxicos aumenta os riscos para doenças crônicas, como câncer e distúrbios hormonais, e para problemas no sistema nervoso, nos rins e no fígado”.

Ela lembra que no estado,  existem duas instituições responsáveis pelo monitoramento da qualidade de água para abastecimento público, definido estrategicamente conforme o tamanho dos municípios, são elas: a BRK responsável pelos municípios médios e grandes do estado e a própria prefeitura, que atende os demais municípios, considerados pequenos.

A pesquisadora pondera que dependendo da quantidade esses agrotóxicos podem causar impactos.

“Assim, os agrotóxicos encontrados na água potável podem ter impactos negativos à saúde humana, dependendo das quantidades, das substâncias, da frequência e duração da exposição à água contaminada. A fim de gerenciar os potenciais problemas decorrentes da exposição aos agrotóxicos presentes na água potável é que existe a legislação estabeleceu os níveis máximos de concentração (no Brasil os VMP) para cada agrotóxico potencialmente presente na água potável, e não é diferente para o Aldrin e Eldrin, compostos detectados nos municípios tocantinenses”.

Ela destaca que a maioria dos contaminantes químicos presentes em águas subterrâneas e superficiais está relacionada às fontes industriais e agrícolas. 

“Tendo em vista, a posição geográfica do Tocantins assim como devido a sua atividade econômica está principalmente voltada para a agropecuária. Os resultados analíticos detectados Aldrin e Eldrin em dois dos seus municípios soa como um sinal de alerta a todos, no entanto, principalmente para atuação rigorosa quanto aos monitoramentos da qualidade das águas e nas fiscalizações por parte dos entes públicos competentes”.

Recomendações para avaliação profunda

A pesquisadora recomenda prosseguir-se com fases mais avançadas de avaliação de risco ecológico, envolvendo a realização de ensaios ecotoxicológicos: com  amostras de água, sedimento e solos, de longa duração em que sejam avaliados efeitos subletais, e envolvendo espécies de níveis tróficos e funcionais diferentes dos avaliados no presente trabalho.

“É ainda recomendado incorporar locais de amostragem em pontos externos ao Tocantins, em estados vizinhos, nomeadamente em campos de grandes plantações intensivas.  Dessa forma, é possível se precisar uma análise de risco ao ambiente e à população consumidora, que potencialmente seja causada pelos dois compostos detectados na água de abastecimento público de Augustinópolis e Paranã”.  Caso não exista, a pesquisadora destaca que cabe ao poder executivo do estado “para realizar o biomonitoramento com expectativa de pleno sucesso, deve ser contratado uma entidade de pesquisa com conhecimento na área ou ainda estabelecer parcerias com entes da academia e outros segmentos que possuam pessoal habilitado”.

O que diz a concessionária

Em nota, a BRK informou que a água fornecida à população dos 46 municípios onde atua no Tocantins é testada em diversas análises realizadas diariamente, segundo os parâmetros da Portaria GM/MS nº 888/2021 e Portaria GM/MS nº 2472/2021, e de acordo com as diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS). Todos os resultados são submetidos à Autoridade de Saúde Pública Municipal. 

“São mais de 81 mil análises por mês para testar diversas características da água sendo que, no último semestre, foram realizados cerca de 36 mil testes específicos para agrotóxicos. A BRK informa que, em todos esses testes específicos, ficou comprovado que a água atende aos parâmetros exigidos pela legislação”, informou.

A empresa reforçou sobre a qualidade da água. “O Tocantins é uma referência em qualidade de água e saneamento básico, e a BRK reitera seu compromisso de garantir água de qualidade para seus clientes”. (Jornal do Tocantins)

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